A vereadora Moana Valadares assumiu a presidência do Partido Liberal (PL) em Sergipe e falou pela primeira vez de forma detalhada sobre os bastidores da troca de comando.
Em entrevista ao Jornal da Manhã (Jovem Pan), nesta quinta-feira (11), ela negou qualquer tipo de traição ao ex-presidente Edvan Amorim, reforçou a permanência da prefeita de Aracaju, Emília Corrêa, na sigla e apresentou um plano ambicioso de fortalecimento do partido em todo o estado.
Moana iniciou sua fala afastando as críticas feitas por Edvan Amorim, que alegou ter sido traído pelo deputado federal Rodrigo Valadares (União). Para ela, a mudança já era uma decisão tomada nos bastidores.
“Nós fomos convidados para assumir um espaço que já estava vazio. Então eu não vejo nenhum tipo de traição nesse sentido. Edvan já tinha sido retirado do comando da presidência, só que isso não tinha vazado. Inclusive, o Valmir de Francisquinho já deu várias entrevistas públicas e admitiu que foi convidado para assumir a presidência do PL diversas vezes ao longo desse ano. Então, já existia ali um desejo pela retirada do ex-presidente Edvan”, explicou.
A vereadora destacou ainda que a recusa de Valmir de Francisquinho (PL) abriu caminho para que ela fosse convidada a assumir o cargo.
“Valmir tem os relacionamentos dele com Edvan e não quis assumir a presidência. Então, no momento em que nós fomos convidados, entendemos que se não aceitássemos, outra pessoa iria assumir. Que bom que essa responsabilidade caiu no nosso colo, de pessoas comprometidas com os valores do PL, da direita, do presidente Bolsonaro e do nosso grupo”, reforçou.
Apesar das divergências, Moana Valadares preferiu manter o tom conciliador ao falar do ex-presidente.
“Olha, eu não vou falar mal. Sei que ele já deu entrevistas dizendo que foi traído. Eu respeito os sentimentos dele, mas ele sabe o que aconteceu. Não vou enumerar nem expor, não vou fazer esse papel, mas ele sabe”, declarou Moana, evitando entrar em detalhes.
A relação com a prefeita Emília Corrêa
Um dos pontos mais comentados nos últimos dias foi a ausência da prefeita Emília Corrêa (PL) na manifestação pró-Bolsonaro. Para Moana, a explicação é simples: conflito de agenda.
“Emília não pôde ir porque o desfile cívico aconteceu no mesmo horário da manifestação. Ela, como prefeita, precisava estar representando a Prefeitura de Aracaju, o cargo que ocupa hoje. Eu conheço ela pessoalmente e sei quais são os valores da prefeita”, justificou, ressaltando que Emília segue alinhada ideologicamente com o partido.
“Da mesma maneira que a prefeita declarou voto a Eduardo Amorim, também declarou voto a Rodrigo ao Senado. Ela é conservadora, é de direita, é uma mulher que tem princípios e valores bem estabelecidos, mas, como gestora, enfrenta várias guerras”, afirmou.
Questionada sobre uma possível saída de Emília do PL para seguir Edvan Amorim em outra agremiação partidária, Moana foi taxativa:
“Não acredito que Emília deixe o PL para seguir Edvan em outro partido. Se ela fizer isso eu ficaria muito decepcionada. O PL é a casa dela, o partido que a acolheu, onde teve apoio do presidente e identidade plena. Nossa relação continua a mesma. Eu e Rodrigo apoiamos Emília muito antes de Edvan abrir as portas do PL para ela, quando ainda diziam que ela não teria legenda. Eu sabia que Deus tinha separado esse momento para ela e que enfrentaria esse desafio”, disse.
O futuro do PL em Sergipe
Moana Valadares também aproveitou a entrevista para apresentar o projeto de crescimento da legenda no estado.
“Eu aposto no fato de que o PL segue sendo o maior partido do Brasil, extremamente atraente para mandatários e para quem deseja disputar cargos. É um partido grande, com estrutura. Vamos liderar com humildade e com o desejo de fortalecer um grupo alinhado com nossos princípios, para fazer um novo tempo, uma nova história em Sergipe”, destacou.
O planejamento, segundo ela, inclui a instalação de diretórios municipais em todas as cidades sergipanas.
“Nós vamos conversar com todo mundo, acolher mandatários, militantes e cidadãos que queiram integrar esse novo momento. O PL terá representação em cada município de Sergipe. Vamos trazer jovens, lideranças locais e pessoas que sonham em construir um futuro diferente. Esse é o nosso compromisso”, concluiu.
Com a troca de comando, o PL em Sergipe entra em um período de reestruturação política. A meta da nova presidente é transformar a legenda em um espaço de diálogo com diferentes setores da sociedade, mas sem perder a identidade com o bolsonarismo e com os valores conservadores.
Por Redação
Foto: Jovem Pan






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