A mobilização dos professores da rede estadual de Sergipe começou nesta quarta-feira (26), com uma agenda de protestos e atividades públicas em Aracaju. A categoria suspendeu as aulas por 48 horas e iniciou o movimento no Centro da capital, onde promove um ato para apresentar à população as reivindicações que estão no centro da campanha.
De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores em Educação Básica do Estado de Sergipe (Sintese), a iniciativa busca levar ao conhecimento da sociedade os argumentos apresentados pelos professores para a retomada da mobilização.
A decisão pela paralisação foi tomada em assembleia realizada no dia 19 de agosto. Entre as principais reivindicações está o cumprimento de uma decisão judicial relacionada à retomada dos escalonamentos da carreira do magistério, que, segundo o sindicato, devem voltar aos percentuais de 40% a 100%, modelo vigente até 2011.
O Sintese também contesta a legislação que alterou a estrutura da carreira dos professores estaduais e afirma que o Governo de Sergipe ainda não teria cumprido integralmente a determinação do Supremo Tribunal Federal (STF). Para a entidade, a demora na implementação da medida prolonga um impasse que já se estende há meses.
A programação de mobilização continua nesta quinta-feira (27). A partir das 15h30, os professores devem realizar uma caminhada pelas ruas de Aracaju. O percurso terá início nas proximidades do Iate Clube e seguirá até a sede do Tribunal de Justiça de Sergipe (TJ-SE).
Disputa em torno da carreira
O presidente do Sintese, professor Roberto Silva, afirma que a retomada das negociações sobre a carreira havia sido apresentada pelo Governo do Estado como parte do entendimento que levou ao encerramento de uma greve anterior, em março.
Segundo ele, a categoria esperava a abertura de um processo de negociação com o sindicato para tratar do cumprimento da decisão judicial. Na avaliação da entidade, como esse diálogo não avançou da forma esperada, a paralisação de 48 horas tornou-se uma nova estratégia de pressão.
O dirigente sindical convocou os professores a participarem das atividades previstas para os dois dias de mobilização e defendeu a manutenção da unidade da categoria em torno das reivindicações.
Governo contesta paralisação
O Governo de Sergipe, por sua vez, afirma que a paralisação ocorre apesar de uma determinação judicial dirigida ao Sintese.
Em nota, a administração estadual informou que o Tribunal de Justiça de Sergipe determinou que o sindicato não promovesse a paralisação, apontando, segundo o Governo, falta de comprovação de comunicação prévia e ausência de um plano operacional para assegurar a continuidade dos serviços.
Ainda conforme a gestão estadual, o eventual descumprimento da decisão pode resultar em multa diária de R$ 60 mil, limitada a R$ 600 mil.
A Secretaria de Estado da Educação (Seed) também se manifestou contrariamente ao movimento. A pasta declarou que a paralisação pode afetar o andamento do ano letivo, o processo de aprendizagem e a rotina dos estudantes.
Apesar da mobilização dos professores, a Seed informou que as escolas da rede estadual permanecerão funcionando durante o período previsto para a paralisação.
Segundo a secretaria, as unidades contarão com equipes responsáveis por garantir serviços como acolhimento dos estudantes, alimentação escolar, transporte e segurança, incluindo gestores, profissionais da educação, merendeiras, vigilantes e estudantes monitores.
O impasse coloca, de um lado, o magistério estadual, que cobra o avanço das negociações e o cumprimento da decisão judicial sobre a carreira, e, de outro, o Governo de Sergipe, que questiona a legalidade da paralisação e sustenta a necessidade de preservar o funcionamento das escolas.
Por Redação
Foto: Divulgação






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