O prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, afirmou neste sábado que a detenção militar do presidente venezuelano Nicolás Maduro e da primeira-dama Cilia Flores configura um “ato de guerra” e representa uma grave infração às normas do direito federal norte-americano e do direito internacional. Segundo Mamdani, a ação teria sido conduzida sob responsabilidade do governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
A manifestação ocorre em meio à forte repercussão internacional do episódio, que elevou o nível de tensão diplomática entre Washington e Caracas. Para o prefeito nova-iorquino, iniciativas desse tipo agravam instabilidades geopolíticas e colocam em risco princípios fundamentais que regem as relações entre Estados soberanos.
“Esta manhã me informaram sobre a captura militar estadunidense do presidente venezuelano Nicolás Maduro e sua esposa, assim como sobre seu encarceramento planejado sob custódia federal aqui na cidade de Nova York. Atacar unilateralmente uma nação soberana é um ato de guerra e uma violação do direito federal e internacional”, denunciou em sua rede social.
The New York Times
Na mesa linha, o The New York Times classificou a ação como uma escalada perigosa e desprovida de amparo legal, tanto à luz da legislação norte-americana quanto das normas do direito internacional.
Segundo o jornal, a operação, que incluiu a mobilização de forças navais e aéreas na região do Caribe, culminou na captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, provocando imediata repercussão global e intensificando questionamentos dentro e fora dos Estados Unidos sobre os limites do poder presidencial em ações militares no exterior.
Em editorial, o New York Times ressalta que o emprego de recursos militares de grande escala ocorreu sem a autorização prévia do Congresso, exigência prevista pela Constituição dos EUA para intervenções desse porte. A publicação destaca que porta-aviões, navios de guerra, aeronaves e milhares de militares foram deslocados antes que qualquer debate formal fosse submetido ao Legislativo, o que, na avaliação do jornal, fragiliza a legitimidade institucional da decisão.
Embora reconheça as acusações de repressão política e violações de direitos humanos atribuídas ao governo venezuelano, o periódico alerta que a experiência histórica dos Estados Unidos indica que intervenções armadas com o objetivo de derrubar governos raramente produzem estabilidade. O editorial cita exemplos como Iraque, Afeganistão e Líbia, onde ações militares resultaram em crises prolongadas, conflitos internos e consequências duradouras para a população local.
Outro ponto questionado é a justificativa apresentada pela Casa Branca, que enquadrou a ofensiva como parte do combate ao chamado “narcoterrorismo”. De acordo com a análise do New York Times, a Venezuela não figura entre os principais centros de produção das drogas associadas à crise de overdoses nos Estados Unidos, e parte significativa do tráfico ligado ao país tem como destino o mercado europeu, o que enfraqueceria o argumento central do governo norte-americano.
O jornal também aponta incoerências na condução da política externa de Trump ao lembrar que, enquanto ordenava ataques a embarcações venezuelanas suspeitas de envolvimento com o tráfico, o presidente concedeu perdão a Juan Orlando Hernández, ex-presidente de Honduras condenado por crimes relacionados ao narcotráfico. Para o New York Times, a comparação evidencia um padrão seletivo nas decisões adotadas pela Casa Branca.
A publicação conclui que a operação representa um momento crítico para a política externa dos Estados Unidos e pode gerar impactos duradouros na estabilidade regional, além de reacender debates sobre legalidade, responsabilidade institucional e os custos humanos de intervenções militares.
Por Redação
Foto: Getty Images






Trump “usurpador”. Essa é a definição mais legítima para os atos cometidos contra a a Venezuela.