Tensão explode nos bastidores do PL Sergipe: “Aqui quem manda sou eu”, diz Rodrigo; Rocha reage: “Vá se lascar”

Uma reunião que deveria servir para esclarecer divergências nos bastidores da articulação política para as eleições de 2026 terminou em clima de tensão e bate-boca entre lideranças em Sergipe. Segundo uma fonte que participou do encontro, o presidente estadual do PL, deputado federal Rodrigo Valadares, teria adotado uma postura considerada desrespeitosa, autoritária e arrogante durante a reunião, que contou com representantes do PL, Novo e Podemos.

De acordo com o relato, o encontro ocorreu na noite da última segunda-feira e reuniu cerca de 30 pessoas. A reunião teria sido convocada justamente para colocar em discussão versões sobre os acontecimentos envolvendo o Fundo Partidário, as articulações políticas e a formação das chapas para 2026.

Uma fonte revelou ao Hora News que Rodrigo Valadares passou boa parte do encontro apresentando sua versão sobre os fatos. Ao perceber que havia pontos que poderiam ser contestados, decidiu pedir a palavra para apresentar uma versão diferente.

“Tem uma outra versão dos fatos, inclusive, eu tenho prova de cada uma das pessoas que você acabou de falar”, relatou a fonte sobre o momento em que o professor Leonardo Lisboa, presidente estadual do NOVO, interveio na reunião.

Segundo o participante, Rodrigo teria reagido de forma ríspida e determinado que ele só poderia falar quando recebesse autorização.

“Você só pode falar quando eu autorizar, quando eu der a palavra”, teria dito o presidente do PL, conforme o relato.

A fonte afirma que Leonardo teria questionado a condução do encontro e argumentado que não faria sentido permanecer em uma reunião apenas para ouvir uma única versão.

“O que pra mim não faz sentido, sair da minha casa, vir ficar ouvindo só você falando. Cada coisa que você fala vai ficar mais difícil pra gente voltar atrás e contar outra versão dos fatos”, teria respondido o professor.

Discussão aumenta após chegada de Coronel Rocha

Ainda segundo a fonte, o clima ficou mais tenso com a sequência da discussão. Foi nesse momento que o candidato ao Senado Coronel Rocha chegou ao local e, conforme o relato, também reagiu à forma como Rodrigo Valadares estaria conduzindo a reunião.

A fonte descreve Rocha como alguém de comportamento normalmente tranquilo, mas afirma que o candidato se incomodou com a maneira como o presidente do PL estaria se dirigindo aos participantes.

Em determinado momento, segundo o relato, Rodrigo teria elevado o tom e afirmado que era o líder e que caberia a ele comandar a reunião.

“Volta pra cá, eu sou líder, isso aqui quem manda sou eu”, teria dito Rodrigo, conforme a fonte.

A discussão teria provocado a saída de algumas pessoas do ambiente. Coronel Rocha também teria deixado o local após o confronto. Antes, porém, teria pedido respeito a Rodrigo e, diante da escalada da discussão, chegado a mandá-lo “vá se lascar”.

Em publicação recente nas redes sociais, Coronel Rocha chamou Rodrigo Valadares de “mentiroso, hipócrita e soberbo”, adjetivos que voltou a repetir em entrevista à Jovem Pan nesta quarta-feira.

Outro ponto que chama atenção na disputa pelo Senado é a diferença na distribuição dos recursos do fundo partidário. Até o momento, Coronel Rocha não recebeu nenhum real do fundo partidário para sua campanha ao Senado, enquanto Rodrigo Valadares já recebeu R$ 3 milhões, destinados exclusivamente ao financiamento de sua própria campanha.

Participantes retornam, mas novo atrito acontece

Após cerca de 10 minutos do lado de fora, parte dos participantes decidiu retornar ao encontro. A tentativa de retomar a reunião, no entanto, teria sido seguida por um novo desentendimento.

Segundo a fonte, Rodrigo Valadares teria iniciado uma nova fala e feito uma espécie de pedido de desculpas pelo episódio anterior.

A retratação, porém, não teria sido aceita pelo professor Leonardo da mesma forma como foi apresentada.

“Não, Rodrigo. Você foi indelicado, foi desrespeitoso comigo. Tire essa condicionante”, teria respondido o presidente do NOVO.

Para Leonardo, de acordo com o relato da fonte, não seria suficiente apresentar um pedido de desculpas condicionado à possibilidade de ter cometido um erro.

“Porque fica muito fácil você dizer: ‘se eu errei…’. Quando que eu falei isso? Pra mim não existe meia desculpa. Você errou. Não existe pra mim”, afirmou.

O novo confronto teria elevado novamente a temperatura da reunião, que acabou sem que o objetivo inicial de esclarecer as divergências fosse alcançado.

Fonte aponta mudança na relação política

Além do episódio da reunião, a fonte também relatou uma mudança na relação política do professor Leonardo e do Coronel Rocha com Rodrigo Valadares.

Segundo o participante, até pouco tempo atrás havia manifestações públicas de apoio ao presidente do PL, inclusive durante momentos de maior desgaste político. A fonte afirma que chegou a defender Rodrigo publicamente e que teria recebido posteriormente uma mensagem de agradecimento.

“Depois das entrevistas que eu tenho, inclusive na Jovem Pan, ele mandou mensagem para Leonardo agradecendo por ele ter ido a público, desmentido e defendido ele nas denúncias feitas por Cadu no Hora News. Aí agora ele vira a narrativa de uma forma como se o professor Leonardo fosse o vilão da história”, declarou.

A fonte classificou a mudança de postura de Rodrigo como uma demonstração de ingratidão ao professor e o coronel e afirmou que não pretende permanecer em silêncio diante de situações que considere desrespeitosas.

“Eu tenho os fios brancos na barba, isso já me dá uma certa ousadia para não aceitar certas coisas”, teria afirmado Leonardo, segundo a fonte.

Disputa envolve articulações para 2026

Na avaliação da fonte, o conflito também estaria relacionado às dificuldades encontradas nas negociações políticas para a formação das chapas que disputarão as eleições de 2026.

O participante levantou a possibilidade de que divergências nas articulações partidárias tenham contribuído para o desgaste da relação, mas ressaltou que essa é uma interpretação pessoal.

“Talvez, na minha leitura, porque a gente não conseguiu fechar a chapa estadual. Talvez porque ele tinha a pretensão de ajudar, eu não sei. E aí ele agora se virou contra o cara, que era aliado dele até ontem”, afirmou.

A reunião expôs uma nova divergência nos bastidores da articulação política em Sergipe. O encontro, que tinha como objetivo esclarecer questões relacionadas às negociações e aos entendimentos para 2026, terminou em clima de tensão e sem que as partes chegassem a um entendimento.

Reconhecimento

Apesar do episódio e das divergências que vieram à tona durante a reunião, o confronto envolve duas figuras que possuem reconhecimento em seus respectivos campos de atuação. Coronel Rocha é um policial experiente e respeitado, com um passado de destaque na Polícia Militar e uma trajetória marcada pela atuação profissional.

O professor Leonardo, por sua vez, é um homem que também goza do respeito de diferentes setores da sociedade sergipana, independentemente da linha ideológica ou das posições políticas de cada um.

São, portanto, dois nomes com trajetórias próprias e reconhecimento público, que integram um mesmo projeto político e que agora se veem diante de uma divergência interna que ganhou proporções públicas.


Por Redação
Foto: Divulgação

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