O ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir, voltou a defender uma escalada das ações militares na Faixa de Gaza e afirmou que o país deveria realizar dezenas de assassinatos seletivos diariamente. A declaração foi feita em entrevista ao podcast Rom Braslavski e divulgada neste domingo (16).
Durante a conversa, Ben-Gvir afirmou que Israel deveria intensificar os ataques mesmo contra pessoas que, segundo ele, não representem uma ameaça imediata. O ministro declarou:
“Acho que deveríamos realizar de 30 a 40 assassinatos seletivos por noite”, declarou o ministro israelense.
Na sequência, Ben-Gvir fez declarações de caráter desumanizador contra palestinos e defendeu que os ataques não fossem limitados a indivíduos apontados como ameaças.
“Há pessoas ali que não merecem viver. Elas nem sequer são pessoas”, acrescentou.
O ministro também reiterou sua defesa da ocupação israelense de Gaza e da instalação de assentamentos judaicos em diferentes áreas do território palestino. Ao comentar a proposta, disse:
“Imagino assentamentos não apenas em Gush Katif, mas em toda Gaza, além do incentivo à emigração – quanto mais, melhor”, enfatizou.
Gush Katif era um bloco de assentamentos israelenses na Faixa de Gaza que foi desmantelado em 2005, durante a retirada unilateral promovida pelo então governo de Ariel Sharon.
Ben-Gvir também rejeitou a ideia de permitir a saída de palestinos classificados por ele como “terroristas” e defendeu que fossem mortos.
“E, para os terroristas, não deveria haver emigração. Deveríamos simplesmente matá-los um por um”, sentenciou.
Divergências com Netanyahu
Na entrevista, o ministro deixou claro que discorda da decisão do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu de reduzir a intensidade das operações militares em Gaza. A medida ocorre em meio aos esforços dos Estados Unidos para avançar com um plano de paz apresentado por Donald Trump.
As declarações de Ben-Gvir ocorrem em um momento de forte pressão diplomática sobre o governo israelense. Neste domingo (16), Egito, Jordânia, Emirados Árabes Unidos, Catar, Indonésia, Arábia Saudita, Turquia e Paquistão criticaram a rejeição do plano por parte do governo Netanyahu. Paralelamente, enviados de Trump participaram de reuniões com mediadores no Egito em busca de avanços nas negociações.
Ben-Gvir, integrante da ala ultradireitista da coalizão de Netanyahu, defende uma postura mais agressiva no conflito e a expansão dos assentamentos israelenses em Gaza, posição que contrasta com as atuais iniciativas diplomáticas para reduzir as hostilidades.
Por Redação
Foto: Reuters





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