Presidente estadual da legenda afirma que aliança com PL e Podemos foi comunicada aos filiados, contesta suposto corte de recursos e explica retirada de pré-candidatos de grupo de WhatsApp.
O presidente estadual do Partido NOVO em Sergipe, professor Leonardo Lisboa, decidiu se manifestar publicamente após a repercussão do dossiê encaminhado à direção nacional da legenda por ex-pré-candidatos e citado em reportagem publicada pelo Hora News nesta sexta-feira (7).
O documento questiona a condução do partido no estado durante a preparação para as eleições de 2026 e levanta acusações relacionadas à autonomia do diretório estadual, à aproximação política com o PL e o Podemos, à utilização de recursos partidários, à condução das atividades com pré-candidatos e à retirada de integrantes de um grupo de WhatsApp.
Em sua resposta, Lisboa contesta os principais pontos apresentados no documento e afirma que parte das acusações decorre de uma interpretação distorcida dos acontecimentos internos da legenda.
“As acusações feitas pelo Cadu Silva em seu dossiê são falsas, descabidas e fogem em muito da realidade que será apresentada e demonstrada a seguir com provas documentais”, afirma o presidente estadual do NOVO.
Autonomia para conduzir o NOVO em Sergipe
Uma das questões centrais levantadas no dossiê é a suposta perda de autonomia política e administrativa do diretório estadual do NOVO.
Leonardo Lisboa rejeita essa interpretação e afirma que sua atuação à frente da legenda é respaldada pela direção nacional do partido e por sua trajetória dentro do movimento liberal.
“Enquanto dirigente partidário do NOVO aqui em Sergipe, disponho e possuo total legitimidade administrativa e política para guiar os rumos da legenda no Estado”, declara.
O presidente estadual argumenta que sua relação com o liberalismo não começou com a atual disputa política. Ele cita, entre outros elementos de sua trajetória, a participação em cursos e aulas livres sobre liberalismo, a realização de eventos em Sergipe, a criação de instituições, participações em congressos nacionais e internacionais, além de contribuições em livros e artigos publicados na imprensa local.
O professor também destaca que sua filiação ao NOVO ocorreu em 2019. Para ele, esse histórico demonstra uma vinculação anterior e consistente com os princípios defendidos pela legenda.
Na avaliação do dirigente, portanto, não haveria fundamento para afirmar que o diretório estadual passou a atuar subordinado a interesses externos ao partido.
Aliança com PL e Podemos não teria sido uma decisão repentina
Outro capítulo importante da controvérsia envolve a formação da aliança entre NOVO, PL e Podemos para o processo eleitoral de 2026.
Os autores do dossiê questionam a influência das outras legendas sobre as decisões do NOVO e afirmam que a composição teria provocado perda de espaço da legenda nas decisões estratégicas.
Leonardo Lisboa apresenta uma versão distinta. Segundo ele, a construção política foi apresentada aos filiados e aos pré-candidatos desde o início e não teria sido uma decisão tomada à revelia da estrutura partidária.
“A estrutura construída foi feita em comum acordo e ciência dos filiados, tendo o Partido Liberal e o Podemos como parceiros de primeira ordem. Isso foi comunicado a todos os pré-candidatos desde a primeira reunião desse novo grupo”, salienta.
Para o presidente estadual, a presença de nomes do PL na articulação política não significa que o NOVO tenha perdido sua identidade ou autonomia.

