O cenário político de Sergipe entrou em ebulição nas últimas horas após uma decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) recolocar Valmir de Francisquinho (Republicanos) no jogo eleitoral. A reação do governador Fábio Mitidieri (PSD) veio rápida e em tom duro: sem poupar ironias, ele tratou de reduzir o impacto da vitória judicial do possível adversário e reacendeu o debate sobre a insegurança jurídica de uma eventual candidatura.
Ao comentar a decisão do ministro Luis Felipe Salomão, que suspendeu os efeitos das condenações que tornavam Valmir inelegível, Mitidieri destacou que o STJ não analisou o conteúdo das ações de improbidade administrativa. Segundo ele, os processos relacionados ao caso do matadouro de Itabaiana continuam sem julgamento definitivo.
“As condenações não foram apreciadas. Isso significa uma candidatura novamente sob risco, e o eleitor sergipano já conhece bem esse roteiro”, afirmou, em referência à disputa eleitoral de 2022.
Seguro da estrutura governista e da articulação política que sustenta sua gestão, Mitidieri elevou o tom ao se dirigir diretamente ao prefeito de Itabaiana. Para o governador, Valmir corre o risco de comprometer o único mandato garantido que possui atualmente.
“Se decidir abandonar a prefeitura, pode acabar acumulando duas derrotas”, provocou.
O chefe do Executivo estadual também aproveitou para exaltar os programas e ações de sua administração, afirmando que o governo tem resultados concretos e que o grupo aliado está preparado para enfrentar qualquer nome que venha a liderar a oposição.
Do outro lado do tabuleiro, as forças oposicionistas buscam demonstrar coesão. A prefeita de Aracaju, Emília Corrêa, que havia protagonizado atritos públicos com Valmir no início do ano, fez questão de sinalizar reaproximação. Em publicação nas redes sociais, apareceu ao lado do prefeito de Itabaiana e destacou que o projeto político do grupo segue unido e fortalecido.
O que mudou no campo jurídico
A mudança no cenário ocorreu na sexta-feira (30), quando o STJ concedeu decisões liminares suspendendo a inelegibilidade de Valmir de Francisquinho. Na avaliação do ministro Luis Felipe Salomão, a defesa apresentou argumentos consistentes, especialmente pelo fato de o político ter sido absolvido em primeira instância por ausência de dolo.
Apesar de a decisão permitir, neste momento, o registro de uma eventual candidatura, o quadro ainda é considerado instável. As liminares não encerram o processo, e o julgamento do mérito permanece pendente, mantendo aberta a possibilidade de novas reviravoltas – ponto explorado politicamente pelo governador para reforçar o discurso de incerteza em torno do adversário.
Por Redação
Foto: Reprodução






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