A recente reforma administrativa promovida pela Prefeitura de Aracaju tem causado controvérsias nos bastidores do poder municipal. Um dos principais pontos de tensão gira em torno da Secretaria Municipal de Governo (SEGOV), que passou a concentrar uma série de atribuições estratégicas, conferindo ao titular da pasta, Itamar Bezerra, uma posição de grande influência na administração da prefeita Emília Corrêa — sua esposa.
Segundo o artigo 7º da nova estrutura organizacional, a SEGOV tem entre suas principais competências a articulação política com a Câmara de Vereadores, a coordenação do relacionamento institucional com outros entes federativos, o controle e acompanhamento de proposições legislativas, além da supervisão de atos oficiais do Executivo. Trata-se de um poder que, na prática, coloca a secretaria como o coração político da gestão municipal.
Contudo, o que era para ser um mecanismo de fortalecimento do diálogo institucional e da governabilidade tem se tornado, segundo fontes próximas à administração, um foco de dificuldades. Isso porque o secretário Itamar Bezerra, embora seja conhecido por sua atuação religiosa como pastor evangélico, não possui histórico ou vivência política consolidada. A falta de traquejo com as complexas dinâmicas entre Executivo e Legislativo tem gerado atritos e desentendimentos com vereadores — inclusive da base aliada.
Na teoria, a SEGOV deveria funcionar como ponte entre a Prefeitura e a Câmara, promovendo o alinhamento de pautas, articulando projetos de interesse do Executivo e evitando desgastes públicos. No entanto, na prática, o desempenho do secretário tem sido alvo de críticas nos corredores do legislativo municipal. Parlamentares apontam dificuldades de diálogo, decisões centralizadas e ausência de habilidade para a costura política — essencial para garantir estabilidade e avanço das pautas do governo.
A nomeação de Itamar Bezerra à frente de uma pasta tão sensível também levanta questionamentos sobre a mistura entre interesses familiares e públicos. Ao concentrar funções estratégicas em um membro do núcleo familiar da prefeita, a gestão Emília Corrêa enfrenta críticas de personalização do poder, o que acende alertas sobre a transparência e impessoalidade na condução da máquina pública.
Além disso, pesa contra o secretário uma postura considerada excessivamente controladora. De acordo com relatos de bastidores, Itamar tem dificultado o acesso direto de representantes da sociedade civil e, principalmente, de políticos à prefeita Emília Corrêa. O gabinete, que deveria ser espaço de diálogo e escuta, vem sendo blindado por um filtro rígido imposto por ele — o que tem causado indignação inclusive entre aliados históricos da gestora.
A atuação do secretário de Governo de Aracaju tem sido alvo de críticas nos bastidores da política municipal. De acordo com parlamentares consultados pelo Hora News, em vez de contribuir para o fortalecimento da gestão, ele estaria dificultando o acesso de vereadores e representantes da sociedade civil à prefeita, prejudicando o diálogo e a construção de propostas conjuntas.
A avaliação é de que a postura adotada pelo secretário tem isolado a chefe do Executivo, impedindo encontros e conversas com políticos interessados em debater ideias e propor soluções para a cidade. A blindagem excessiva teria causado um clima de insatisfação entre parlamentares, que enxergam um distanciamento cada vez maior entre a prefeita e a Câmara Municipal.
Nos corredores da política local, cresce a preocupação com os impactos dessa condução sobre a governabilidade e a relação do Executivo com a Câmara de Vereadores e setores organizados da sociedade.
Nos bastidores, aliados já demonstram desconforto com a condução da SEGOV e há quem defenda uma reavaliação do comando da pasta para que a gestão não sofra maiores desgastes políticos nos próximos meses. Por ora, o clima é de cautela, mas a pressão cresce.
O que deveria ser uma reforma para fortalecer a governabilidade pode estar se transformando em um calcanhar de Aquiles para a administração municipal. Resta saber se a prefeita manterá a aposta no marido ou se cederá à realidade política que cobra experiência e habilidade, especialmente quando se está no centro do poder.






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