O ex-deputado federal João Fontes fez duras críticas ao cenário político nacional e estadual durante entrevista concedida nesta segunda-feira (25) ao programa Jornal da Manhã, da Jovem Pan Aracaju.
Ao comentar o escândalo envolvendo o Banco Master e o senador Flávio Bolsonaro, João Fontes afirmou que ainda haverá novos desdobramentos do caso e elogiou a postura adotada por governadores da direita, como Ronaldo Caiado e Romeu Zema.
“Caiado tem sido até muito prudente, nas colocações dele depois desses escândalos todos aí, que pega muita gente, ainda vai pegar muito mais, ainda vem aí a banheira do Vorcaro, ainda a gente vai ter um desdobramento muito grande desse escândalo. E aí eu tenho dito que malandragem, corrupção, não tem pátria”, declarou.
Segundo Fontes, o momento exige mais equilíbrio e menos idolatria política. Durante a entrevista, ele afirmou que não acredita em “santidade” na política e defendeu que a população mantenha senso crítico diante das denúncias envolvendo lideranças nacionais.
“Na realidade, a gente tem uma visão de que na política a gente não tem santo, não existe santidade em lugar nenhum, nem na política, nem na vida. Eu já disse aqui, uma vez que beleza, riqueza e santidade, depois de apurado, fica metade da metade. E a gente não vai procurar santo em Brasília, no Congresso Nacional, mas a gente tem que ter o mínimo de pudor pra poder não se indignar com isso tudo que está acontecendo no país”, afirmou.
João Fontes também comentou diretamente a postura de Flávio Bolsonaro diante das denúncias envolvendo o empresário Vorcaro e o Banco Master. O ex-deputado disse ter ficado “indignado” com a condução do caso pelo senador.
“Eu, como Caiado e outros, ficamos indignados, espantados, até pela imaturidade do Flávio Bolsonaro, de procurar primeiro Vorcaro, porque na política vale a versão. E quando você coloca publicamente, expõe publicamente um pensamento, aquilo que se não perdoa na política é a mentira”, disse.
Na sequência, Fontes relembrou que Flávio Bolsonaro havia defendido investigações sobre o Banco Master, mas posteriormente acabou envolvido em contradições.
“O Flávio tinha dito que não ia aparecer nada do Banco Master, que tinha que ter a CPI do Banco Master. Na realidade ele não assinou, a bem da verdade, ele não assinou. E depois aparece tudo isso? E depois, principalmente, quando o Vorcaro foi solto, lá com tornozeleira, ele é solto não, estava em prisão domiciliar, ele foi procurar o Vorcaro em casa. Então, isso cria uma contradição muito grande e deixa aquele sentimento de frustração”, afirmou.
Críticas ao “bolsão familiar” de Bolsonaro
Durante a entrevista, João Fontes fez críticas contundentes à influência dos filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro nas decisões políticas da direita brasileira. Segundo ele, Bolsonaro cometeu um erro ao transformar a família em núcleo central das articulações eleitorais.
“Eu acho que a política a gente tem que raciocinar com a razão, com equilíbrio, e deixar essa briga de torcida. Eu digo sempre que era um grande equívoco de Bolsonaro criar esse bolsão familiar dentro da política”, afirmou.
Fontes citou exemplos envolvendo candidaturas ligadas à família Bolsonaro em diferentes estados e criticou a ocupação de espaços políticos por familiares do ex-presidente.
“Flávio coloca a mãe como primeira suplente no Rio de Janeiro. Ele sai do Rio de Janeiro, o Flávio, deixa de ser senador para concorrer à presidência, mas vai colocar a mãe como primeira suplente de Crivella. Aí vem Michelle, que eu até tenho uma simpatia grande por ela, torço até para que ela ganhe a eleição no Distrito Federal, e mais: é a esposa de Bolsonaro que vai ser candidata à senadora”, comentou.
O ex-deputado também criticou o impacto dessas decisões em alianças nacionais, citando o senador Esperidião Amin.
“Briga com um dos melhores senadores do país, que é o Esperidião Amin, que é aliado de uma causa contra a economia do governo Lula, é um senador que tem uma postura e uma respeitabilidade muito grande, e prejudica a eleição dele tirando um filho de Bolsonaro, que já é vereador no Rio de Janeiro, para colocar em Santa Catarina, para acabar a candidatura de Esperidião Amin”, disse.
Ele ainda mencionou a candidatura de Jair Renan Bolsonaro e afirmou que o excesso de participação familiar acaba gerando conflitos internos.
“Um outro filho, o que ele chama número 4, o Jair Renan, para candidato a deputado federal em Santa Catarina, quando ele é vereador em Balneário Camboriú. Quando você coloca um entorno todo familiar, começa a criar problema”, declarou.
