Líder sindical de Laranjeiras denuncia cerco, ameaças de morte e perseguição política

O servidor público municipal Gileno Santos da Redenção, líder sindical, fundador e presidente de honra do Sindicato dos Servidores da Prefeitura Municipal de Laranjeiras, formalizou uma denúncia de repercussão nacional junto ao Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC). O funcionário relata estar sendo vítima de uma intensa campanha de stalking, difamação e graves abusos de poder que, segundo ele, contam com a conivência e o suporte de articulações políticas locais.

O estopim público do caso ocorreu em agosto de 2023, na Escola Municipal Lourival Batista, localizada no centro de Laranjeiras. De acordo com documentos aos quais o Hora News teve acesso, nos dias 12, 16 e 29 daquele mês, Gileno foi submetido a uma situação descrita como “escárnio público vexatório”.

Na noite de 29 de agosto, o diretor da instituição, José Amós Ribeiro – que possui laços familiares indiretos com o prefeito do município -, acionou a Guarda Civil Municipal (GCM). O servidor foi retirado do seu posto e do seu horário de trabalho sob escolta armada na presença de testemunhas.

“Fui humilhado e retirado do posto com uso da força de segurança. Fui tratado como bandido. O diretor só faltou usar o chicote na ação”, desabafou o servidor nas petições encaminhadas às autoridades.

Gileno alega que a direção da escola, em conluio com outros funcionários, utilizou um ex-aluno que sequer tinha matrícula ativa para forjar uma denúncia fantasiosa e sem provas contra ele. O caso ganhou repercussão no legislativo local, sendo formalmente criticado em plenário pelo vereador José Carlos Sizino Franco em março de 2026. O parlamentar confirmou a existência de abusos de autoridade praticados pela gestão municipal.

Ameaças e o fantasma da impunidade

As retaliações, contudo, ultrapassaram os muros da escola. Gileno afirma que passou a sofrer perseguições diárias, intimidações e ameaças explícitas de morte em frente à sua própria residência. Delinquentes teriam gritado palavras de ordem como “vai morrer, esse já era, ou corre ou morre”. Moradores locais também o alertaram de que fotos suas e de sua casa estariam circulando em celulares de pessoas ligadas à criminalidade com ordens expressas para “eliminá-lo”.

O servidor aponta um homem conhecido na região como Wanderson Reis, vulgo “C&A”, como o principal articulador das ameaças. Wanderson já é investigado pela 4ª Promotoria do Júri por suposto envolvimento no homicídio do próprio filho do servidor, Gileno Filho (Processo nº 201721800136). Segundo a denúncia, o suspeito transita com total tranquilidade pelo município e se gaba de utilizar um advogado disponibilizado pela própria administração municipal, sob o comando do prefeito conhecido como “Juca de Bala”.

Desconfiança nas autoridades locais e apelo ao CNJ

Diante do que classifica como “silêncio e indiferença” das promotorias de Laranjeiras, Gileno Santos recorreu diretamente ao Procurador-Chefe do Ministério Público do Estado de Sergipe (MPE/SE) para exigir que as investigações não permaneçam sob a tutela da comarca local. O funcionário anexou ao processo laudos psiquiátricos que comprovam sua plena sanidade mental para contrapor boatos espalhados na cidade de que estaria “louco”- uma estratégia clássica de descredibilização.

A manifestação protocolada no sistema Fala.BR sob o nº 00105.004116/2026-97 traz um pedido expresso de socorro direcionado ao Ministério dos Direitos Humanos. O servidor exige o envio do caso ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para que sejam apurados supostos vícios e contaminações políticas no julgamento do processo conduzido pelo Tribunal de Justiça de Sergipe (TJ-SE) na Comarca de Laranjeiras.

Para garantir sua integridade física e provar as alegações, Gileno disponibilizou às autoridades judiciais o circuito interno de monitoramento de sua residência e indicou câmeras de imóveis vizinhos que registraram a movimentação suspeita nos últimos meses.

O prazo para a resposta e o posicionamento final do Ministério dos Direitos Humanos sobre o caso encerra-se no dia 18 de setembro de 2026. Até o momento, as autoridades de segurança do Estado de Sergipe e a Prefeitura de Laranjeiras não emitiram notas oficiais sobre as denúncias de omissão e perseguição política.

O Hora News reforça seu compromisso com o jornalismo responsável e com o direito ao contraditório. O espaço permanece aberto para manifestações da Prefeitura de Laranjeiras, dos órgãos públicos citados na denúncia, dos representantes da Guarda Civil Municipal e das demais pessoas mencionadas na reportagem que desejarem apresentar esclarecimentos, informações ou suas versões sobre os fatos.


Por Redação
Fotos: Divulgação

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