Depois de ser conduzida à Central de Flagrantes de Aracaju, a moradora do bairro Lamarão, Viviane Cristina, foi liberada nesta quarta-feira (2) após passar por audiência de custódia. A prisão ocorreu durante uma manifestação organizada por mães que reivindicam da Prefeitura de Aracaju a contratação de professores de apoio para estudantes com deficiência na rede municipal de ensino.
Imagens que circulam nas redes sociais mostram Viviane conversando com guardas municipais, que solicitam o encerramento da manifestação. Diante da recusa da manifestante em interromper o ato, os agentes dão voz de prisão. Em seguida, ela é conduzida por dois guardas até a viatura da Guarda Municipal.
Na saída da unidade policial, Viviane foi recebida por familiares, amigos e integrantes do grupo de mães que acompanham a situação desde o início.
Mesmo após ser solta, Viviane afirmou que seguirá participando das mobilizações e defendendo melhorias no atendimento educacional às crianças que necessitam de acompanhamento especializado. Ela criticou a condução do caso e afirmou que o movimento das mães tem sido interpretado de forma equivocada e demonstrou alívio com o desfecho.
“A gente vai reivindicar na cidade de Aracaju e está sendo tratada como uma ditadura. Porque, se a gente não fizer do jeito deles, vem parar atrás de uma grade”, declarou, em entrevista à rádio Sim FM.
Segundo ela, a mobilização tinha como foco exclusivo a cobrança por professores de apoio, demanda que, de acordo com as famílias, segue sem resposta há cerca de um ano e meio.
“A única coisa que eu fui cobrar foi um professor de apoio para o meu filho. Como muitas mães que estão aqui, eu tenho medo de levar meu filho para a escola sem esse acompanhamento, correndo risco de acontecer alguma coisa”, afirmou.
Durante o relato, Viviane também mencionou a situação de outra mãe, identificada como Juliana, que, segundo ela, tenta há meses obter providências após o filho ter sido vítima de agressão dentro de uma unidade escolar.
“Ela procurou o DAGV, procurou o Conselho Tutelar e até agora não teve retorno dos órgãos públicos”, disse.
A manifestante reforçou que não aceita expor o filho a situações que considera inseguras.
“É isso que eles querem? Que eu leve meu filho para uma escola sujeita a acontecer alguma coisa com ele? Há um ano e meio estamos nessa luta, não só eu, mas todas essas mães que estão aqui”, lamentou.
Sobre a prisão, Viviane relatou que foi acusada de desobediência, mas contestou a versão apresentada.
“Eles disseram que o motivo da minha prisão foi desobediência. Em nenhum momento eu desobedeci. Eu apenas disse que só deixaria o local quando alguém do município fosse conversar com as mães e apresentar uma resposta. Há um ano e meio esperamos pelos professores de apoio”, afirmou.
Guarda Municipal
A Guarda Municipal de Aracaju (GMA) informou, em nota, que foi acionada após uma manifestação impedir o acesso de alunos, servidores e demais usuários a uma unidade de ensino, comprometendo o funcionamento regular do espaço.
Segundo a corporação, a situação envolveu possíveis crimes como invasão de prédio público, desobediência, desacato, dano ao patrimônio e exposição de crianças a risco.
A GMA afirmou ainda que houve resistência durante a abordagem e que os agentes utilizaram força proporcional e dentro dos protocolos para conter o episódio.
Polícia Civil
A Polícia Civil de Sergipe informou que a ocorrência foi registrada na Central de Flagrantes após encaminhamento feito pela Guarda Municipal de Aracaju, envolvendo um tumulto em uma unidade de educação infantil.
Após análise inicial e depoimentos das partes envolvidas, a autoridade policial entendeu que não havia elementos suficientes, naquele momento, para caracterizar crime imputado à pessoa conduzida.
Diante disso, foi determinado o registro formal da ocorrência e a continuidade das investigações, com oitivas e encaminhamento do caso à unidade policial competente.
Câmara
A prisão de Viviane Cristina também repercutiu no meio político. O vereador Lúcio Flávio (PL), vice-líder da prefeita Emília Corrêa na Câmara de Aracaju, utilizou as redes sociais para elogiar a atuação da Guarda Municipal e criticar a conduta da manifestante, afirmando que a mobilização não teve como objetivo defender mães atípicas, mas, sim, promover “baderna”.
“Quero registrar os parabéns aos heróis da Polícia Municipal de Aracaju pela garantia da manutenção da ordem em ambiente escolar. Aracaju não é terra sem lei. Essa moça é uma especialista em criar problemas. Invadiu prefeitura, bloqueou ponte, ocupou posto de saúde, tentou invadir a Câmara e hoje tentou invadir o CRAS mas não conseguiu, daí partiu pra criar confusão na escola. Nós a conhecemos muito bem, ela não engana mais ninguém. O que ela fez hoje não foi defender mães atípicas. Foi baderna”, afirmou o parlamentar.
Por Redação
Foto: Instagram






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