Todo mundo aprendeu que água e óleo não se unem. E é verdade, pelo menos na química. No entanto, basta adicionar um solvente, como sabão ou lecitina, que a mistura acontece. Pois bem, na política sergipana, parece que o “solvente” está sendo preparado.
Há quem jure que certos grupos simplesmente não têm química para se juntar. O desgaste natural de campanhas acirradas, as trocas de farpas entre situação e oposição e o histórico de rusgas pessoais criam barreiras difíceis de dissolver. Um exemplo claro está em Sergipe, entre o grupo governista liderado por Fábio Mitidieri e o bloco oposicionista comandado por Rogério Carvalho.
Muitos apostavam, e ainda apostam, que essa combinação seria impossível, lembrando os episódios nada agradáveis da eleição passada, marcada por acusações, constrangimentos e a famosa disputa para ver quem era, de fato, o “candidato de Lula”. A confusão foi tamanha que até material de campanha de Mitidieri acabou apreendido, sob a justificativa de associação indevida à imagem do então presidenciável.
Mas a política tem lá suas surpresas. E o presidente Lula, com seu poder de articulação e influência, pode muito bem funcionar como o “sabão” dessa mistura improvável. Dois caminhos se desenham: o mais comentado é o de uma aliança entre PT e PSD em Sergipe, com Rogério Carvalho ocupando uma das vagas ao Senado. O outro seria o PSD lançar candidatura própria à Presidência, o que obrigaria Mitidieri a segurar o palanque do seu partido no Estado.
Para quem duvida, vale o velho ditado: muita água ainda vai rolar por baixo dessa ponte até 2026. E o cenário pode mudar mais rápido do que se imagina.
Arrumado da situação
Enquanto isso, Fábio Mitidieri tem outro desafio, manter a tropa em harmonia. O governador já declarou apoio ao ex-deputado André Moura, o nome escolhido para disputar o Senado pelo grupo. Mas aí vem o dilema, são duas vagas e há a figura de Alessandro Vieira, que também tem pretensões de ir à reeleição ao senado. Se a aliança com o PT sair do papel, como ficaria Alessandro? Vai sobrar espaço para todos ou alguém vai precisar procurar outro palanque?
Difícil tarefa. Muita conversa de bastidor, café frio e neurônio queimado até montar o “arrumadinho” eleitoral de 2026.
Ring legislativo
Já em Poço Redondo, o “clima” na Câmara de Vereadores anda mais quente do que nunca. Discussões acaloradas têm se tornado rotina, e a mais recente ultrapassou os limites do decoro parlamentar.
Durante a sessão da última quinta-feira, 16, o vereador Carro Velho (União Brasil) protagonizou um embate com o colega Arlington Feitosa (Republicanos) e disparou uma frase que deixou todos perplexos:
“Eu poderia te comparar com uma porca, mas teria que procurar uma porca para pedir desculpa a ela por comparar vossa excelência com ela.”
A discussão surgiu a partir do debate sobre a criação de uma nova loteria municipal, tema que, pelo visto, virou apenas o estopim para mais um round nesse verdadeiro ring legislativo.
Será que a população de Poço Redondo continuará a assistir seus representantes em “brigas e ataques pessoais” no parlamento? E o decoro? Como fica? Qual será o encaminhamento dado pela mesa diretora da casa?
Por Bruno Balbino




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