Pix sob ameaça: Trump quer derrubar sistema brasileiro para favorecer Visa e Mastercard

O Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) voltou seus canhões para o Brasil e anunciou nesta terça-feira (15) a abertura de uma investigação contra supostas práticas comerciais “desleais” do país. A iniciativa, endossada pelo ex-presidente Donald Trump, promete apurar se atos e políticas brasileiras estariam “onerando” empresas e trabalhadores norte-americanos.

No entanto, o documento divulgado pelo USTR levanta mais perguntas do que certezas: recheado de acusações, ele não apresenta provas concretas para sustentar as alegações contra o Brasil.

Entre os alvos da investigação estão o Pix, símbolo de inclusão financeira e inovação tecnológica no Brasil, e a Rua 25 de Março, famosa por seu comércio popular em São Paulo. Para os EUA, o sistema de pagamento instantâneo brasileiro “prejudica” empresas norte-americanas de tecnologia e a rua paulista seria um “epicentro global” da pirataria, apesar das operações de fiscalização feitas no local.

Apesar do tom grave, o relatório não oferece evidências concretas das supostas práticas desleais. Para especialistas, trata-se de mais um capítulo da política comercial agressiva do governo Trump, que utiliza o peso econômico dos Estados Unidos para pressionar parceiros comerciais a abrir mão de políticas internas.

“O Brasil está há décadas criando barreiras ao comércio americano”, afirmou o embaixador Jamieson Greer. Ele disse que uma audiência pública será realizada no dia 3 de setembro como parte do processo de investigação, previsto na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 – a mesma legislação usada por Trump para iniciar sua guerra tarifária contra a China.

Analistas apontam que o movimento do USTR é uma tentativa de proteger empresas norte-americanas da concorrência internacional, a exemplo de Mastercard e Visa, em um momento em que países como o Brasil ganham protagonismo com soluções digitais como o Pix e políticas de comércio diversificado.

“O Pix é um sucesso que assusta o lobby financeiro norte-americano. Eles querem enfraquecer uma inovação que poderia inspirar outros mercados a escapar do domínio das big techs dos EUA”, diz um economista ouvido pela CNN.

Até setembro, o USTR deverá coletar depoimentos e ouvir empresas para decidir se recomendará ao governo novas tarifas ou sanções contra o Brasil.

Sabotagem ao Brasil

Em meio ao anúncio, o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que está residindo nos Estados Unidos, deu uma declaração polêmica que acendeu ainda mais o alerta: ele afirmou que o governo Trump estaria preparando uma “bomba atômica” contra a economia brasileira, numa clara referência ao impacto que uma retaliação comercial ao Pix poderia causar.

O deputado agradeceu ao presidente Trump pelas medidas econômicas adotadas contra o Brasil, numa clara demonstração de sabotagem ao país.

“Obrigado, presidente Donald J. Trump. Espero que as autoridades brasileiras agora tratem esses assuntos com a seriedade que merecem. O Brasil não pode — e não vai — se tornar outra Venezuela, Cuba ou Nicarágua. Deus abençoe os Estados Unidos, Deus abençoe o Brasil”, escreveu Eduardo.

Campanha

O Governo Federal iniciou uma campanha pública para proteger o Pix e reafirmar que ele é uma tecnologia 100% brasileira, feita para facilitar a vida de milhões de pessoas e fortalecer a economia nacional.

“O PIX é do Brasil e dos brasileiros! Parece que nosso PIX vem causando um ciúme danado lá fora, viu? Tem até carta reclamando da existência do nosso sistema Seguro, Sigiloso e Sem taxas”, diz a campanha que ganhou as redes sociais.


Por Redação
Foto: Shutterstock

Comente

Arquivos

Categorias

/* ]]> */