Piloto e policiais civis são presos em operação da Polícia Federal

Em uma manhã de quarta-feira digna de roteiro policial, a Polícia Federal (PF) colocou em marcha a Operação Augusta, um desdobramento de investigações que miram um intricado esquema de corrupção, vazamento de informações sigilosas e favorecimento ilegal de investigados em inquéritos criminais.

A ação é coordenada em conjunto com o Gaeco do Ministério Público de São Paulo e contou com o apoio da Polícia Militar e da Corregedoria da Polícia Civil.

Segundo a PF, o grupo investigado é acusado de montar um verdadeiro balcão de negócios dentro das estruturas de segurança e justiça, onde informações sigilosas eram vendidas, procedimentos policiais arquivados sem critério legal e até bens apreendidos eram devolvidos por meio de fraudes documentais. Tudo isso movido por um combustível bem conhecido: propina.

Entre os alvos de três mandados de prisão preventiva e nove de busca e apreensão, um nome chamou atenção: Roberval Andrade, piloto conhecido por suas vitórias na Fórmula Truck (2002 e 2010) e na Copa Truck (2018). Agora, fora das pistas, ele é investigado por supostos crimes de lavagem de dinheiro e corrupção.

Outros dois presos são investigadores pela Polícia Civil de São Paulo: Sérgio Ribeiro, do Denarc, investigador de 1ª classe, e Marcelo Marques de Souza, o “Bombom”, do Decap, que já estava preso desde o ano passado.

A teia criminosa se estende ainda a figuras conhecidas no submundo jurídico e empresarial, como o advogado Anderson Domingues – famoso por defender líderes do PCC, incluindo o traficante André do Rap – o empresário Rogério Giménez e o contador Júlio Mocarzel.

Um helicóptero de luxo e R$ 12 milhões em jogo

Um dos episódios centrais da operação envolveu a tentativa suspeita de restituição de um helicóptero de luxo, apreendido pela Justiça junto com outros bens que, somados, chegam à casa dos R$ 12 milhões. O episódio deu nome à operação, em alusão à famosa Rua Augusta, em São Paulo, símbolo de luxo, excessos e segredos mal guardados.

Além disso, durante as diligências, armas de grosso calibre, como fuzis e pistolas, e grandes quantias em dinheiro vivo foram apreendidas, reforçando a suspeita de um esquema altamente articulado.

Ramificações perigosas

A Operação Augusta é fruto do desdobramento da Operação Tácitus, deflagrada em dezembro, que já investigava policiais suspeitos de manipular investigações e vender proteção a criminosos ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

Boa parte das revelações surgiu a partir de uma delação feita por Antonio Vinicius Gritzbach, corretor de imóveis executado brutalmente em novembro de 2023, no Aeroporto de Guarulhos. Antes de morrer, ele havia entregado nomes de delegados, investigadores, advogados e traficantes envolvidos na trama.

Justiça sob cerco

Os investigados poderão responder por uma gama de crimes, incluindo corrupção ativa e passiva, violação de sigilo funcional, quebra de sigilo bancário e advocacia administrativa.

As diligências estão sendo realizadas em São Paulo, Região Metropolitana e no litoral, em Praia Grande. As investigações seguem sob sigilo.





Por Redação, com informações do ICL
Foto: PF

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