Crise política em Aracaju: pressão sobre prefeita gera acusações de chantagem e machismo

A cena política em Aracaju vive momentos de intensa turbulência. Declarações feitas recentemente escancararam um embate envolvendo lideranças estaduais, como o governador Fábio Mitidieri e o ex-deputado federal André Moura, que também preside o partido União Brasil em Sergipe, e a prefeita da capital, Emília Corrêa.

Nos bastidores, o que circula abertamente, segundo lideranças locais, é que tanto Mitidieri quanto Moura têm garantido uma base sólida na Câmara de Vereadores. Juntos, eles somariam cerca de 16 vereadores. Essa maioria daria, segundo eles, poder para aprovar ou barrar projetos de interesse da administração municipal, impactando diretamente na governabilidade da prefeita.

O ponto central da discórdia seria uma possível movimentação de Emília Corrêa para lançar um nome ao Governo do Estado e ao Senado nas próximas eleições. A base governista vê essa articulação como uma afronta, especialmente porque, de acordo com eles, a sustentação da gestão na Câmara vem justamente desse grupo político.

No centro da polêmica está o vereador Flávio Lúcio, que não poupou críticas ao comportamento político de Fábio Mitidieri e André Moura. Segundo ele, há uma clara tentativa de emparedar a prefeita para que ela se alinhe politicamente ao grupo liderado pelo governador e por André Moura.

“Se não for machismo, isso porque é uma mulher, estão emparedando uma prefeita. Se não for machismo, ou abuso de autoridade, ou, ainda assim, algum tipo de chantagem política. Isso é um absurdo com o povo. Então Emília tem que gerir Aracaju pensando na reeleição do governador Fábio Mitidieri? Emília tem que gerir Aracaju pensando em reeleger Fábio? Emília tem que gerir Aracaju pensando em eleger André Moura para senador? A gestão, a população de Aracaju tem que estar submetida à mercê do bel prazer e do capricho do governador e do candidato a senador André Moura, emparedada e amordaçada? Se não fizer o que eu quero, a gente prejudica a gestão. População de Aracaju, estão colocando a vida e o futuro de vocês em risco e em jogo por conta de uma eleição, por conta de um cargo. Eu repudio esta fala”, desabafou Lúcio Flávio, em entrevista ao Jornal da Manhã (Jovem Pan FM).

O vice-líder do governo municipal na Câmara de Vereadores de Aracaju também criticou o fato de a base governista, que conta com aproximadamente 16 vereadores, estar sendo usada como ferramenta de barganha.

“Emília não tem que gerir Aracaju chantageada, porque vereador vai votar assim ou assado, se não votar em Fábio, se não apoiar Fábio, se não apoiar André, eu repudio isso. E eu disse lá na Câmara, Emília tem o povo, tentem atrapalhar Emília, tentem, só tentem atrapalhar ela, se a gente não vai até o público, até a imprensa, até as redes sociais dizer assim: olha, o que estão fazendo não é contra Emília não, o que estão fazendo é contra o povo de Aracaju, que precisa de política pública. Travem para vocês verem o que vai acontecer em 2026 nas eleições. Porque eu estou dizendo aqui que em 2022, a população escolheu Valmir e Emília para governador”, recordou o parlamentar.

O vereador também fez questão de lembrar que tanto Emília quanto Valmir de Francisquinho foram os mais votados em Aracaju e em diversos municípios nas últimas eleições, o que, segundo ele, demonstra que a população já respondeu nas urnas quem realmente tem representatividade.

“Olha o resultado do primeiro turno, quem foi o governador mais votado, Valmir e Emília. Olha para 2024, o prefeito do interior mais votado, Valmir, o prefeito da capital, Emília Corrêa. A população já respondeu, quem quiser que pague de doido, quem quiser que finja que não está vendo. O povo está atento e está ligado em tudo. Não brinquem, querem emparedar Emília, vocês vão lidar com o povo. Emília não vai fazer gestão preocupada se vai reeleger Fábio, se vai magoar Fábio, se vai magoar André, não”, acrescentou.

Lúcio Flávio também alfinetou vereadores da base aliada ao governo municipal que clamam por mais liberdade para criticar Emília, mas se submetem às normas de Fábio e André sem nenhuma reclamação.

“E o vereador que foi lá trás pedir independência na tribuna. Olha, Emília tem que deixar a gente livre para ser vereador, para falar, tem que deixar o nosso mandato livre. Não deveria também ouvir com bons olhos isso que o André falou, isso que o governador falou? Por que quer ter liberdade com Emília para falar o que quiser, mas aceita se submeter para André e o governador dizer: fala isso, fala aquilo. Espera aí, é uma liberdade relativa, quer ter liberdade com Emília, mas quer se submeter a André e Fábio? Então, vai ter que decidir”, adverte. 

A discussão gerou grande repercussão nas redes sociais e programas de rádio, como na Jovem Pan, onde vários ouvintes se manifestaram demonstrando preocupação e repudiando qualquer tipo de pressão política que comprometa a gestão pública.

Por enquanto, o governador Fábio Mitidieri e o ex-deputado federal André Moura não se manifestaram oficialmente sobre as acusações. O clima, no entanto, segue tenso, e há a expectativa de que o embate repercuta diretamente na formação dos grupos políticos para as eleições de 2026.



Por Redação
Foto: JP

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