Apurado pelo Hora News, bastidores revelam retaliação interna contra candidatos do partido que não estariam vinculando suas campanhas a Rodrigo e Moana Valadares; denúncia ao TRE-SE foi formalizada por secretário parlamentar pago pela Câmara.
Em uma movimentação que expõe um clima de tensão e divisão dentro do Partido Liberal (PL) em Sergipe, um membro do gabinete do deputado federal Rodrigo Valadares – atual presidente estadual da sigla e candidato ao Senado Federal – acionou a Justiça Eleitoral contra candidato do próprio partido. A atitude, considerada atípica e “estranha” nos bastidores políticos, coloca correligionários em rota de colisão em pleno período eleitoral.
Documentos oficiais da Câmara dos Deputados e do Tribunal Regional Eleitoral de Sergipe (TRE-SE), obtidos pelo Hora News, confirmam que a Notícia de Irregularidade em Propaganda Eleitoral (NIP nº 0601017-12.2026.6.25.0000) teve origem em uma articulação envolvendo um assessor lotado no gabinete do parlamentar.
O responsável pela ofensiva judicial é o funcionário Jefferson Henrique Viana Machado, lotado como secretário parlamentar (nível SP17) no gabinete de Rodrigo Valadares na Câmara dos Deputados. Jefferson percebe remuneração bruta de R$ 12.405,48, acrescida de R$ 1.860,44 em auxílios mensais pagos pelo parlamento federal.
A representação apresentada ao TRE-SE mirou candidaturas do próprio PL, a exemplo de Marcelo Paes, sob a alegação de irregularidades formais em publicações do Instagram – especificamente a ausência do número do CNPJ nos cards de campanha veiculados na rede social.
A medida causou perplexidade entre lideranças e filiados do PL sergipano, já que a praxe partidária prevê a orientação interna e o alinhamento jurídico preventivo antes de qualquer exposição ou judicialização que venha a prejudicar candidaturas da própria chapa.
Segundo apuração exclusiva do Hora News junto a fontes do próprio PL em Sergipe, a ação judicial na verdade esconde uma forte retaliação política.
A fonte revelou que a ordem para represálias jurídicas ocorreu porque os candidatos atingidos não estariam pedindo votos ostensivamente para a dobradinha formada por Rodrigo Valadares, candidato a senador, e sua esposa Moana Valadares, candidata a deputada federal.
O desalinhamento no palanque majoritário e proporcional gerou incômodo na cúpula estadual, culminando no uso da estrutura do gabinete para minar a atuação digital dos correligionários “rebeldes”.
Candidatura
Procurado pela reportagem do Hora News para comentar a denúncia eleitoral e as circunstâncias que envolveram a representação apresentada contra sua candidatura, o candidato a deputado estadual Marcelo Paes, delegado da Polícia Civil, afirmou que foi informado do processo por sua assessoria jurídica.
Ele confirma que a denúncia teria sido apresentada pelo secretário do gabinete do deputado federal Rodrigo Valadares, através do aplicativo Pardal, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e estaria relacionada a publicações feitas em suas redes sociais.
“Fui alertado pela assessoria jurídica de minha campanha, que foi instalado contra mim um processo eleitoral por suposta irregularidade em material veiculado em minha rede social, em que haveria postagens sem a menção do CNPJ da candidatura. A assessoria não identificou nenhuma irregularidade, mas pediu para que eu ficasse atento às novas publicações. A denúncia foi feita pelo aplicativo PARDAL, do TSE, através do link das publicações, que identificou o autor do compartilhamento, que é um assessor parlamentar do deputado Rodrigo Valadares, lotado em seu gabinete em Brasília”, denuncia, acrescentando que a ação visa prejudicar sua campanha e, consequentemente, comprometer as demais candidaturas do partido.
“Tal denúncia visava prejudicar a minha pessoa e minha campanha, mas também prejudicaria os demais candidatos a deputado estadual do PL, pois, acaso minha candidatura fosse cassada, os votos a mim atribuídos seriam declarados nulos, prejudicando à todos. A juíza eleitoral, ao analisar a denúncia, não identificou, de plano, qualquer irregularidade que ensejasse sua intervenção imediata e remeteu os autos para análise do Ministério Público. Estou aguardando a notificação judicial para me pronunciar nos autos”, explica Marcelo Paes.
O candidato também levantou suspeitas sobre a possível motivação política da representação e citou o envolvimento de um assessor parlamentar ligado ao deputado Rodrigo Valadares.
“A motivação, creio eu, ser apoiador da candidatura de Coronel Rocha para o Senado, Ricardo Marques, para governador e, principalmente, delegado Augusto César, candidato do PL para deputado federal e não Moana Valadares como foi orientado”, lamenta o episódio e cobra providências por parte da Executiva Nacional.
“Também espero que Rodrigo Valadares se pronuncie sobre o fato, assim como a Nacional do PL adote alguma atitude contra o assessor”, conclui.
Defesa
O deputado Rodrigo Valadares foi procurado pela reportagem para apresentar seu posicionamento sobre o assunto. Inicialmente, respondeu: “Boa tarde! Deixa eu ver o que é isso. Te falo já”. No entanto, após essa primeira manifestação, o parlamentar não respondeu às novas mensagens enviadas pela reportagem, que buscava obter um posicionamento oficial sobre o caso.
Desfecho no TRE
Ao apreciar a representação em 8 de setembro, o juiz eleitoral auxiliar da propaganda, Leonardo Souza Santana Almeida, destacou que a fiscalização imediata de conteúdo na internet através do poder de polícia não se aplica da mesma forma que em materiais físicos.
Diante disso, o magistrado determinou o encaminhamento do expediente ao Ministério Público Eleitoral (MPE) para avaliação de eventuais providências cabíveis e o posterior arquivamento do feito no âmbito do tribunal.
O episódio expõe o racha interno no PL sergipano e amplia os questionamentos sobre o uso de assessores comissionados para intervir em disputas e conflitos internos da legenda.


Por Redação
Foto: Divulgação












