Ex-pré-candidatos afirmam que legenda perdeu autonomia em aliança com PL e Podemos; documento relata corte de recursos, ausência de processo seletivo e remoção de integrantes de grupo de articulação.
Um documento elaborado por quatro ex-pré-candidatos do Partido NOVO em Sergipe e encaminhado à direção nacional da legenda relata uma série de críticas à condução do partido no estado durante a preparação para as eleições de 2026. O material, obtido com exclusividade pelo Hora News, pede providências internas e questiona a forma como a sigla vem conduzindo sua participação na aliança formada com o Partido Liberal (PL) e o Podemos.
O documento é assinado por Carlos Eduardo Silva (Cadu Silva), Delman Cabral, Leandro Monteiro e Eduardo Mascarenhas. No dossiê, os autores afirmam que o diretório estadual do NOVO teria deixado de atuar com autonomia política e administrativa e passado a funcionar, segundo eles, subordinado a interesses externos à legenda.
De acordo com o grupo, a estrutura construída para a disputa eleitoral de 2026 teria concentrado decisões estratégicas, recursos e visibilidade em candidaturas do PL, principalmente nos projetos eleitorais do deputado federal Rodrigo Valadares e de Moana Valadares.
“O que aqui se relata não é uma disputa paroquial por espaço. É a captura de um diretório estadual do NOVO por interesses de outra sigla, com corte de 100% dos recursos que seriam destinados aos pré-candidatos do partido, supressão do processo seletivo de candidaturas previsto nas normas internas do NOVO e concentração de toda a estrutura financeira e estratégica em candidaturas do PL – em especial a candidatura ao Senado do deputado federal Rodrigo Valadares e os projetos políticos de sua esposa, Moana Valadares”, diz o documento.
Recursos e autonomia das pré-candidaturas
Entre os principais questionamentos apresentados está a administração dos recursos destinados às pré-campanhas. Segundo os autores, os pré-candidatos do NOVO em Sergipe teriam sido informados de que não receberiam valores individualmente e que a condução financeira ficaria centralizada pela coordenação da aliança política, sob a liderança de Rodrigo Valadares.
Na avaliação do grupo, essa estrutura teria reduzido a autonomia dos integrantes da legenda e direcionado esforços para projetos eleitorais de outro partido.

“Todos os pré-candidatos do NOVO em Sergipe foram informados de que não receberiam recursos para suas pré-campanhas: a totalidade dos recursos partidários seria administrada centralizadamente pela coordenação da aliança – coordenação liderada por quem não é filiado ao NOVO. Em outras palavras: o dinheiro cuja destinação natural seria financiar as candidaturas do NOVO ficou sob gestão de um projeto político de outro partido. Os pré-candidatos foram ainda submetidos à situação vexatória de aguardar em fila para gravar vídeos e fazer fotos padronizadas de pré-campanha, sem qualquer autonomia sobre suas próprias estratégias, mensagens ou identidade de campanha”, denuncia o advogado Cadu Silva, um dos signatários do dossiê.
Os autores também afirmam que outro ponto de preocupação seria a ausência do processo seletivo interno para definição das candidaturas, mecanismo que, segundo eles, faz parte da identidade política do NOVO.
Remoções em grupo de articulação
O episódio que teria motivado a formalização do documento ocorreu na noite de 6 de agosto, quando integrantes do grupo de WhatsApp “Pré-candidatos NOVO Sergipe” foram removidos em sequência, segundo o relato apresentado.
Capturas de tela anexadas ao dossiê registram a exclusão de ao menos 15 participantes, incluindo o responsável pelos registros, que também teria sido retirado do grupo ao final da ação. De acordo com os autores, as remoções aconteceram sem comunicação prévia ou abertura de procedimento interno.
As imagens são apontadas pelo grupo como documentação dos acontecimentos e foram incluídas como anexos do dossiê encaminhado à direção nacional.
Críticas à aliança com PL e Podemos
O documento também apresenta uma análise do cenário político que envolveu a aproximação entre NOVO, PL e Podemos em Sergipe.
Os autores citam acontecimentos envolvendo a reorganização do PL no estado e afirmam que, embora o NOVO tenha integrado a aliança, a legenda teria perdido espaço nas decisões e na estratégia eleitoral.
Segundo o grupo, a estrutura política estaria concentrada em torno das candidaturas do PL, enquanto os nomes do NOVO teriam assumido posição secundária dentro do projeto.
“É nesse contexto que se insere a aliança de pré-campanha formada em Sergipe entre PL, NOVO e Podemos, sob a liderança de fato do deputado Rodrigo Valadares – que, registre-se, não é filiado ao NOVO. Na prática, o NOVO entrou nessa aliança como sócio sem voz: seus pré-candidatos foram tratados como massa de apoio, seus recursos e estratégias foram subordinados à coordenação alheia, e sua marca – construída sobre a bandeira da política limpa e meritocrática – passou a servir de moldura para projetos eleitorais de outra sigla. Não por acaso, nos anúncios públicos da chapa e nas coberturas da imprensa, o NOVO simplesmente não aparece: toda a visibilidade, toda a estrutura e toda a prioridade são do PL”, alegam os autores do documento.
Pedido de providências à direção nacional
No documento, os ex-pré-candidatos solicitam que os órgãos nacionais do NOVO analisem os fatos relatados e avaliem medidas sobre a condução partidária em Sergipe.
Entre as solicitações apresentadas estão a abertura de apuração interna, análise dos registros anexados, revisão da gestão dos recursos partidários, retomada do processo seletivo de candidaturas, reintegração dos filiados afastados dos espaços de articulação e uma reavaliação da permanência do partido na aliança estadual com PL e Podemos.
Os autores afirmam ainda que permanecem disponíveis para prestar esclarecimentos e apresentar documentos adicionais durante uma eventual investigação interna.
Outro lado
Até a publicação desta reportagem, o Hora News não havia recebido manifestação da direção nacional do NOVO, do diretório estadual da legenda ou dos demais citados no documento sobre as acusações apresentadas.
O espaço permanece aberto para esclarecimentos e manifestações das partes mencionadas.
Por Redação
Foto: Divulgação






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