O relatório da Polícia Federal (PF) que indiciou Jair Bolsonaro e o deputado Eduardo Bolsonaro por obstrução de Justiça traz à tona uma troca de mensagens reveladora entre o ex-presidente e o pastor e empresário da fé, Silas Malafaia.
O diálogo, carregado de estratégias e insultos, ocorreu após o anúncio de tarifas de 50% impostas pelos Estados Unidos ao Brasil, no dia 9 de julho, quando Donald Trump divulgou uma carta citando Bolsonaro como vítima de “perseguição judicial”.
No dia seguinte, 10 de julho, Silas Malafaia enviou uma mensagem empolgada ao ex-presidente.
“Presidente! Você voltou para o jogo”, escreveu o pastor, em tom de comemoração pela retaliação norte-americana. Em seguida, sugeriu um cenário de confronto político.
“Podem usar bravatas aqui, vão ter que sentar na mesa para negociar. Você é o cerne da questão. Quem é o Brasil para peitar os EUA? Mico contra um gorila. O vídeo que vou postar daqui a pouco eu vou ao cerne da questão. A próxima retaliação vai ser contra ministros do STF e suas famílias. Vão dobrar a aposta apoiando o ditador? Duvido!”, disse o pastor, em referência ao ministro Alexandre de Moraes.
A conversa, carregada de tensão, não parou por aí. No dia 11 de julho, Malafaia voltou a procurar Bolsonaro, desta vez para criticar duramente o filho do ex-presidente, o deputado federal Eduardo Bolsonaro, pela condução da narrativa sobre as tarifas.
“Desculpa, presidente! Esse seu filho Eduardo é um babaca, inexperiente que está dando a Lula e à esquerda o discurso nacionalista, e ao mesmo tempo te ferrando. Um estúpido de marca maior. Estou indignado! Só não faço um vídeo e arrebento com ele por consideração a você. Não sei se vou ter paciência de ficar calado se esse idiota falar mais alguma asneira”, disparou o pastor.
As mensagens reforçam a linha de investigação da PF sobre tentativas de influenciar e obstruir decisões judiciais, além de evidenciar um bastidor político recheado de pressão, ameaças veladas e disputas internas no núcleo bolsonarista.
Por Redação
Foto: Divulgação






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