João Fontes critica Moraes por veto à visita dos filhos de Bolsonaro e compara decisão a episódios históricos

O ex-deputado federal João Fontes criticou a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que negou o pedido para que os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro pudessem visitá-lo neste domingo (9), Dia dos Pais. A defesa havia solicitado uma autorização excepcional para o encontro familiar, mas o pedido foi rejeitado pelo ministro.

Em manifestação sobre o episódio, Fontes classificou a decisão como um dos acontecimentos mais lamentáveis do dia e afirmou que a restrição o fez recordar a trajetória de Olga Benário, militante comunista alemã que foi presa pelo governo de Getúlio Vargas e posteriormente entregue à Alemanha nazista.

A comparação feita pelo ex-parlamentar remete à separação de Olga de sua filha, Anita Leocádia Prestes. Segundo registros históricos e a biografia escrita por Fernando Morais, Olga permaneceu presa e amamentou a filha durante o período em que esteve sob custódia. Posteriormente, mãe e filha foram separadas.

Fontes mencionou uma passagem que, segundo ele, traduz a dimensão humana daquele episódio. Em sua avaliação, a preocupação de Olga com a filha e com o fim do período de amamentação tornou-se um dos símbolos mais dolorosos de uma história marcada pela ruptura do convívio familiar.

O ex-deputado também citou o filme Olga, dirigido por Jayme Monjardim e inspirado na obra de Fernando Morais, destacando a produção como uma das grandes obras do cinema brasileiro em sua avaliação. O longa, lançado em 2004, levou para as telas a trajetória de Olga Benário e sua relação com Luís Carlos Prestes.

A cena que reforçou sua indignação

Na manhã deste domingo, Fontes afirmou ter passado por um complexo penitenciário em São Paulo e observado familiares aguardando a saída de detentos para o encontro do Dia dos Pais.

A cena, segundo ele, reforçou a percepção de que o convívio entre pais e filhos possui uma dimensão que ultrapassa disputas políticas e ideológicas.

“Hoje pela manhã, passando por um complexo penitenciário na cidade de São Paulo, vi a quantidade de mães e filhos que esperavam a saída dos presos para comemorarem juntos o Dia dos Pais”, relatou.

A partir dessa experiência, o ex-deputado direcionou novas críticas às instituições que, em sua avaliação, deveriam se manifestar diante de decisões judiciais que considera excessivas.

Fontes afirmou ainda considerar preocupante o que classificou como silêncio de entidades diante de decisões do Judiciário. Em seu discurso, chamou de “ditadura da toga” o conjunto de medidas que, segundo sua interpretação, estaria restringindo direitos individuais.

“O Brasil vive tempos difíceis, e o impressionante é o silêncio das entidades diante das barbáries que presenciamos com as decisões da ditadura da toga”, acrescentou.

Referência a Seixas Dória e Miguel Arraes

Outra lembrança evocada pelo ex-deputado foi uma visita que afirma ter feito à antiga cela em Fernando de Noronha onde estiveram presos os políticos Seixas Dória e Miguel Arraes.

A experiência, segundo Fontes, também contribuiu para sua reflexão sobre perseguição política, prisão e justiça. Ele relacionou a memória daquele período à obra Eu, Réu Sem Crime, utilizada em sua fala como referência para sustentar sua avaliação sobre a situação jurídica de Bolsonaro.

Ao final de sua manifestação, Fontes afirmou considerar Jair Bolsonaro um “réu sem crime”, ressaltando que, em sua avaliação, sua posição não estaria baseada apenas em identificação política, mas no que considera ser uma análise jurídica do caso.

“Bolsonaro é, sim, um réu sem crime!”, declarou.

O ex-deputado encerrou a manifestação reafirmando sua oposição ao que considera abusos institucionais e utilizando como palavra de ordem a defesa das liberdades democráticas: “Ditadura nunca mais!”.


Por Redação
Foto: Hora News

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