Ex-diretor do Hospital Cirurgia, Gilberto Santos, é denunciado por crime de organização criminosa

O Ministério Público Estadual (MPE) ajuizou nova denúncia (processo criminal nº 201921200786) contra o ex-gestor do Hospital de Cirurgia, empresários e “laranjas” pelos crimes de peculato, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e organização criminosa, após investigação realizada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).

Segundo restou apurado, duas construtoras MLP e VIP Construção Eirelli-ME foram constituídas para prestar serviços à Fundação de Beneficência Hospital Cirurgia, porém, tais pessoas jurídicas, a despeito de possuírem contratos vultosos com o nosocômio, não detinham patrimônio e estrutura compatíveis com a execução das obras avençadas.

Restou apurado que seis denunciados, todos residentes em Nossa Senhora das Dores/SE, sucederam-se na qualidade de proprietários de pessoas jurídicas, como interpostas pessoas, a fim de dissimular a natureza, a origem e movimentação de valores ilícitos desviados da Fundação de Beneficência Hospital Cirurgia pelo Presidente da fundação à época.

As contratações se davam de forma direta, sem publicidade dos atos, sem comprovação de qualificação técnica (os “proprietários” não sabiam sequer o que significa ART – anotação de responsabilidade técnica), inexistente em todas as obras, sem a existência de projetos (por exemplo, estrutural, elétrico e hidráulico), sem cotação de preços, sem qualquer controle nos pagamentos.

Constatou-se que, com o afastamento da diretoria da Fundação de Beneficência Hospital de Cirurgia – FBHC, e, em especial, depois da decretação da Intervenção Judicial na unidade de saúde, a empresa VIP Construção Eirelli-ME iniciou um processo de migração das atividades empresariais, passando a realizar obras de construção civil no município de Nossa Senhora das Dores, localidade em que um dos denunciados detém enorme influência política e econômica.

Operação Metástase

No dia 12 de setembro o ex-diretor do Hospital Cirurgia, Gilberto Santos, havia sido alvo da Operação Metástase, que cumpriu mandados de busca e apreensão na casa do ex-diretor do hospital. Segundo o Ministério Público do Estado, o médico Gilberto Santos teria utilizado duas construtoras, registradas em nome de “laranjas” (sócios residentes no município de Nossa Senhora das Dores) com a finalidade de desviar verbas públicas da saúde, utilizadas na compra de bens e enriquecimento ilícito do gestor à época. A investigação versa sobre crimes contra a administração pública, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Política

O filho de Gilberto Santos, Thiago de Souza Santos, que também é médico, foi eleito prefeito de Nossa Senhora das Dores, justamente na época em que o pai era diretor geral do Hospital Cirurgia. Neste período denúncias chegaram à imprensa dando conta que o hospital havia contratado um grande número de moradores da cidade para trabalhar em Aracaju. A suspeita é que as pessoas foram contratadas com o compromisso de votar no filho de Gilberto para prefeito de Nossa Senhora das Dores. Coincidência ou não, ele foi eleito.







Com informações do MPE
Foto: MPE/Divulgação

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