Morte de 14 gatos na UFS gera revolta, mobiliza autoridades e chega ao Senado

A morte de pelo menos 14 gatos que viviam no campus da Universidade Federal de Sergipe (UFS), em São Cristóvão, acendeu um alerta entre defensores da causa animal e membros da comunidade universitária. Os casos foram registrados em um intervalo de apenas dois dias e já estão sendo investigados por diferentes órgãos.

De acordo com informações divulgadas por protetores independentes, 10 animais foram encontrados sem vida no sábado (6), enquanto outros quatro foram localizados no domingo (7). A sequência de ocorrências provocou indignação e levantou questionamentos sobre a segurança dos gatos comunitários que habitam a área da instituição.

Uma das vozes mais atuantes na denúncia é a protetora Miriam Guedes, integrante do grupo Amigos dos Animais de Sergipe. Em publicação nas redes sociais, ela cobrou medidas urgentes para evitar que novos episódios sejam registrados antes da conclusão das investigações.

Segundo Miriam, a principal preocupação neste momento é garantir a proteção dos animais que permanecem no campus. Para ela, além da apuração das causas das mortes, é fundamental que ações preventivas sejam adotadas imediatamente.

Diante da repercussão do caso, a UFS informou que acompanha a situação e que já acionou os órgãos competentes para auxiliar na elucidação dos fatos. O monitoramento está sendo conduzido pela Divisão de Animais Comunitários (Diacom), responsável pelo acompanhamento e manejo ético da população de gatos que vive nas dependências da universidade.

Os corpos dos animais estão sendo submetidos a exames necroscópicos no Departamento de Medicina Veterinária da instituição. Os laudos deverão contribuir para esclarecer as circunstâncias das mortes e direcionar o trabalho investigativo.

A UFS informou ainda que mantém interlocução com o Ministério Público Federal, a Polícia Científica e a Delegacia de Proteção Animal e Meio Ambiente (Depama), que também foram acionados para acompanhar o caso.

As primeiras análises apontam que os ataques teriam ocorrido durante a noite, período em que não há funcionamento regular dos setores responsáveis pelo monitoramento dos animais no campus. Entre as hipóteses avaliadas pelas equipes técnicas estão possíveis investidas de cachorros-do-mato, cuja movimentação pode variar conforme a época do ano, ou ataques praticados por grupos de cães abandonados que circulam pela região.

Enquanto as investigações seguem em andamento, a universidade pede a colaboração da população. Imagens, vídeos, fotografias ou qualquer informação que possa ajudar a identificar movimentações suspeitas devem ser encaminhadas à Divisão de Animais Comunitários para auxiliar na apuração do caso.

Congresso Nacional

O caso ganhou projeção nacional e chegou à pauta de debates no Senado Federal. O senador Rogério Carvalho (PT-SE) voltou a defender a criação de um mecanismo nacional para facilitar denúncias relacionadas à violência contra animais. A proposta está prevista no Projeto de Lei nº 5.539/2025, atualmente em tramitação no Senado.

O texto prevê a criação do Canal Nacional de Denúncias de Maus-Tratos e Abandono de Animais, uma ferramenta destinada a centralizar informações e permitir que casos de violência, negligência e abandono sejam comunicados de forma mais rápida às autoridades competentes em todo o país.

Para defensores da proposta, a iniciativa pode fortalecer a rede de proteção animal e agilizar a identificação de situações de risco, contribuindo para uma resposta mais eficiente dos órgãos de fiscalização e investigação.

A sequência de mortes registrada na UFS reforçou o debate sobre a necessidade de ampliar os mecanismos de denúncia e proteção animal no Brasil. Enquanto as causas dos episódios seguem sob investigação, estudantes, servidores e protetores cobram respostas rápidas e medidas efetivas para garantir a segurança dos animais que vivem no campus universitário.


Por Redação
Foto: Rede Social

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