Renan Santos propõe bomba atômica para o Brasil e diz que arma ampliaria soberania

O candidato à Presidência da República pelo Missão, Renan Santos, defendeu nesta quarta-feira (26) que o Brasil passe a considerar a produção de armas nucleares como instrumento de soberania nacional. A declaração foi dada durante entrevista à TV Globo, em sabatina conduzida por Renata Vasconcellos e César Tralli, do Jornal Nacional.

Ao ser questionado sobre a necessidade de estudos científicos e técnicos antes de uma decisão dessa dimensão, Renan rejeitou a ideia de que pesquisas seriam indispensáveis para definir uma estratégia de defesa nacional.

“Não precisa de estudo científico para determinar que uma nação tem que ter força política para se defender”, afirmou.

O candidato sustentou que o Brasil, caso queira ocupar uma posição entre as principais potências mundiais, precisa discutir não apenas sua influência diplomática e econômica, mas também sua capacidade de dissuasão militar. Segundo ele, a eventual produção de uma arma nuclear não seria algo imediato, mas poderia ser perseguida em um horizonte de médio e longo prazo.

A proposta, contudo, encontra obstáculos constitucionais e compromissos internacionais assumidos pelo país. A Constituição determina que atividades nucleares no território brasileiro sejam destinadas exclusivamente a fins pacíficos. Além disso, o Brasil aderiu ao Tratado de Não Proliferação Nuclear, que estabelece compromissos voltados à contenção da disseminação de armas atômicas.

Renan também descartou a possibilidade de que uma eventual política brasileira de desenvolvimento de armamentos nucleares provoque necessariamente uma ruptura com os Estados Unidos. Para ele, eventuais divergências deveriam ser tratadas por meio de negociação entre os dois países.

Ao abordar a política externa brasileira, o candidato criticou o que considera uma postura excessivamente passiva do país no cenário internacional. Em tom irônico, comparou o Brasil ao personagem Zé Carioca e afirmou que a imagem do país estaria associada mais a festas do que à capacidade de exercer poder.

Segurança pública

Na área de segurança, Renan voltou a defender uma política de enfrentamento direto às organizações criminosas. Ele afirmou que pretende recuperar, em até um ano de mandato, áreas atualmente controladas por facções.

O candidato classificou a situação brasileira como uma espécie de “guerra unilateral” e defendeu que o Estado adote medidas mais duras contra o crime organizado. A estratégia apresentada tem como uma de suas principais referências o governo de Nayib Bukele, presidente de El Salvador.

Questionado sobre denúncias de tortura, mortes e desaparecimentos relacionadas à política de segurança salvadorenha, Renan afirmou não reconhecer os casos mencionados e classificou as críticas como um “clichê da mídia internacional”.

A Anistia Internacional informou, em julho, que pelo menos 470 pessoas morreram sob custódia do Estado salvadorenho desde a adoção do regime de exceção iniciado em março de 2022.

Renan também voltou a comentar declarações anteriores nas quais falou em “banhos de sangue”. Segundo ele, a expressão está relacionada à violência enfrentada pela população brasileira e à necessidade de uma resposta estatal mais contundente.

Relação com Arthur do Val

Durante a entrevista, o candidato foi questionado sobre sua relação com Arthur do Val, ex-deputado estadual de São Paulo cassado após o vazamento, em 2022, de áudios gravados durante uma viagem à Ucrânia.

Nas gravações, Arthur do Val fez comentários de teor sexual sobre mulheres ucranianas e afirmou que elas seriam “fáceis” por serem pobres. Renan classificou o conteúdo como inadequado, mas minimizou a repercussão do episódio ao argumentar que as declarações ocorreram em uma conversa privada.

Confronto com o STF

Renan também reiterou que, caso seja eleito, não pretende cumprir decisões do Supremo Tribunal Federal que considere ilegais.

Como exemplo, citou uma decisão do ministro Alexandre de Moraes que, segundo ele, seria “grotesca”, relacionada à quebra de sigilo de fontes jornalísticas. O candidato resumiu sua posição com a afirmação de que “decisão ilegal não se cumpre”.

A postura mantém uma das principais marcas de sua campanha: o discurso de confronto com instituições que considera responsáveis por limitar a atuação política ou a liberdade de expressão.

Estratégia eleitoral

A entrevista ocorreu poucos dias depois de Renan Santos protagonizar um dos momentos mais controversos do primeiro debate entre candidatos à Presidência, realizado no domingo (23).

Na ocasião, ele atacou Lula e Flávio Bolsonaro, que não participaram do encontro, utilizando uma retórica agressiva e levando ao palco fraldas com os nomes dos dois adversários. Lula recorreu ao Tribunal Superior Eleitoral em razão dos ataques.

Sem direito à propaganda eleitoral gratuita, Renan aposta em debates, entrevistas e sabatinas para ampliar sua exposição e apresentar o Missão como alternativa aos nomes que lideram a disputa.

A entrevista desta quarta-feira fez parte de uma série promovida pela TV Globo com candidatos à Presidência. Romeu Zema abriu a rodada na segunda-feira (24), seguido por Ronaldo Caiado na terça (25). Lula está previsto para ser entrevistado na quinta-feira (27), enquanto Flávio Bolsonaro participa na sexta-feira (28) e Augusto Cury no sábado (29).


Por Redação
Foto: Reprodução/TV Globo

Comente

Arquivos

Categorias

/* ]]> */