Tarcísio, Eduardo Bolsonaro e o racha na direita
João Fontes também revelou que defendia o nome do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, como principal candidato da direita para a sucessão presidencial.
“Eu sempre tive muita cautela, apesar de ter uma relação muito boa. O nome que eu queria desde o início era Tarcísio. O cara é preparado, é um quadro competente e preparado. Tarcísio era o candidato que tinha mais chance de poder mudar esse jogo”, afirmou.
Segundo Fontes, porém, Tarcísio acabou barrado pela influência dos filhos de Bolsonaro dentro do grupo político.
“Mas para participar tem que ser abençoado pelos filhos de Bolsonaro, que é um grande equívoco. Quando você traz a família toda, você não consegue desassociar, os dados mostram isso”, avaliou.
Ele afirmou ainda que o governador paulista desistiu da disputa presidencial ao perceber resistência principalmente de Eduardo Bolsonaro e Flávio Bolsonaro.
“Tarcísio ia ser o candidato. Quando ele percebeu que existia um racha dentro, principalmente o Eduardo, que não queria ele, o Flávio também não queria, quando ele percebeu que não seria candidato, ele foi ser candidato à reeleição em São Paulo”, disse.
Fontes também relacionou o cenário político paulista às disputas internas do bolsonarismo.
“Hoje tem um fenômeno em São Paulo ruim para a sociedade, porque hoje na eleição de Senado em São Paulo quem lidera as pesquisas é Marina, atrás Simone Tebet, que transferiu domicílio eleitoral para São Paulo, está em segundo lugar, porque os filhos de Bolsonaro brigaram com Ricardo Salles”, afirmou.
Apesar das críticas aos filhos do ex-presidente, João Fontes fez questão de separar Jair Bolsonaro dos demais integrantes da família.
“Bolsonaro é puro, esse é do bem. Esse é um cara que não é ladrão, não é patrimonialista. É um cara que eu conheço esse aí. Esse eu boto a minha mão no fogo. Agora pelos filhos não boto por nenhum, porque posso sair com a mão torrada”, declarou.
Cenário em Sergipe
Ao analisar a política sergipana, João Fontes afirmou que a concessão da Companhia de Saneamento de Sergipe (DESO) pode trazer desgaste político ao governador Fábio Mitidieri, mesmo reconhecendo que a atual gestão faz um “bom governo”.
“Acho que essa venda da Deso vai prejudicar o governador, mesmo ele fazendo um governo bom. Se eu fosse governador não teria feito, acho que a água é um bem essencial. Eu procuraria arrumar a Deso, agora precisa ter coragem”, afirmou.
Ele relembrou ainda conversas com o ex-governador Belivaldo Chagas sobre possíveis alternativas para reestruturar a empresa.
“O Belivaldo até me disse, na época, que ia fazer, ia pegar um empréstimo para poder pagar as indenizações que arrumaram, mas isso aí precisa coragem para poder pegar e rearrumar a empresa”, comentou.
Sobre a disputa pelo Governo de Sergipe, João Fontes afirmou que o cenário atual é diferente da eleição passada e declarou torcida para que Valmir de Francisquinho dispute o pleito.
“Hoje, agora essa eleição é sem sombra de dúvida diferente da eleição passada. O ideal é que Valmir seja candidato para disputar a eleição e ganhar no voto, é o ideal e eu torço por isso”, afirmou.
“Rodrigo Valadares fez uma lambança”
João Fontes também fez duras críticas ao deputado federal Rodrigo Valadares (PL), acusando o parlamentar de provocar divisão dentro da direita sergipana.
“No grupo de Valmir, acho que no grupo político, o Rodrigo Valadares fez uma lambança dividindo o grupo, uma lambança”, declarou.
Segundo ele, Rodrigo se aproximou dos filhos de Bolsonaro visando fortalecimento político e controle partidário.
“O Rodrigo pegou o partido com os filhos de Bolsonaro, achando que ia ser a melhor coisa aqui, a briga toda por fundo partidário”, afirmou.
João Fontes também relembrou o início da trajetória política de Rodrigo Valadares e sua relação com outras lideranças conservadoras de Sergipe.
“Eu conheci Rodrigo em 2016, Eduardo, Edvan, André Moura, Capitão Samuel, pastor Antônio, eles me chamaram pra uma reunião lá no PSC, me convidaram para ser o vice da chapa de Eduardo em 2016, e lá eu conheci Rodrigo”, contou.
Na avaliação do ex-deputado, o rompimento político promovido por Rodrigo acabou isolando aliados importantes.
“Rodrigo foi para ser presidente do PTB, levado por Edvan Amorim. Depois aí é uma coisa impressionante. E Rodrigo, eu acho que aí quebrou a cara, porque dividiu o partido aqui, perdeu apoio de Emília, perdeu e dividiu, criou uma desconfiança grande”, concluiu.
Por Redação
Foto: Hora News






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