PT de Canindé: eleição com chapa única expõe rejeição e crise de representatividade

O Processo de Eleições Diretas do Partido dos Trabalhadores (PED 2025), realizado neste domingo (6), revelou em Canindé de São Francisco (SE) um cenário preocupante para a legenda. Mesmo com candidatura única, o novo presidente do diretório municipal, Rildo Joaquim, sai enfraquecido politicamente diante da expressiva abstenção dos filiados.

Dos 935 membros aptos a votar, apenas 207 compareceram às urnas, um índice de participação de apenas 22,13%. Desses, 154 votos foram destinados a Rildo, o que representa apenas 16,47% do total de eleitores. Os outros 781 filiados se abstiveram ou votaram em branco, deixando clara uma rejeição de 77,87% à condução atual e ao caminho trilhado pela direção local do partido.

A pergunta que ecoa entre os filiados é inevitável: que PT restou em Canindé?

Um partido que já protagonizou importantes disputas eleitorais na cidade hoje dá sinais de esvaziamento e desfiguração. Figuras históricas foram afastadas ou marginalizadas, enquanto o diretório local passou a ser visto por muitos como uma extensão dos interesses de um grupo restrito, o “puxadinho da Cooperativa”, como ironizam alguns militantes.

A falta de competitividade no processo interno, ao invés de representar unidade, escancarou a falta de diálogo, o afastamento da base e o desinteresse generalizado. O PT de Canindé, que já foi símbolo de participação popular e pluralidade, hoje parece mais fechado em si mesmo do que nunca.

Mesmo com a vitória formal, o novo presidente terá que lidar com o peso simbólico de um mandato legitimado por uma minoria. Rildo Joaquim pode até assumir a presidência, mas terá a difícil tarefa de reconstruir pontes com uma militância que se sente excluída e desmotivada.

A grande ausência dos filiados neste PED foi, na prática, uma forma de protesto silencioso. E esse silêncio pode dizer mais do que mil palavras.

Eleições do PT em Sergipe

As eleições internas do Partido dos Trabalhadores (PT) em Sergipe foram marcadas por fortes críticas de militantes que denunciam práticas antidemocráticas adotadas por lideranças como Rogério Carvalho e João Daniel. Em diversas cidades, o clima foi de insatisfação e indignação com os métodos usados para garantir hegemonia interna, em um processo que, segundo os próprios filiados, compromete os princípios históricos do partido.

Em Santo Amaro das Brotas, o diretório municipal chegou a divulgar uma nota pública denunciando o uso da máquina administrativa local para interferir no PED 2025. Segundo a denúncia, houve uma filiação em massa de ocupantes de cargos comissionados ligados ao prefeito, aliado de Rogério e João Daniel, com o objetivo de controlar o diretório e garantir votos para o candidato à presidência estadual. Um movimento que, além de desprezar a militância tradicional, ignora o histórico de perseguições políticas contra trabalhadores e petistas no município.

Diante desse cenário, a pergunta que paira no ar é inevitável: até onde o PT de Sergipe está disposto a ir em nome de interesses pessoais e acordos de ocasião? A sigla, que sempre defendeu a democracia interna e o coletivo como valores inegociáveis, parece flertar perigosamente com práticas que tanto combateu no passado. Se essa novela continuar sem correções, o final pode ser mesmo trágico. Valei-me, Pai Eterno!

Aumento de Cadeiras na Câmara Federal

A proposta de aumentar o número de deputados federais traz consigo um pesado custo para os cofres públicos. Com mais parlamentares, cresce a necessidade de bancar salários, verbas de gabinete, assessores e todos os privilégios associados aos cargos, tudo isso sustentado pelo contribuinte. Em um país que ainda enfrenta sérios desafios sociais e orçamentários, a medida soa como um descompasso entre as prioridades da população e os interesses políticos de Brasília.

E como votaram os representantes de Sergipe? A favor do aumento de deputados, e, portanto, do gasto público, disseram “sim” João Daniel (PT), Nitinho (PSD), Ícaro de Valmir (PL), Gustinho Ribeiro (Republicanos), Delegada Katarina (PSD) e Yandra Moura (União Brasil). Apenas dois parlamentares sergipanos votaram contra: Thiago de Joaldo (PP) e Rodrigo Valadares (União Brasil). Cabe ao eleitor refletir sobre quem, de fato, está ao lado do povo e quem reforça privilégios em plena crise de representatividade.

Entre os senadores sergipanos, todos votaram a favor do aumento de cadeiras na Câmara dos Deputados, Alessandro Vieira, Laércio Oliveira e Rogério Carvalho. Enquanto isso, como dizia Beth Carvalho em uma de sua música eternizada em sua voz, “e o povo como está, tá com a corda no pescoço…”.

Assumindo o uso indevido de recursos públicos

Em entrevista recente a uma rádio do município de Capela, o ex-prefeito de Porto da Folha, Miguel de Dr. Marcos (PSD), admitiu ter utilizado parte dos recursos provenientes da concessão da Deso, pagos pela empresa Iguá, para quitar salários de servidores no mês de dezembro de 2024. Segundo ele, a decisão foi motivada pelo bloqueio do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), que vinha comprometendo as finanças da gestão desde agosto daquele ano. Ainda de acordo com o ex-gestor, os recursos também foram usados para honrar precatórios e realizar investimentos.

Ao afirmar que se responsabilizou “indevidamente”, o ex-prefeito escancara uma prática preocupante, o uso de receitas extraordinárias, muitas vezes com destinação específica, para cobrir buracos orçamentários. Embora o pagamento de salários seja prioridade, a falta de planejamento e de alternativas sustentáveis deixa um alerta sobre a falta de compromisso e zelo pelo erário público e a fragilidade da gestão pública municipal.

Mais do que uma confissão isolada, o caso levanta discussões importantes sobre responsabilidade fiscal, transparência e a necessidade urgente de um maior acompanhamento da gestão dos recursos públicos nos municípios. Afinal, muitos municípios, até mais pobres, não apresentaram dificuldades orçamentárias, o que demonstra a capacidade geracional do gestor daquele município.

Nova tarifa social da energia elétrica

Entrou em vigor no último sábado (5) a nova regra da Tarifa Social de Energia Elétrica, que garante gratuidade total na conta de luz para famílias inscritas no Cadastro Único (CadÚnico) com consumo mensal de até 80 kWh. A medida, que deve beneficiar diretamente 4,5 milhões de famílias em situação de vulnerabilidade, representa um importante alívio no orçamento doméstico dos que mais precisam. Em tempos de altas constantes no custo de vida, garantir o acesso à energia elétrica sem cobrança para os mais pobres é mais do que uma política pública, é um ato de justiça social.

Além disso, outras 17,1 milhões de famílias continuarão isentas do pagamento pelos primeiros 80 kWh consumidos mensalmente, o que reforça o caráter inclusivo da medida. A decisão da Aneel, embora tardia diante das desigualdades históricas do país, aponta para a urgência de políticas que aliviam o peso das contas básicas sobre os mais pobres. É fundamental, porém, que haja ampla divulgação e fiscalização para que o direito chegue a quem realmente precisa, e não fique apenas no papel.



Por Bruno Balbino

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