Sempre ouvi dizer que, “pior que o mau perdedor, é o mau ganhador”. Mas, com exceção de um ou outro cruzmaltino inebriado por ocasião de uma acidental vitória bissexta sobre o Malvadão da Gávea, confesso que, na prática, raras vezes em uma vida de mais de meio século me deparei com tão repulsivo espécime.
Qual não foi, senão, a surpresa de milhares de sergipanos que, tristes ou felizes, conformados ou incorformados, recorremos às redes sociais e a alguns veículos de comunicação a fim de acompanhar uma cobertura profissional que, mesmo não se portando com a imparcialidade desejável, ao menos concedesse aos candidatos eleitos e não eleitos o tratamento digno e respeitoso que a todos é devido?
Ao revés, o que se presenciou – e perdurará por muito tempo a título de bajulação estendida -, foi um verdadeiro show de horrores, uma competição macabra para a escolha do autor da maior ignomínia, do maior impropério, da mais audaciosa e reprovável humilhação dirigida ao candidato não eleito Valmir de Francisquinho (Republicanos), cuja vida pública e notórias realizações em todas as áreas possíveis, foram, na esteira de um resultado adverso, amesquinhadamente reduzidas a um mero engodo por um desses arautos do atraso.
Mas se Valmir é vendido por essa gente inescrupulosa como um indigente a ser sepultado às pressas, a prefeita de Aracaju, Emília Corrêa (Republicanos), antes mesmo da totalização das seções, às 22h07min do último domingo, já havia se convertido no alvo preferencial dos jihadistas.
As manifestações desrespeitosas e impublicáveis denotam que já não nos encontramos nos domínios da política. Ou da democracia, como queiram! Em Sergipe no geral e em Aracaju em especial, a saudável disputa eleitoral está a passos largos cedendo espaço ao darwinismo social, que precisa ser cortado pela raiz se não quisermos retroceder 100 anos em valores e liberdades civis.
Há um discurso oficial permeando todas as camadas sociais que traz em seu ventre a seguinte mensagem subliminar: a) os mais ricos e, por suposto, mais aptos, devem governar e ditar os rumos da sociedade sem qualquer contestação; b) os homens e mulheres de origem humilde, por mais preparados que sejam, não devem jamais desafiar os nascidos em berço de ouro; e c) as mulheres só podem exercer funções relevantes na política se forem tuteladas pelo seu senhor.
A realidade é tão dantesca que, diante da necessidade de agradar ao mandatário de plantão, vemos ex-governador se comportando como bobo da corte, blogueiros, jornalistas e radialistas agindo como cheerleaders, politicos, humoristas (valha-me, Deus!) e candidatos não eleitos em 2024 destilando diariamente colunas de ódio não contra a prefeita, mas contra a cidadã Emília, com o intuito de despersonalizá-la, reduzindo-a a uma caricatura ou objeto.
Trata-se, obviamente, de um conhecido método: desumanizar a mulher Emília Corrêa antes, para destruir a Prefeita Emília Corrêa depois. A tais necrófagos em voo errático, dirijo tão somente as seguintes palavras: a Prefeita Emília Corrêa não está sozinha: ela tem um grupo, cada vez mais coeso e homogêneo; a Prefeita Emília Corrêa tem projetos, entregas e apoio popular. Tudo isso lhe dá direito e legitimidade para, querendo, concorrer à sua própria sucessão. Mas somente ela, e ninguém mais, pode falar em projeto de reeleição. Portanto, favor manter a compostura enquanto acompanham maravilhados, mas caladinhos, o desenvolvimento de Aracaju; a Prefeita Emília Corrêa tem lado. E nós, que estamos ao lado dela, exigiremos que essa condição seja respeitada por todos. Portanto, cada excesso cometido contra ela será devidamente encaminhado ao órgão competente para a devida repressão e responsabilização do infrator.
À guisa de encerramento, não vou ceder à tentação de associar as ações criminosas dirigidas à Prefeita Emília ao conhecido método nazista de desumanizar os judeus para, empós, assassiná-los nos campos de extermínio. Mas lembro aqui que a ideologia nazista jamais teria surgido não fossem as ideias disseminadas pelo darwinismo social meio século antes.
Paulo Márcio é delegado de Polícia Civil, ex-presidente da Associação dos Delegados de Polícia Civil (Adepol) e atualmente exerce o cargo de secretário-chefe da Controladoria-Geral do Município de Aracaju.
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