O escândalo envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o banqueiro Daniel Vorcaro, preso pela Polícia Federal sob suspeita de corrupção e formação de quadrilha, repercutiu também em Aracaju e entrou no debate político local durante entrevista do vereador Lúcio Flávio, presidente do PL Aracaju, ao Jornal da Manhã da Jovem Pan.
O parlamentar comentou a divulgação de áudios pelo portal The Intercept Brasil, nos quais Flávio aparece cobrando R$ 135 milhões ao dono do Banco Master para viabilizar um filme em homenagem ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Ao comentar a denúncia, Lúcio Flávio afirmou que adotará cautela antes de fazer qualquer julgamento público sobre o caso e disse que pretende acompanhar o avanço das investigações antes de tomar uma posição definitiva.
“Eu aprendi com até um mentor político que a gente não deve ser assombrado nem afobado. Então, repito: nem um assombro quando a gente não identifica a palavra, que eu vou deixar muito clara, crime. Quando você identificar um crime, e é por isso que eu não sou assombrado para tomar uma posição. Me dá uma semana, eu vou avaliar a repercussão, onde é que houve dolo, crime ilícito, ou é apenas uma cortina de fumaça”, declarou.
O presidente do PL Aracaju disse ainda que considera mais grave a existência de pagamentos ilegais envolvendo agentes públicos do que a busca por patrocínios para produções audiovisuais.
“Sabe o que pra mim seria mais perigoso? Se a gente tivesse a descoberta de mesadas ou propinas pagas ao Flávio Bolsonaro. Por isso que eu falei que eu não sou afobado, eu não faço juízo precipitado como fizeram sobre mim, porque eu posso ser vítima disso. Então eu não faço esse tipo de juízo precipitado. O que eu condeno num político, num homem público, é o crime, é a corrupção”, afirmou.
Na entrevista, Lúcio Flávio também argumentou que a captação de recursos para filmes e projetos culturais é uma prática comum tanto na iniciativa privada quanto em empresas públicas.
“Eu faço isso há 20 anos pedindo patrocínio a empresas privadas, empresas públicas. Não é crime isso. Assista filmes brasileiros pra você ver se não vê Caixa Econômica, Banco do Brasil, Correios, Petrobras. É normal, as produções cinematográficas precisam disso”, disse.
Apesar disso, o vereador ressaltou que não defenderá ninguém caso sejam apresentadas provas concretas de ilegalidade.
“Agora se for um crime, se for confirmado, eu não tenho ladrão de estimação não. Quem fizer a sua conduta criminosa, eu quero que seja punido, quem quer que seja. Eu não abraço criminoso, eu não tenho nenhum apego pra ladrão de estimação. Agora eu só não faço o juízo precipitado, o que eu não quero pra mim, eu não quero pra ninguém”, declarou.
Durante a conversa, o parlamentar também comentou a situação pessoal da família Bolsonaro e afirmou que evita fazer julgamentos sem conhecer o contexto vivido pelos envolvidos.
“A gente tá falando de condições muito pessoais restritas. É um filme sobre o pai dele, que está preso, doente e idoso. Eu não sei o que se passa. Ele tem um irmão que tá morando fora do país, porque teve um concurso público cancelado, um mandato cancelado, um salário bloqueado. Cara, assim, eu não posso me colocar na vida de uma pessoa como essa”, afirmou.
Ele ainda citou o deputado federal Eduardo Bolsonaro ao comentar os impactos pessoais enfrentados pela família.
“O que passa na mente de um Eduardo Bolsonaro, que está perdendo tudo que tinha na vida? Tudo. Até a própria relação com o pai. O filho pedia autorização a um juiz pra saber se pode visitar o pai. Eu não posso me colocar na cabeça dessas pessoas, então assim, é um juízo que eu não faria”, observou.
Ao final da entrevista, Lúcio Flávio afirmou que continuará alinhado ao bolsonarismo, mas reforçou que eventuais crimes precisam ser investigados e punidos da mesma forma que a direita cobra de adversários políticos.
“Agora, a partir do momento que você ver que é um crime, está aqui provado, provas documentais, conte comigo, porque eu não tenho compromisso com criminoso, não tenho compromisso com o errado”, declarou.
“Não vou abandonar o bolsonarismo. Se comprovar que tem alguma conduta ilícita, conte comigo pra cobrar o devido julgamento, não tenha dúvida, seja com parente meu, seja com um estranho, com quem quer que seja. A pessoa que cobra dos outros, ela tem que cobrar de si mesma. Aquilo que a gente cobra do PT, aquilo que a gente cobra da esquerda, a gente tem que cobrar também. Dois pesos e duas medidas, não”, concluiu.
Por Redação
Foto: JP






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