Reflexos do fortalecimento da economia circular e de uma moda mais sustentável em Aracaju

Os termos citados no título significam que a trilha da sustentabilidade nos negócios de moda é um caminho sem volta, ou seja, essa é uma pauta emergencial em todo o mundo. Além dessa afirmativa, estudos da Fundação Ellen MacArthur e do Business of Fashion (BoF) apontam, também, a pandemia como fator que acelerou a busca por um consumo cada vez mais consciente.

A indústria têxtil é um das que mais contribui para o desequilíbrio ambiental, inclusive, ao lotar diariamente aterros e lixões. Através desses esclarecimentos, cada vez mais difundidos por especialistas na mídia, consumidores e marcas estão começando a ter novas prioridades, a fim de evitar o descarte e a produção de mais resíduo. O planeta agradece, pois nos cobra diariamente uma forma de conter ciclos poluentes.

De acordo com o Global Fashion Agenda, sete modelos de negócio de moda podem ser considerados sustentáveis, e um deles é a categoria “second hand & vintage”, ou brechós, como são conhecidos.  No caminho da circularidade, sua essência é aumentar o ciclo de vida das roupas, priorizando a qualidade e a atemporalidade, o oposto do papel do varejo fast fashion.

No Brasil, e em quase toda América Latina, as discussões sobre o tema ainda abrangem desafios culturais, sociais e ambientais, o que exige mais participação do poder público. Ainda assim, o cenário está se renovando e outros investimentos surgindo. O comércio second hand vem ganhando força à medida que aumenta a cobrança pela transparência na cadeia produtiva e a procura por produtos que minimizem o impacto ambiental.

Em Aracaju, capital sergipana, identificamos alguns exemplos e trouxemos a realidade do Desapego Fashionista, disponível no meio on-line em rede social (@desapego.fashionista) e com showroom localizado no bairro São José. Segundo a idealizadora, Renata Barreto, a moda consciente tem mais a ver com o comportamento do cliente e com a preocupação de cada pessoa com o produto que está adquirindo.

Sobre a mudança na rotina que ocorreu no mercado de moda na pandemia, Renata diz que precisou se adequar às mudanças geradas pelo isolamento social. “Minha curadoria se estabeleceu em peças confortáveis para usar no dia a dia, saíram os saltos altos e roupas para eventos, entraram mais roupas como moletom, rasteiras, para saídas rápidas”.

Estão à disposição peças de marcas nacionais e internacionais com preço justo e qualidade impecável, como Levi’s, Galeria Tricot, Valentino, Miu Miu, Prada e outras. Além do custo-benefício, com descontos que podem chegar a 90% em relação ao preço de roupas novas, o atendimento personalizado é um diferencial.

Sobre o serviço, ela ressalta: “Meu desapego já era 100% on-line com um serviço personalizado de entrega, só reforcei o cuidado com o manuseio e embalagem das peças, seguindo as orientações dos órgãos de Saúde. Quanto a higienização, sempre fui muito criteriosa e já tinha um padrão de trabalho, comprei uma higienizadora a vapor para garantir a higienização diária”.

E acrescenta: “Para quem desapega [via consignação], tem a oportunidade de renunciar a itens que não são mais usados e renovar energias, fazer fluir e ainda ganhar dinheiro. Tenho muitas clientes que fazem doação do dinheiro das vendas para entidades sociais, outras desapegam se apegando [comprando no seu negócio].”

Podemos concluir que a moda pós pandemia será mais sustentável e colaborativa. Dos termos citados até agora aqui, e tantos outros como slow fashion, upcycling, moda ética e descolonização serão práticas mais comuns. Compreender essas mudanças é questão de sobrevivência, tanto para o negócio – dentro da nossa realidade de modelo econômico – quanto para o planeta.





Por Tirzah Rezende
Fotos: Divulgação

Comente

Participe e interaja conosco!

Arquivos

/* ]]> */