Lisboa cita como exemplo Rodrigo Valadares, apresentado como candidato ao Senado pelo grupo, ao lado do coronel Rocha, e Ricardo Marques, candidato ao Governo de Sergipe, pela composição anunciada em 3 de agosto.
Na visão do dirigente, a exposição pública desses nomes é consequência natural da própria configuração eleitoral construída pelo grupo.
Presidente nega promoção de Moana Valadares pelo NOVO
A presença da vereadora de Aracaju, Moana Valadares, candidata a deputada federal pelo PL, também aparece entre os pontos questionados na discussão sobre a comunicação política da aliança.
Leonardo Lisboa afirma que o NOVO não promoveu a candidatura da parlamentar.
“Não existe nenhuma comunicação oficial ou informal do NOVO em Sergipe fazendo alusão a Moana Valadares, não por demérito à vereadora de Aracaju e candidata a federal pelo PL, mas por uma questão fática de que teremos a nossa própria chapa de deputados federais”, explica.
O presidente estadual também afirma que não considera procedente a ideia de que os integrantes do NOVO teriam sido surpreendidos pela aproximação com o PL.
De acordo com o dirigente partidário, Cadu Silva teria visitado, em 1º de abril, o deputado federal Rodrigo Valadares e Ricardo Marques, então vice-prefeito, em uma visita de cortesia. Na ocasião, de acordo com o dirigente, Silva teria tomado conhecimento da construção da aliança entre PL, NOVO e Podemos.
Recursos partidários: presidente contesta acusação de corte
A questão financeira é outro ponto de divergência entre os autores do dossiê e a direção estadual. Segundo o documento, os pré-candidatos teriam sido prejudicados pela interrupção de recursos que seriam destinados às suas atividades eleitorais.
Leonardo Lisboa nega que tenha ocorrido qualquer corte dessa natureza e sustenta que a acusação parte de uma premissa que, segundo ele, não corresponde à realidade financeira do partido.
“O que está sendo colocado como corte de 100% dos recursos é uma inverdade. Não há o que se falar em corte de 100% dos recursos para os pré-candidatos, até por conta da impossibilidade e não existência de recursos para tal feito”, afirma.
O dirigente é ainda mais direto ao explicar sua posição: “Não se pode cortar nada do que não se tem”, observa.
O presidente afirma que os recursos atualmente recebidos pelo partido são destinados à manutenção das atividades administrativas da legenda e nega que tenham sido utilizados para financiar projetos eleitorais de outras siglas.
Atividade com pré-candidatos é descrita de maneira diferente
Outro episódio que ganhou espaço no dossiê envolve uma atividade realizada com os pré-candidatos para produção de fotografias e vídeos. Segundo a versão apresentada pelos autores do documento, os participantes teriam sido colocados em uma situação considerada vexatória, com espera para realização de registros padronizados e pouca autonomia sobre a própria comunicação eleitoral.
Leonardo Lisboa discorda dessa caracterização. De acordo com o presidente, a atividade foi planejada como um dia de preparação partidária e tinha como objetivo organizar a apresentação pública dos pré-candidatos.
Ele descreve a iniciativa como uma espécie de “trilha do pré-candidato”, que envolveria análise das redes sociais, construção de uma persona política, produção de fotografias oficiais e gravação de vídeos para utilização posterior durante o processo eleitoral.
Para Lisboa, portanto, a atividade não representou constrangimento, mas uma etapa de preparação dos nomes que pretendiam disputar as eleições. O presidente afirma ainda que não recebeu reclamações dos participantes na ocasião.
Segundo ele, Cadu Silva deixou posteriormente o projeto político do NOVO, embora tenha se despedido normalmente dos integrantes do grupo.
Retirada do grupo de WhatsApp é confirmada
A remoção de integrantes do grupo “Pré-candidatos NOVO Sergipe” é um dos episódios que Lisboa confirma, embora discorde da narrativa apresentada no dossiê.
O documento questiona a retirada de aproximadamente 15 participantes e sustenta que as exclusões teriam ocorrido sem comunicação prévia.
O presidente estadual afirma que a decisão foi precedida por avisos aos integrantes. Segundo ele, no dia 5 de agosto os participantes foram comunicados sobre a impossibilidade de lançamento de candidaturas estaduais em razão da questão relacionada à cota de gênero.
“Todos os pré-candidatos foram avisados no dia 5 de agosto da não possibilidade e viabilidade de lançamento de candidaturas estaduais por conta da cota de gênero. Isso foi transmitido em mensagem no grupo por mim mesmo”, garante.
No dia seguinte, de acordo com o dirigente, uma nova mensagem foi enviada informando que o grupo seria encerrado.
“Não fazia mais sentido manter um grupo de pré-candidatos, sendo que essa expressão não mais existia num contexto eleitoral”, explica.
Lisboa sustenta, dessa forma, que a retirada dos participantes não teria sido uma medida repentina ou destinada a punir integrantes, mas consequência do encerramento de uma etapa política que, segundo ele, já não existia naquele formato.
Apenas quatro dos 15 pré-candidatos teriam assinado documento
O presidente estadual também questiona a dimensão do movimento apresentado no dossiê. Na opinião de Lisboa, o grupo reunia aproximadamente 15 pré-candidatos, enquanto apenas quatro nomes teriam subscrito o documento encaminhado à direção nacional. Entre os signatários estão Cadu Silva, Delman Cabral, Leandro Monteiro e Eduardo Mascarenhas.

