A chegada de Valmir de Francisquinho ao Aeroporto Santa Maria, na noite desta quarta-feira (02), onde foi recepcionado por uma multidão e literalmente conduzido nos braços do povo, em meio a aplausos, palavras de incentivo e uma atmosfera de contagiante emoção, certamente ecoará por décadas, convertendo-se, desde já, no divisor de águas da atual sucessão estadual.
Até a semana passada, o fantasma da inelegibilidade rondava a candidatura de uma das maiores lideranças populares dos últimos tempos. A mesma injusta e artificiosa inelegibilidade que, quatro anos atrás, roubou-lhe uma vitória histórica e incontestável, frustrando a esperança de quase meio milhão de sergipanos que foram às urnas imbuídos de um genuíno sentimento de mudança.
Não bastasse tão despropositado e surreal imbróglio jurídico – que ora some (eleição municipal), ora reaparece como que por magia (eleição estadual) -, sobreveio, em 24 de agosto, a impactante notícia de que Valmir sofrera um AVC e apresentara alterações cardíacas, tendo que viajar às pressas a São Paulo para a realização de procededimentos de urgência.
Porém, apenas quatro dias após a realização do bem-sucedido procedimento médico, o ainda convalescente Valmir recebeu a informação que ele e seus milhares de eleitores tanto aguardavam. Em sessão realizada no dia 1° de setembro, a Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça decidiu, por unanimidade, que o ex-prefeito de Itabaiana não cometera os ilícitos dos quais fora injustamente acusado (caso do matadouro de Itabaiana), tornando-o, assim, apto a concorrer ao cargo de governador na eleição que se avizinha.
Não resta dúvida, portanto, de que o Tribunal Regional Eleitoral, após a decisão do STJ, deferirá, em sessão convocada para esta sexta-feira (4), o pedido de registro de candidatura a governador do marchante que cativou o povo sergipano com o seu jeito simples, leveza, gestões eficientes e revolucionárias, além da característica voz rouca e oscilante que lhe rendeu o apelido de Pato – hoje, uma marca registrada de suas vitoriosas campanhas.
Ao fim, o emarenhamento e sincronicidade de tantos e tão distintos eventos em um momento crucial da campanha, muito mais do que resultar em um cenário positivo ao candidato do Republicanos, guindam a sua candidatura a um novo patamar. Decerto, uma vez espancado qualquer vestígio de dúvida quanto à sua elegibilidade, restauram-se de imediato a segurança e confiança de grande parte do eleitorado, que, por temer uma nova intervenção do sistema para neutralizá-lo, deixou-se contaminar pela descrença, medo e incerteza, algo que fatalmente se refletiria nas urnas.
Mas nada é obra do acaso. Valmir, tanto pela sua história de vida quanto pela coragem, inúmeras vezes demonstrada, de enfrentar adversários poderosos e que nem sempre jogam limpo, pouco a pouco passou a representar, aos olhos de um povo cansado de injustiças e promessas vãs, a figura arquetípica do herói (Carl Jung) – espécie de modelo universal presente no inconsciente coletivo, cuja jornada é marcada pela superação, crescimento e busca por desafios aparentemente irrealizáveis.
Em menos de uma semana, o herói das camadas populares obteve duas importantes vitórias: uma no campo da saúde, outra em âmbito jurídico. Porém, a maior batalha – a se dar na arena política – ocorrerá daqui a um mês. Para vencê-la, Valmir precisará muito mais do que bons médicos e advogados. Ninguém mais do que ele sabe que, para derrotar esse aparato gigantesco e mudar o rumo de Sergipe, é necessário conquistar não o apoio de lideranças débeis e venais, mas a confiança do mais importante ator do processo eleitoral: o herói coletivo chamado povo.
Paulo Márcio é delegado de Polícia Civil, ex-presidente da Associação dos Delegados de Polícia Civil (Adepol) e atualmente exerce o cargo de secretário-chefe da Controladoria-Geral do Município de Aracaju.
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