O presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL), que tenta aprovar a Reforma da Previdência, segundo dezenas de especialistas, prejudicial principalmente para a classe mais pobre do país, é um dos gestores públicos mais bem remunerados. Incluindo a aposentadoria de ex-deputado federal e de capital do Exército, o chefe do executivo federal tem direito a quase R$ 70 mil por mês.
Com o reajuste no início do ano, aposentados e pensionistas do INSS passaram a receber salário mínimo de R$ 998. Diferente do proposto pela equipe econômica comandada por Paulo Guedes, o presidente da República se aposentou do Exército aos 33 anos, ganhando salário de R$ 10 mil. Como ex-deputado federal, o político tem direito a mais R$ 27 mil, totalizando 37 mil, apenas de aposentadoria. E claro, o salário de R$ 30 mil pela presidência. Ao deixar o Palácio do Planalto, Bolsonaro receberá R$ 28 mil ao mês.
Em 1998, Jair Bolsonaro foi afastado do Exército aos 33 anos e com 15 anos de serviços prestados. Desde então, recebe aposentadoria de capitão – 63% acima do teto do INSS.
Brasileiros que ganham acima de um salário mínimo vão ter que contribuir por 40 anos para conseguir se aposentar com 100% do salário-teto do INSS, atualmente na casa dos R$ 5.839.
“No Brasil, há muitos trabalhadores rurais e informais que não têm uma renda regular. Pode ser que eles cheguem à idade de se aposentar e não tenham dinheiro suficiente para se manter”, afirmou ao UOL Kaizô Beltrão, professor da Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas da FGV-Rio.
Em pronunciamento em cadeia de rádio e TV, Jair Bolsonaro defendeu o governo. O presidente disse que a reforma é necessária para o equilíbrio das contas públicas.
“Hoje, iniciamos o processo de criação de uma nova Previdência. É fundamental equilibrarmos as contas do país para que o sistema não quebre, como já aconteceu com outros países e em alguns estados brasileiros”, pontuou.
Analistas dizem o contrário e indicam impactos financeiros menores do que o esperado. O governo federal estima economia de R$ 1,1 trilhão, no entanto bancos e consultorias acreditam que a negociação com o Congresso Nacional reduzirá o impacto fiscal para o patamar de R$ 600 bilhões a R$ 800 bilhões.
Campanha
Durante a corrida eleitoral, o então candidato Jair Bolsonaro chegou a dizer que a idade mínima de 65 anos era “falta de humanidade”. O político afirmou que o desequilíbrio das contas públicas não tinha qualquer relação com a Previdência e que jamais atuaria para levar “miséria” aos aposentados por exigência do mercado financeiro.
O secretário especial de Previdência e Trabalho, Rogério Marinho, diz que a idade mínima foi tema de embates entre Bolsonaro e Paulo Guedes. Marinho revela que Guedes queria 65 anos para homens e mulheres. Já o presidente insistiu em 65 para homens e 60 para mulheres. Entraram em consenso em 65 e 62, diferenciando homens de mulheres e garantindo transição de 12 anos.
Agora empossado, Bolsonaro disse que “errou” ao opinar sobre a Previdência durante a campanha.
Exemplo
Apesar de já contar com o direito de se aposentar também como ex-deputado federal, a Câmara dos Deputados ainda não informou se Bolsonaro já solicitou a aposentadoria parlamentar e se a Mesa Diretora da casa já teria acatado o pedido.
Para não entrar em mais uma contradição, o presidente Jair Bolsonaro precisa dar o bom exemplo e rejeitar o direito à aposentadoria de deputado federal, mesmo constando em lei aprovada por eles próprios: os congressistas.
Com informações da Folha, O Globo e Agência Câmara
Foto: Agência AFP






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