Advogado e pastor é afastado da Igreja Metodista após ser preso por suspeita de crimes sexuais

A direção da Igreja Metodista determinou o afastamento imediato de um de seus integrantes após surgirem as primeiras acusações relacionadas à sua vida privada. De acordo com a denominação, o pastor evangélico pediu renúncia do cargo, solicitação que foi aceita pela liderança, resultando na suspensão de todas as suas funções, atribuições e representações junto à Igreja Metodista.

Além de atuar como pastor, o investigado é advogado. Ele foi preso na sexta-feira (21), depois de comparecer espontaneamente a uma delegacia para prestar esclarecimentos no âmbito de uma investigação que apura supostos crimes sexuais envolvendo crianças e adolescentes.

A denominação informou ter instaurado um procedimento disciplinar interno para apurar os fatos. A instituição ressaltou que a investigação deverá observar as garantias do devido processo legal, incluindo o direito ao contraditório e à ampla defesa.

Em posicionamento oficial, a Igreja Metodista afirmou que não tolera práticas criminosas, violência ou exploração contra qualquer pessoa, independentemente de idade, gênero ou religião. A denominação também declarou que colaborará com o Poder Judiciário e com as forças de segurança, respeitando o andamento das investigações conduzidas pelas autoridades.

“Reafirmamos, de forma inequívoca e peremptória, que a Igreja Metodista não compactua e jamais compactuará com qualquer prática delituosa ou ato de violência e exploração contra qualquer ser humano – independentemente do gênero, faixa etária ou credo”, diz nota da igreja.

A instituição destacou ainda seu compromisso com a proteção de pessoas em situação de vulnerabilidade e reforçou a necessidade de que igrejas e integrantes mantenham atenção permanente à segurança dos ambientes de convivência.

“Como comunidade cristã de tradição wesleyana, reafirmamos nosso compromisso inegociável de combater, sem descanso e sem complacência com autores de delitos, todo e qualquer tipo de violência contra a integridade humana. A defesa e a acolhida aos mais vulneráveis são princípios morais e éticos dos quais jamais nos afastaremos”, observa.

“Convocamos, ainda, nossas igrejas e membros a manterem-se em constante estado de vigilância e oração, zelando com rigor pela promoção de ambientes seguros e protegidos no convívio comunitário e social”, acrescenta.

Defesa afirma que investigado se apresentou espontaneamente

O escritório Ricardo Almeida Advogados, responsável pela defesa do investigado I.S.C., também divulgou um posicionamento. De acordo com os advogados, o cliente se apresentou voluntariamente nesta semana para cumprir a prisão preventiva, embora a defesa sustente que a medida não seria necessária.

Ainda segundo o escritório, desde a apresentação às autoridades, I.S.C. tem colaborado com os esclarecimentos relacionados à investigação. A defesa informou que ele assumiu voluntariamente o compromisso de não entrar em contato com testemunhas ou declarantes vinculados ao caso.

O investigado também teria entregado o celular e o passaporte às autoridades. Os advogados afirmaram que ele continuará à disposição da Justiça e colaborará com o andamento da apuração.

A defesa pediu cautela na divulgação de informações sobre o caso e ressaltou que determinadas alegações, incluindo referências a violência, ameaças ou outras formas de constrangimento, não fariam parte das imputações que são objeto da investigação, segundo seu posicionamento.

Em razão do segredo de Justiça, o escritório informou que pretende apresentar seus argumentos sobre o mérito da investigação exclusivamente nos autos do processo, preservando as informações protegidas por sigilo e a identidade das pessoas envolvidas.

Como denunciar suspeitas de abuso contra crianças e adolescentes

Suspeitas de abuso sexual envolvendo crianças ou adolescentes podem ser comunicadas ao Conselho Tutelar do município onde a possível vítima mora. O órgão pode adotar ou requisitar medidas destinadas à proteção de crianças e adolescentes.

Em situações emergenciais, a Polícia Militar pode ser acionada pelo telefone 190. Denúncias relacionadas a violações de direitos humanos também podem ser encaminhadas ao Disque 100.


Por Redação
Foto: SSP-SE

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