Lisboa afirma que Cadu Silva já havia comunicado sua desistência do projeto de pré-candidatura no início de julho.
Sobre Delman Cabral, o presidente diz que recebeu uma comunicação pessoal informando que ele deixaria a disputa por problemas particulares.
Em relação a Leandro Monteiro, o dirigente do partido apresenta uma alegação mais específica: segundo ele, o filiado teria posteriormente solicitado que sua assinatura fosse retirada do dossiê.
O presidente afirma que Monteiro teria realizado ligações e enviado mensagens pedindo reiteradamente a retirada do nome, mas teria sido bloqueado e ignorado por Cadu Silva.

Lisboa diz possuir registros dessas conversas e afirma que poderá apresentá-los caso sejam necessários para esclarecer o episódio.
Presidente chama análise política do dossiê de “enviesada”
A interpretação política sobre a formação do bloco entre NOVO, PL e Podemos também é contestada por Leonardo Lisboa. Para o presidente estadual, o documento apresenta uma leitura parcial do processo que levou à aproximação entre as três legendas.
Lisboa considera que a composição deve ser analisada dentro de um movimento maior de reorganização da oposição em Sergipe para as eleições de 2026.
“O que talvez incomode de verdade o Cadu, principal mentor intelectual desse dossiê, é que ele talvez esteja querendo mostrar serviço ou lealdade a um outro grupo político que rivaliza com esse novo grupo de oposição que se organiza no Estado de Sergipe”, afirma.
O dirigente sustenta que, depois de deixar o grupo político do NOVO, Cadu Silva teria passado a se aproximar de outro agrupamento.

Lisboa afirma que existem registros públicos dessa movimentação nas redes sociais e menciona também uma atuação profissional na área jurídica junto a um político que, segundo ele, pertence ao campo adversário da atual composição.
Para o presidente, esse contexto seria relevante para compreender as circunstâncias que antecederam a elaboração do dossiê.
Dirigente diz estar disposto a apresentar documentos
Apesar da forte contestação ao conteúdo do documento, Leonardo Lisboa afirma que não se opõe à análise dos fatos pelas instâncias partidárias ou pela imprensa.
Ao contrário, o presidente estadual diz estar disposto a apresentar documentos, registros e testemunhos que, segundo ele, poderão ajudar a esclarecer cada um dos episódios citados.

“Estou à total disposição da imprensa, mídia, filiados do NOVO ou a quem interessar para esclarecer cada um dos pontos desse dossiê de forma mais detalhada, com provas documentais, testemunhas e muitas outras provas e situações que preferi deixar em segredo para um momento mais oportuno”, justifica.
A declaração sinaliza que a disputa interna pode ainda ganhar novos capítulos, especialmente caso os documentos mencionados pelo presidente estadual sejam apresentados publicamente ou submetidos à direção nacional do partido.
Disputa interna agora tem versões distintas
Com a manifestação de Leonardo Lisboa, o episódio passa a reunir duas narrativas distintas sobre a condução do NOVO em Sergipe durante a preparação para as eleições de 2026.
Os autores do dossiê questionam a autonomia da direção estadual, a influência da aliança com PL e Podemos, a condução dos pré-candidatos, a utilização de recursos e a forma como o grupo de WhatsApp foi encerrado.
Lisboa, por sua vez, rejeita as acusações, afirma que as decisões foram comunicadas aos filiados, nega a existência de recursos de pré-campanha que pudessem ter sido cortados e sustenta que a aproximação com PL e Podemos foi construída de forma conhecida pelos integrantes do partido. O presidente estadual também afirma que dispõe de documentos capazes de sustentar sua versão dos acontecimentos.
A partir de agora, a eventual análise da direção nacional do NOVO deverá confrontar as diferentes versões apresentadas e os documentos que venham a ser formalmente apresentados pelas partes.
Enquanto isso, Leonardo Lisboa mantém a posição de que as acusações apresentadas no dossiê não refletem o que, segundo ele, efetivamente ocorreu dentro do partido e reafirma sua disposição para prestar esclarecimentos públicos sobre cada um dos pontos levantados.
Por Redação
Fotos: Divulgação






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