O Partido dos Trabalhadores (PT) decidiu adotar uma estratégia diferente para as eleições de 2026 ao priorizar alianças estaduais em vez de lançar candidatos próprios ao governo em grande parte do país. A legenda, segundo o G1, abriu mão de disputar o comando de 14 estados para fortalecer chapas encabeçadas por partidos aliados, concentrando esforços na construção de uma base mais ampla de apoio ao projeto nacional.
Com a nova configuração, o PT estará na cabeça de chapa em apenas 12 unidades da Federação. Nos demais estados, a sigla participará das composições ocupando espaços como a candidatura a vice-governador, vagas ao Senado ou simplesmente integrando alianças consideradas estratégicas para o pleito presidencial. Em Roraima, o cenário segue indefinido, já que a convenção estadual ainda será realizada no dia 4 de agosto.
A legenda apoiará candidatos de partidos aliados nos estados do Acre, Alagoas, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Paraíba, Pernambuco, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Sergipe e Tocantins.
Já as candidaturas próprias ao governo estadual foram mantidas na Bahia, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Piauí, Rio Grande do Norte, Rondônia e São Paulo.
Um dos exemplos mais emblemáticos dessa mudança ocorre no Rio Grande do Sul. Pela primeira vez desde a redemocratização, o PT não terá candidato próprio ao governo gaúcho e decidiu apoiar a candidatura da pedetista Juliana Brizola. A decisão rompe uma tradição iniciada nas eleições estaduais de 1990.
No Rio de Janeiro, a legenda também optou por uma composição política ao declarar apoio ao prefeito da capital, Eduardo Paes, apontado como favorito nas pesquisas eleitorais. Em contrapartida, o partido garantiu espaço na chapa com a candidatura da deputada federal Benedita da Silva ao Senado.
A estratégia repete, em parte, o movimento adotado pelo PT nas eleições de 2022, quando a legenda abriu mão da candidatura ao governo fluminense para apoiar Marcelo Freixo, então filiado ao PSB, como representante do campo político alinhado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Especialistas avaliam que a mudança reflete uma postura mais pragmática da sigla. O objetivo seria ampliar a capilaridade da campanha presidencial por meio de alianças regionais capazes de fortalecer os palanques estaduais e ampliar o alcance eleitoral em diferentes regiões do país.
Para o cientista político Eduardo Grin, professor da Fundação Getulio Vargas (FGV), a presença de aliados competitivos nos estados é fundamental para dar sustentação à campanha presidencial em um país de dimensões continentais. Segundo ele, o presidente não consegue estar presente em todos os locais durante a campanha, tornando essencial a atuação de lideranças regionais na mobilização do eleitorado.
Já a cientista política Luciana Santana, diretora do Instituto de Ciências Sociais da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), avalia que a estratégia segue uma lógica já utilizada pelo PT em outras eleições presidenciais. Segundo a pesquisadora, a legenda historicamente flexibiliza as candidaturas estaduais quando isso contribui para ampliar a coalizão nacional e aumentar as chances de sucesso na disputa pelo Palácio do Planalto.
Na avaliação de especialistas, o equilíbrio entre estados onde o partido lidera chapas e aqueles em que optou por apoiar aliados demonstra que o foco da legenda em 2026 está na construção de uma ampla frente política, priorizando a articulação nacional sem abrir mão de manter presença nas principais disputas estaduais.
Por Redação
Foto: Reprodução






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