Rogério Carvalho e Alessandro Vieira foram alvos de espionagem ilegal no governo Bolsonaro, diz Jornal da Band

Dois parlamentares federais de Sergipe foram espionados pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin), durante o governo Bolsonaro. A revelação foi feita pelo Jornal da Band, com base em informações da Polícia Federal (PF).

Segundo as informações divulgadas, a Abin espionou ilegalmente deputados federais, senadores, governadores e ministros do STF e do próprio governo Bolsonaro, incluindo até aliados políticos.

Entre os espionados estão Abraham Weintraub (ex-ministro da Educação), Anderson Torres (ex-ministro da Justiça), Flávia Arruda (ex-secretária de Governo) e o antecessor dela na pasta, o general Carlos Alberto dos Santos Cruz. O militar rompeu com o ex-presidente após seis meses de governo, em 2019.

A ilegalidade praticada pela chamada “Abin Paralelo” também chegou ao STF. Os ministros Luís Roberto Barroso, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes foram monitorados pela Abin de forma clandestina.

Ainda, de acordo com a Polícia Federal, também foram monitorados ilegalmente o deputado governista Kim Kataguiri (União Brasil/SP) e o ex-deputado Alexandre Frota (à época no PSL, mesmo partido de Jair Bolsonaro), além do ex-presidente da Câmara Federal, Rodrigo Maia.

CPI da Covid

Os senadores que fizeram parte da CPI da Covid no Senado Federal também passaram pelo radar da Abin. Entre os parlamentares, dois são sergipanos: Rogério Carvalho (PT-SE) e Alessandro Vieira (MDB-SE). Além deles, foram monitorados os senadores Otto Alencar (PSD-BA), Omar Azis (PSD-AM), Humberto Costa (PT-PE), Renan Calheiros (MDB-AL), Simone Tebet (MDB-MS), Soraya Thronicke (Podemos-MS) e Randolfe Rodrigues (sem partido-AC).

As investigações apontaram ainda que o ex-governador de São Paulo, João Doria Jr, também foi alvo da Abin, assim como o ex-governador do Ceará e atual ministro da Educação, Camilo Santana.

“A violação dos direitos fundamentais à vida privada, à honra e ao sigilo pessoal remetem às páginas mais autoritárias e obscuras da história do Brasil e da humanidade. Quaisquer indícios de violações a tais direitos devem ser rigorosamente apuradas e punidas. Por ora, aguardamos manifestação oficial quanto às autoridades que foram bisbilhotadas pela arapongagem instaurada no governo anterior. Mas fica cada vez mais evidente que a eleição de Lula salvou o Brasil do abismo de um autoritarismo de proporções catastróficas”, disse o senador Randolfe Rodrigues, líder do governo Lula no Senado.

O senador Rogério Carvalho, que havia denunciado a espionagem à época da CPI da Covid, cobrou punição para os responsáveis pela ilegalidade.

“Durante CPI da Covid denunciei no plenário do Senado que estava sendo vítima de espionagem. Hoje a imprensa divulga lista dos parlamentares espionados e lá está o meu nome, conforme eu havia denunciado. Agora que ocorram as punições para que fatos dessa natureza jamais se repitam”, desabafou o senador sergipano.

O presidente do Senado e do Congresso Nacional, Rodrigo Pacheco, ressalta que, caso confirmada a espionagem ilegal, trata-se de uma grave violação de direitos fundamentais garantidos pela Constituição, assim como da inviolabilidade do exercício do mandato parlamentar.

“Caso comprovado o monitoramento ilegal de deputados federais e senadores da República, as ações constituem também afronta às prerrogativas parlamentares, especialmente quanto à garantia de livre exercício do mandato e do sigilo de suas fontes”, observa.

A lista completa de espionagem ilegal pela “Abin Paralela” também inclui jornalistas.

Software espião

A Polícia Federal investiga o uso do software espião First Mile, comprado pela Abin em 2018 e que teria sido utilizado por integrantes da agência para fazer espionagem ilegal à época do governo Bolsonaro.





Por Redação
Foto: Agência Senado

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