Malafaia chama Moraes de ditador, pede prisão e chama direita de “vagabunda e vendida”

Em meio a um clima tenso e polarizado no cenário político nacional, um discurso inflamado proferido neste domingo (29), na Avenida Paulista em São Paulo, pelo pastor e empresário da fé Silas Malafaia, organizador dos atos públicos em defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro e dos presos nos atos do 8 de janeiro, voltou a acender o debate sobre os limites da liberdade de expressão, o papel das instituições e a divisão interna entre seguidores e parlamentares da extrema direita brasileira.

Durante uma fala marcada por acusações duras e palavras fortes, Silas Malafaia criticou veementemente o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), acusando-o de violar a Constituição e de promover prisões motivadas por opiniões políticas.

Segundo ele, Moraes deveria ser alvo de um processo de impeachment e ser preso, caso o país estivesse, em suas palavras, “vivendo uma democracia séria”.

“Por tudo que Alexandre de Moraes tem feito, de rasgar a Constituição, de prender gente inocente por opinião, por tudo isso, ditador, se isso aqui é um país sério, ele tomava um impeachment e ia para a cadeia”, defendeu o pastor de extrema direita.

No mesmo discurso, o empresário da fé direcionou críticas pesadas ao próprio campo político ao qual pertence. Ele acusou parte da direita de se aliar aos interesses do poder em troca de benefícios e favores. Para Malafaia, a direita da qual ele pertence é “prostituta” e formada por “vagabundos”.

“Sabe por que um cara desse não tomou impeachment? Porque quem tem o poder para isso é o Senado. Eu vou dizer para vocês, e já foi dito aqui pelo senador Marcos Rogério sobre as eleições. Sabe por quê? Porque nós temos uma direita prostituta, vagabunda, que se vende. Nós temos uma direita séria e verdadeira, mas grande parte dela é um bando de vagabundo vendilhão”, disparou o pastor extremista.

O discurso de Silas Malafaia repercutiu na imprensa e também nas redes sociais, dividindo opiniões. Enquanto apoiadores aplaudiram a “coragem” do discurso, críticos apontaram a escalada de agressividade como perigosa para o ambiente institucional do país.

Especialistas alertam que, embora o debate político seja saudável numa democracia, o uso de termos ofensivos e acusações sem provas podem aprofundar o desgaste entre os Poderes e inflamar ainda mais uma base social já radicalizada.

O Supremo Tribunal Federal não se manifestou oficialmente sobre as declarações do pastor Silas Malafaia até o momento. Já no Senado, parlamentares da direita reagiram com cautela, evitando comentar diretamente o discurso, mas reforçando a necessidade de equilíbrio entre os Poderes e respeito às instituições.

O ato, que reuniu 12 mil pessoas no vão livre do MASP, na Avenida Paulista, segundo a Universidade de São Paulo (USP), contou com a presença de figuras centrais do bolsonarismo, como o líder Jair Bolsonaro e os governadores Tarcísio de Freitas (SP), Romeu Zema (MG), Cláudio Castro (RJ) e Jorginho Mello (SC).

Também participaram os senadores Flávio Bolsonaro (RJ), Marcos Rogério (RO) e Magno Malta (ES), além dos deputados federais Marco Feliciano, Bia Kicis, Gustavo Gayer e André do Prado, entre outros.



Por Redação
Fotos: YouTube

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