Durante reunião desta quarta-feira, 25, Carvalho alertou para risco sistêmico de mais de R$ 80 bilhões e reforçou atuação do Governo Lula no enfrentamento ao crime organizado financeiro no Brasil.
Na manhã desta quarta-feira, 25, durante reunião da CPI do Crime Organizado no Senado Federal, o senador Rogério Carvalho (PT/SE) apresentou posicionamentos firmes em defesa de pedidos de quebra de sigilo bancário e fiscal de envolvidos em crimes contra o sistema financeiro, além de requerimentos para aprofundar investigações sobre a atuação de facções criminosas e o chamado “novo cangaço” no Brasil.
Na oportunidade, Carvalho classificou o caso investigado como “um dos maiores esquemas do sistema financeiro brasileiro”, envolvendo uma suposta pirâmide estruturada dentro de uma instituição oficial que teria movimentado mais de R$ 80 bilhões.
Segundo o parlamentar, o impacto pode atingir milhares de correntistas e investidores. “Estamos falando de milhares de pessoas que podem perder seus investimentos. Sem contar o dano à credibilidade do próprio sistema financeiro. Se o Brasil não tivesse um histórico de regularidade e instituições sólidas, poderíamos estar diante de uma quebra generalizada do mercado, com fuga de capitais”, afirmou.
Esquema bilionário
Durante a sessão, Carvalho defendeu a adoção de medidas duras, mas responsáveis, para garantir transparência e evitar pânico no mercado. Para o senador, o esquema investigado envolve uma complexa rede de operações financeiras que teriam sido utilizadas para legitimar um modelo piramidal associado ao Banco Master. “Não vamos proteger ninguém aqui. Vamos garantir que esta CPI lance luz sobre os fatos. Precisamos agir com cautela para não gerar pânico, mas com firmeza para esclarecer acontecimentos que aterrorizam o sistema financeiro e o povo brasileiro”, declarou.
Ele destacou, ainda, que determinadas instituições financeiras, como o BTG Pactual, o Nubank e o BRB, teriam comprado e vendido papéis relacionados ao Master, o que, segundo ele, demonstra a complexidade das articulações financeiras. “Estamos diante de um esquema muito complexo de legitimação de um modelo piramidal envolvendo o Banco Master. Esse banco utilizou todas as ferramentas e tecnologias disponíveis no mercado financeiro. Isso revela uma inteligência extraordinária voltada à captura e apropriação da riqueza das pessoas”, detalhou.
Em seguida, o senador citou como exemplo o caso do antigo BESC, onde, segundo ele, “uma ação que valia R$ 1,00 foi comercializada por R$ 600,00”. “Este caso evidencia indícios de crime contra a economia popular e contra o sistema financeiro nacional”, completou.
Defesa das instituições públicas e da estabilidade econômica no Governo Lula
Além disso, Rogério Carvalho fez questão de ressaltar a solidez do sistema financeiro brasileiro e o papel das instituições públicas na manutenção da estabilidade econômica. “Felizmente, o governo goza de credibilidade, a economia está crescendo e existem instituições financeiras sólidas, como o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal, que não foram privatizadas. É importante registrar isso aqui. Por isso, estamos conseguindo sustentar a estabilidade”, ressaltou.
Ele também destacou a atuação do Banco Central e do Ministério da Fazenda no acompanhamento do caso. Segundo ele, é fundamental que o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, compareça à CPI para prestar esclarecimentos. “É importante destacar a atuação do Banco Central e do Ministério da Fazenda. Mas é fundamental que o presidente do Banco Central venha aqui, seja convocado [convidado] e dê suas explicações. Não podemos deixar de fora quem estava à frente da autoridade monetária diante dos primeiros sinais de que aquela instituição funcionava de forma temerária”, pontuou.
Rogério frisou que mantém “excelente relação” com o dirigente do BC, mas defendeu que ele explique “o que foi feito diante dos primeiros sinais de atuação criminosa, porque estamos tratando de um crime contra a economia popular”.
Enfrentamento ao crime organizado em todas as esferas
Ao ampliar o debate, o senador vinculou o caso às estratégias mais amplas de enfrentamento ao crime organizado adotadas pelo Governo Lula, tanto no combate às facções quanto ao “novo cangaço” e aos crimes financeiros sofisticados. “O crime organizado não atua apenas nas periferias ou em ações armadas, mas também dentro de estruturas financeiras complexas”, alertou.
“É algo muito objetivo. Apesar de ele ter integrado o governo, foi diretor do Banco Pleno, instituição que já foi liquidada pelo Banco Central. Portanto, participou de todo o esquema, ao menos conhecendo o modus operandi”, acrescentou, defendendo a convocação de pessoas que possam contribuir com informações sobre a operação do Banco Master e suas articulações, reforçando, com isso, que a CPI não deve agir com seletividade. “Quero deixar claro que não nos opusemos à convocação de ninguém. Estamos aqui com tranquilidade, querendo fazer o debate mais técnico possível, para extrair o melhor desta comissão”, garantiu.
Por fim, Carvalho reiterou que a comissão tem o dever de esclarecer como o banco se relacionava com o Master e quais eram os mecanismos do esquema que teria lesado brasileiros e o país em mais de R$ 80 bilhões. “Existe um compromisso inegociável do Senado e do Governo Federal com a defesa da economia popular, da estabilidade institucional e do combate ao crime organizado em todas as suas tipificações”, concluiu.
Por Assessoria de Imprensa
Foto: Daniel Gomes






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