O Partido Liberal (PL) deu início, neste sábado (25), à sua campanha presidencial para 2026 ao oficializar, em convenção realizada na cidade de São Paulo, a candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência da República. O partido, no entanto, ainda não definiu quem ocupará a vaga de vice na chapa nem confirmou alianças eleitorais para a disputa.
Durante o evento, lideranças da legenda discursaram em apoio ao senador, que utilizou sua primeira fala como candidato para direcionar críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF), especialmente ao ministro Alexandre de Moraes, além de defender mudanças na condução do Judiciário. Flávio também afirmou que pretende representar brasileiros que, segundo ele, foram prejudicados por decisões judiciais.
Ao longo do pronunciamento, o senador voltou a afirmar que espera receber a faixa presidencial do ex-presidente Jair Bolsonaro em janeiro do próximo ano. Em sua avaliação, uma eventual reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ampliaria a influência do governo sobre o Supremo, em razão da possibilidade de novas indicações para a Corte.
“Pai, eu vou te honrar. E você vai colocar essa faixa de presidente em mim em janeiro do ano que vem”, disse.
Flávio voltou a manifestar apoio ao pai, classificando Jair Bolsonaro como vítima de perseguição política. Segundo ele, o ex-presidente enfrentou diferentes tentativas de ser retirado da vida pública, citando o atentado sofrido durante a campanha de 2018, os processos judiciais e a atual prisão domiciliar.
“Bolsonaro é o maior e mais injustiçado líder político brasileiro, vítima da “maior farsa que esse país já testemunhou”, afirmou.
Mesmo impedido de participar presencialmente, Jair Bolsonaro esteve simbolicamente presente na convenção por meio de um vídeo produzido com recursos de inteligência artificial. Na gravação, foi reproduzida uma mensagem em que o ex-presidente afirma estar preso por uma decisão considerada arbitrária e declara que sua ausência não impediria a continuidade do movimento político iniciado por seus apoiadores.
“Estou preso e calado por uma decisão arbitrária. Nenhuma prisão vai calar o sentimento de esperança que despertamos”, declarou o vídeo.

Também por vídeo, o deputado federal Eduardo Bolsonaro, que permanece nos Estados Unidos, declarou apoio à candidatura do irmão e defendeu a união do campo conservador em torno do nome de Flávio. O parlamentar ainda voltou a defender a anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro e a libertação do ex-presidente Jair Bolsonaro.
“Vamos vencer essa eleição, soltar Bolsonaro e anistiar os presos de 8 de janeiro. Não há mais tempo para ego, projeto pessoal. É Flávio Bolsonaro eleito”, discursou.
O vereador Carlos Bolsonaro também gravou uma mensagem direcionada ao irmão, afirmando confiar na missão de preservar o legado político construído pelo pai.
“Sei da responsabilidade da missão que você recebeu, mas estou muito tranquilo porque confio na sua missão de levar à frente o legado de Jair Bolsonaro”, expressou.
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro participou da convenção apenas por vídeo. Sem abordar publicamente as recentes divergências envolvendo Flávio, ela afirmou estar dedicada aos cuidados de Jair Bolsonaro e desejou sucesso ao enteado na disputa presidencial.
“Flávio, que Deus abençoe e proteja sua candidatura”, disse Michelle, em sua única citação direta ao enteado.
Entre os familiares presentes no evento esteve Rogéria Bolsonaro, mãe de Flávio e ex-esposa do ex-presidente.

A convenção também contou com a participação do presidente da Argentina, Javier Milei, convidado de honra do encontro. Em seu discurso, o chefe de Estado argentino declarou apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro e afirmou acreditar que “o senador poderá conduzir o Brasil por um caminho baseado na liberdade econômica”. Milei também voltou a criticar “governos de orientação socialista”, relacionando esse modelo à crise econômica enfrentada pela Argentina antes de sua gestão.
Sem mencionar os impactos sociais de seu programa de ajuste fiscal, o presidente argentino atribuiu às administrações anteriores a responsabilidade pelo aumento da inflação, da pobreza, do déficit público e da perda de competitividade da economia argentina.
Base de apoio
No cenário político brasileiro, o PL ainda busca ampliar sua base de apoio. Até o momento, a federação formada por PP e União Brasil, assim como o Republicanos, sinalizou preferência por manter neutralidade em relação à disputa presidencial. O prazo legal para registro definitivo das chapas termina em 5 de agosto.
O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), também participou da convenção e afirmou que “apoiar Flávio Bolsonaro representa seguir a orientação política do ex-presidente Jair Bolsonaro”.
Já o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, destacou que “a candidatura do senador vai além do sobrenome da família Bolsonaro”. Segundo ele, “Flávio reúne atributos próprios para disputar a Presidência e tem condições de dar continuidade ao legado político construído pelo ex-presidente”.
Por Redação
Fotos: Reprodução/PL






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