Artistas sergipanos que integravam a programação oficial do Carnaval Rasgadinho denunciaram o cancelamento repentino de suas apresentações poucas horas antes do início do evento, neste sábado (14), em Aracaju. A decisão, comunicada de forma abrupta, gerou indignação entre músicos, produtores culturais e o público, reacendendo o debate sobre a falta de valorização dos talentos locais em uma festa financiada majoritariamente com recursos públicos.
Entre os prejudicados está o cantor Mikael Santos, que divulgou nota oficial relatando ter sido surpreendido com o cancelamento do show marcado para as 17h. Segundo ele, toda a documentação exigida pela produção foi entregue dentro do prazo e em total conformidade com as exigências. O artista afirmou ainda que priorizou Aracaju, mesmo tendo convites para se apresentar em outras cidades na mesma data.
“Estávamos com equipe, estrutura e logística totalmente prontas para subir ao palco, com o profissionalismo e dedicação de sempre”, destacou.
O cantor Ygor Raniere também informou que teve sua apresentação cancelada pela organização. Em mensagem nas redes sociais, lamentou não poder encontrar o público e prometeu retomar o contato em outra oportunidade. Além deles, os grupos Art Mania e Jam a Karreta igualmente relataram o cancelamento, ampliando o clima de frustração e revolta entre os artistas da terra.
Outro fator que provocou críticas foi a divulgação tardia da programação completa, anunciada apenas na tarde da sexta-feira (13), poucas horas antes do início oficial da festa. Até então, o evento apresentava informações fragmentadas, o que já vinha sendo alvo de cobranças constantes nas redes sociais. Até o fechamento desta matéria, a organização do Rasgadinho não havia apresentado justificativa pública para os cancelamentos.
O episódio expõe, mais uma vez, a falta de respeito da organização com os artistas locais, justamente em um evento que é custeado com verbas públicas e emendas parlamentares. Em vez de priorizar e fortalecer a cultura sergipana, a direção da festa insiste em privilegiar atrações de fora do estado, contratadas por valores elevados, enquanto músicos da casa são preteridos, desvalorizados e tratados com descaso.
A condução do Rasgadinho levanta ainda questionamentos sobre o uso político da festa. O organizador do evento, Robson Viana, pré-candidato a deputado, tem utilizado a visibilidade da celebração – financiada com dinheiro público – como vitrine para autopromoção, associando sua imagem a um evento tradicional sem, contudo, demonstrar o mesmo compromisso com os artistas locais e com a valorização da cultura sergipana.
Diante da repercussão, a Prefeitura de Aracaju informou, por meio de nota, que o Rasgadinho não é organizado, produzido ou gerido pela administração municipal. Segundo o comunicado, a responsabilidade integral pelo evento é da Comissão Organizadora do Carnaval Rasgadinho, que responde pela concepção, contratação das atrações, definição da programação e eventuais alterações. A gestão municipal afirmou ainda que cumpriu todos os apoios logísticos e culturais pactuados, sem interferir nas decisões artísticas ou operacionais.
Embora reconheça a relevância histórica do Rasgadinho para o Carnaval da capital, o episódio acende um alerta: eventos bancados com recursos públicos devem, obrigatoriamente, servir como instrumento de valorização da cultura local, geração de renda para artistas sergipanos e fortalecimento da identidade cultural do estado – e não como palanque político ou vitrine pessoal.
Por Redação
Foto: André Moreira





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