Fiocruz aponta alta da gripe em Sergipe e acende alerta para casos graves

Um estudo recente da Fundação Oswaldo Cruz colocou Sergipe em estado de atenção diante do avanço das doenças respiratórias, sobretudo entre crianças com menos de dois anos. Conforme o Boletim InfoGripe divulgado nesta semana, o crescimento das internações por Síndrome Respiratória Aguda Grave está associado principalmente à disseminação do vírus sincicial respiratório, agente que lidera os quadros mais graves nessa faixa etária. Em paralelo, os registros mais severos de Covid-19 apresentam retração no país.

O levantamento considera a Semana Epidemiológica 14, correspondente ao período de 5 a 11 de abril, e integra as ações do Sistema Único de Saúde voltadas ao acompanhamento contínuo dessas enfermidades. A ferramenta serve de base para que gestores e equipes de saúde identifiquem riscos e adotem medidas de resposta com maior agilidade.

De acordo com a pesquisadora Tatiana Portella, o VSR permanece como um dos principais fatores de internação infantil, frequentemente ligado a casos de bronquiolite. Diante desse cenário, a recomendação é que gestantes a partir da 28ª semana busquem a vacinação, com o objetivo de proteger os recém-nascidos nos primeiros meses de vida. A especialista também destaca a importância da imunização anual contra a gripe, especialmente com o avanço da influenza A em diferentes regiões.

No contexto nacional, os indicadores de SRAG apresentam relativa estabilidade, mas ainda inspiram cautela. Isso porque 14 das 27 unidades da federação seguem em níveis considerados de alerta ou alto risco, com tendência de crescimento nas últimas semanas — cenário que inclui Sergipe e outros estados nordestinos.

A circulação do VSR tem se intensificado principalmente nas regiões Centro-Oeste e Sudeste, além de atingir grande parte do Norte e Nordeste. Já a influenza A mantém trajetória de alta no Centro-Sul e também em estados como Paraíba, Alagoas e Sergipe. Em contrapartida, os casos relacionados ao rinovírus mostram desaceleração na maior parte do país, com exceções pontuais, como Pará e Mato Grosso.

Entre as capitais, Aracaju está entre as que apresentam incidência de SRAG em patamares elevados, acompanhando o comportamento observado em João Pessoa, Recife e Maceió.

Os dados reforçam que os efeitos mais severos das infecções respiratórias atingem principalmente os extremos de idade. Crianças pequenas concentram maior número de casos graves ligados ao VSR e ao rinovírus, enquanto os óbitos são mais frequentes entre idosos, com destaque para infecções por influenza A e Covid-19.

Em 2026, o país já soma 37.244 registros de síndromes respiratórias. Desse total, 42,5% tiveram confirmação laboratorial para algum vírus, enquanto 39,5% foram descartados e 10,7% ainda aguardam resultado.

Entre os casos positivos, o rinovírus aparece com maior incidência (41,1%), seguido pela influenza A (25,5%) e pelo VSR (17,4%). A Covid-19 representa 10,2% das confirmações, enquanto a influenza B tem participação menor. Nas semanas mais recentes, rinovírus e influenza A seguem predominando.

No recorte de óbitos, a influenza A lidera os registros, seguida por rinovírus e Covid-19, mantendo o cenário de atenção para a evolução das doenças respiratórias no país.


Por Redação
Foto: Lacen/Divulgação

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