Sergipe registrou um feito histórico no combate à violência letal, mas acendeu o alerta em outra frente igualmente preocupante: o desaparecimento de pessoas. O retrato complexo da segurança no estado foi revelado pelo Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025, divulgado nesta quinta-feira (24).
De acordo com o estudo, entre 2016 e 2024, a taxa de homicídios em Sergipe caiu 72%, despencando de 57,6 para 15,1 mortes por 100 mil habitantes. O desempenho antecipou em seis anos a meta nacional estipulada pelo Governo Federal, que previa a redução para 16 mortes apenas em 2030.
O ano de 2024 consolidou Sergipe como o estado menos violento do Nordeste e o 19º no ranking nacional. A trajetória de queda continuou em 2025: no primeiro semestre, o estado registrou 163 mortes violentas, uma redução de 22,75% em comparação com o mesmo período do ano passado, quando foram contabilizados 211 casos.
Por trás da queda, uma nova preocupação
Mas nem tudo são boas notícias. O mesmo levantamento revelou que Sergipe também figura entre os estados com maior crescimento nos registros de desaparecimento de pessoas. Em comparação ao ano anterior, o número subiu 19,9%, atrás apenas do Amapá e da Bahia.
O dado levanta uma questão delicada: a possível subnotificação da violência letal. Segundo o anuário, o aumento nos desaparecimentos pode estar relacionado a uma nova dinâmica do crime organizado e à letalidade policial, que em alguns casos resulta na ocultação de cadáveres.
“O crescimento dos desaparecimentos pode estar a mascarar parte da violência associada a disputas entre facções e à letalidade policial”, alerta o relatório.
O cenário de Sergipe, portanto, revela um desafio duplo: manter os avanços no combate aos homicídios e, ao mesmo tempo, enfrentar o mistério por trás do aumento nos desaparecimentos, para garantir que nenhuma vítima seja invisibilizada pelas estatísticas.
Por Redação
Foto: SSP-SE






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