Perícia aponta feminicídio em morte de mulher que consumiu sorvete envenenado

A Polícia Científica de Sergipe teve papel decisivo na elucidação de um caso de feminicídio envolvendo envenenamento, crime investigado pela Polícia Civil. Por meio de uma série de laudos periciais, os exames produzidos permitiram comprovar a causa da intoxicação da vítima e auxiliaram diretamente na identificação do autor do crime.

A divulgação dos dados aconteceu nesta terça-feira, 2, mas a ação criminosa ocorreu no dia 20 de abril, e o investigado foi preso no último dia 9 de maio.

De acordo com o coordenador-geral de perícias, Victor Barros, o trabalho pericial reuniu diferentes frentes de análise técnica para esclarecer a dinâmica do caso.

“Foi realizada uma série de laudos periciais. Inicialmente, fizemos o exame microscópico da vítima, que constatou indícios compatíveis com intoxicação. Em seguida, a análise toxicológica confirmou a presença de aldicarbe, conhecido popularmente como ‘chumbinho’”, explicou.

Ainda segundo Victor Barros, também foram produzidos laudos de computação forense, que analisaram diálogos relacionados ao caso e contribuíram para o avanço das investigações conduzidas pela Polícia Civil.

O coordenador destacou ainda que a equipe pericial respondeu a um questionamento complementar da autoridade policial sobre a possibilidade de uma pessoa ingerir a substância tóxica sem apresentar sintomas.

“A partir da literatura científica e dos conhecimentos técnicos sobre o aldicarbe, concluímos que, caso o indivíduo tivesse ingerido a substância da mesma forma que a vítima, necessariamente apresentaria sintomas característicos da intoxicação”, detalhou.

Victor Barros explicou que o aldicarbe é um composto utilizado como defensivo agrícola e atua diretamente no sistema nervoso.

“A substância provoca hiperestimulação do sistema nervoso, gerando sintomas como salivação excessiva, tremores, convulsões e outras complicações graves. Sem tratamento adequado, o quadro pode evoluir para óbito”, afirmou.

Segundo ele, a ausência completa desses sintomas no investigado foi um dos elementos técnicos considerados fundamentais para o esclarecimento do caso.

“Como o suspeito não apresentou nenhuma sintomatologia compatível em nenhum momento, a perícia contribuiu para que a Polícia Civil chegasse à conclusão de que ele não havia ingerido a substância, reforçando os indícios da autoria criminosa”, ressaltou Victor Barros.

Crime

De acordo com o delegado Kássio Viana, responsável pela investigação, a ocorrência chegou inicialmente às autoridades como um suposto suicídio envolvendo um casal.

“Quando a equipe chegou ao local, a situação chamou atenção porque parecia uma tentativa de suicídio conjunta. Porém, o homem estava consciente, sem sinais compatíveis com ingestão de chumbinho, enquanto a mulher já estava sem vida”, explicou

Ainda conforme o delegado, o suspeito afirmou que a vítima enfrentava um quadro depressivo e teria sugerido que os dois cometessem suicídio juntos. Kássio Viana revelou que ele relatou que preparou dois potes de sorvete contendo veneno e que ambos teriam ingerido a substância.

“Entretanto, as inconsistências no depoimento levantaram suspeitas”, evidenciou.

“No relato dele, dizia que teria tomado o veneno e dormido logo em seguida, o que não é compatível com os efeitos normalmente observados em intoxicações por chumbinho, o que foi comprovado pela Polícia Científica”, pontuou.





Fonte: SSP-SE
Foto: SSP-SE

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