A goleada da Bélgica por 4 a 1 sobre os Estados Unidos, nesta segunda-feira (6), nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026, foi tratada pelo elenco belga como uma resposta direta à polêmica que antecedeu a partida. A liberação do atacante Folarin Balogun pela Fifa, apesar da expulsão sofrida no jogo anterior, provocou irritação nos jogadores europeus e transformou o confronto em um acerto de contas dentro de campo.
As informações são da agência AFP. Após a vitória, jogadores da Bélgica afirmaram que o caso Balogun criou um clima de indignação no vestiário e ajudou a impulsionar a equipe contra a seleção anfitriã, eliminada em meio a uma crise esportiva e política nos bastidores do Mundial.
O meia Youri Tielemans, um dos destaques belgas na partida, admitiu que a decisão da Fifa teve impacto direto no ambiente da equipe. Segundo ele, o grupo se reuniu ao receber a notícia de que Balogun poderia enfrentar a Bélgica e decidiu que a resposta deveria ser dada no gramado.
“Não vou esconder: tivemos uma reunião quando recebemos a notícia (da liberação de Balogun), e dissemos que teríamos que responder em campo”, afirmou Tielemans.
O jogador também revelou o estado de espírito do elenco antes do jogo. “Tínhamos realmente muita raiva e muita vontade de começar bem a partida, algo que estava faltando a nós no início do torneio”, declarou.
A reação belga apareceu desde os primeiros minutos. Mais agressiva, organizada e eficiente, a equipe europeia controlou o jogo, explorou os espaços deixados pelos Estados Unidos e construiu uma vitória contundente. O placar de 4 a 1 refletiu a superioridade da Bélgica e encerrou a campanha americana na competição.
Balogun, centro da controvérsia, começou entre os titulares, mas teve atuação discreta. O atacante pouco conseguiu produzir diante da defesa belga e parou em Thibaut Courtois em uma das principais chances dos Estados Unidos. Sua presença em campo, porém, seguiu como o principal tema extracampo da partida.
O volante Nicolas Raskin também afirmou que a seleção belga entrou em campo incomodada com o episódio. Para ele, a decisão da Fifa gerou no grupo uma sensação de desequilíbrio esportivo antes mesmo de a bola rolar.
“Havia um sentimento de injustiça no grupo e tínhamos muita vontade de responder em campo”, declarou Raskin.
A polêmica começou na rodada anterior, quando Balogun foi expulso na partida entre Estados Unidos e Bósnia. O cartão vermelho foi aplicado pelo árbitro brasileiro Raphael Claus depois de revisão no VAR de um pisão do atacante americano em um adversário. Pela regra usual, a expulsão resultaria em suspensão automática no jogo seguinte.

A reversão da punição, no entanto, permitiu que Balogun enfrentasse a Bélgica. A decisão foi criticada pela federação belga, que contestou a presença do atacante americano e deixou claro seu incômodo com a condução do caso pela Fifa.
O episódio também ganhou dimensão política. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, atual chefe da Casa Branca, admitiu ter pedido ao presidente da Fifa, Gianni Infantino, uma “revisão” da expulsão de Balogun por discordar da decisão tomada por Raphael Claus.
“Eu vi o lance. Sou uma pessoa que adora esportes, fui um bom atleta e entendo muito de esporte. Aquilo não foi falta. Nem sequer foi uma infração. Eram dois jogadores correndo em alta velocidade que simplesmente se chocaram. E aquele árbitro… é um pouco suspeito. Não gosto de criar polêmica, mas foi muito suspeito. Ele tomou uma decisão em que ninguém conseguiu acreditar. Até as pessoas do outro lado diziam: “Tivemos sorte”. Foi algo muito interessante”, afirmou Trump.
Gianni Infantino confirmou ter conversado por telefone com Trump sobre o assunto, mas negou interferência nas decisões disciplinares da entidade. O dirigente afirmou que os órgãos judiciais da Fifa atuam de forma autônoma e decidem com base no Código Disciplinar, nos regulamentos aplicáveis e nos fatos apresentados.
“Os órgãos judiciais da Fifa atuam de forma autônoma, aplicam o Código Disciplinar da Fifa e decidem os casos com base nos regulamentos aplicáveis e nos fatos específicos apresentados. Sua independência é essencial para a credibilidade e a integridade do futebol, e isso deve ser sempre respeitado”, afirmou Infantino.
Apesar da irritação manifestada pelos jogadores, o técnico Rudi Garcia preferiu adotar um discurso mais institucional depois da classificação. O treinador da Bélgica afirmou que a vitória foi resultado do plano de jogo executado pela equipe e evitou atribuir o placar à presença ou ausência de um jogador específico dos Estados Unidos.
“Havia 11 jogadores dos EUA do outro lado, e tanto faz quem estava em campo”, afirmou Garcia.
O treinador também comentou o gesto de consolar Balogun ao fim da partida. Em entrevista ao jornal The New York Times, Garcia disse que o atacante americano o procurou depois do apito final e afirmou que fez questão de separar a responsabilidade do jogador da decisão tomada pela Fifa.
“Ele veio falar comigo, e eu gostei disso. Não é culpa dele, ele não merece ser culpado por nada. Eu disse isso a ele”, declarou Garcia.
O caso ainda foi marcado pela circulação de uma informação falsa envolvendo Raphael Claus. Após a expulsão de Balogun contra a Bósnia, passou a circular entre torcedores e parte da imprensa dos Estados Unidos a alegação de que o árbitro brasileiro teria sido investigado por manipulação de resultados no Brasil. A informação não procede.
A eliminação dos Estados Unidos aumentou a pressão sobre a seleção anfitriã, que deixou a Copa diante de sua torcida e sob forte repercussão nas redes sociais. Para a Bélgica, a vitória representou mais do que a classificação às quartas de final: foi também a resposta esportiva a uma decisão que o elenco considerou injusta antes do confronto decisivo.
Fonte: Brasil247
Fotos: ONUTV/CazéTV






Comente