O diretor do Consórcio do Transporte Metropolitano de Aracaju, Héctor Coronado, detalhou, em entrevista exclusiva ao Jornal da Manhã (Jovem Pan), os pontos centrais da nova licitação que a Prefeitura de Aracaju pretende lançar para o sistema de transporte público.
Segundo ele, o modelo proposto pela atual gestão corrige distorções da licitação elaborada na administração anterior e traz vantagens diretas para os usuários, incluindo tarifa menor, regras de reajuste mais seguras e expansão expressiva da frota com veículos elétricos.
Coronado afirma que, caso a licitação anterior fosse aplicada, a tarifa poderia ultrapassar R$ 8, enquanto o novo formato prevê que o valor final ao passageiro fique em torno de R$ 5, com reajustes anuais baseados na inflação – e não semestrais – como prevê a licitação anterior.
De acordo com os estudos apresentados pelo Consórcio, a proposta anterior estabelecia uma tarifa pública de R$ 5, mas que, com subsídio, chegaria a R$ 8,17. Já o projeto atual – chamado FIP – parte de uma tarifa técnica de R$ 4,50, que ao usuário ficaria em R$ 5.
“Na nova licitação, o aumento passa a ser anual e vinculado à inflação. Na anterior, o reajuste era semestral, podendo ocorrer até quatro vezes por ano”, explicou Coronado.

Ele também destacou que a chamada matriz de risco da licitação antiga transferia quase toda a responsabilidade financeira para o poder público.
“Naquele modelo, o risco não era do empresário. O risco era de quem paga a conta – no caso, a Prefeitura. Isso abre margem para aumentos frequentes. Com reajustes semestrais, a tarifa poderia subir a cada três meses”, afirmou.
Renovação da frota
Um dos pontos mais enfatizados por Coronado é a diferença na modernização da frota. Enquanto o edital antigo previa a substituição de apenas 43 veículos por ano, sem previsão de ônibus elétricos, a nova proposta estabelece a chegada de 180 novos ônibus no primeiro ano, incluindo veículos elétricos e climatizados.
“Se você distribuir 43 ônibus em um sistema de 460 veículos, é muito pouco. Com 180 no primeiro ano, o impacto é real e imediato. A população sentirá a melhoria”, disse.
Possibilidade de tarifa zero aos domingos
O diretor também revelou que a gestão solicitou estudos para avaliar a viabilidade de oferecer gratuidade aos domingos, semelhante ao modelo aplicado em Maceió (AL). Segundo ele, a diferença positiva de R$ 1,50 na nova estrutura tarifária permite analisar benefícios adicionais.
“Temos uma folga de R$ 1,50. Isso abre espaço para políticas públicas. A prefeita pediu o estudo, e é possível sim. Estamos trazendo transparência e oportunidades de ganho para o usuário”, destacou.
Resistência dentro do Consórcio
Durante a entrevista, Héctor Coronado afirmou que o prefeito de São Cristóvão, Júlio Nascimento, vem defendendo que o Consórcio adote a licitação anterior, mesmo após os estudos demonstrarem impactos tarifários maiores para os moradores do município.
“Desde as primeiras reuniões, ele sinaliza preferência pela licitação antiga. Mas, se ela for aplicada, a população de São Cristóvão não pagará R$ 4,50, pagará R$ 5, e com a atualização, possivelmente mais de R$ 5”, afirmou.
“Então, ele quer penalizar a população dele. Não está bem claro porque ele quer. Ele insiste em continuar afirmando, inclusive depois desses estudos apresentados, em continuar querendo a licitação anterior”, reforçou.
Coronado disse que o prefeito não apresentou justificativas técnicas convincentes e insiste na manutenção do edital antigo.
“A questão é simples: São Cristóvão teria menos ônibus novos, nenhum veículo elétrico e uma tarifa que pode chegar a R$ 10. Não sabemos por que ele prefere esse modelo”, afirmou.
Embora questionado se a resistência teria motivação política, Coronado evitou especulação.
“No consórcio, discutimos técnica, não política. O que posso afirmar é que, com a licitação antiga, a população de São Cristóvão seria penalizada com tarifa maior e menos veículos novos”, disse.
Ele reforçou que a prioridade da gestão atual é reorganizar o transporte com foco no cidadão.
“A prefeita sabe o quanto a população sofreu ao longo dos anos. Essa licitação é construída para mudar isso”, concluiu.
Por Redação
Fotos: PS/JP/Divulgação






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