Mesmo sem a divulgação oficial do calendário para a entrega da Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física de 2026, referente ao ano-base 2025, os contribuintes já podem – e devem – iniciar a organização da documentação necessária. Tradicionalmente, a Receita Federal anuncia os prazos apenas no início de março, mas, com base em anos anteriores, a expectativa é de que o período de envio comece na segunda metade do mês.
O Imposto de Renda é um tributo federal cobrado anualmente sobre os rendimentos de pessoas físicas e jurídicas. Os valores arrecadados são destinados ao financiamento de políticas públicas e à redistribuição de recursos. Por meio da Declaração de Ajuste Anual, os contribuintes informam salários, rendimentos financeiros, bens e despesas, permitindo que o Fisco verifique se há imposto a pagar, restituição a receber ou isenção, conforme a renda e as deduções legais.
Para esclarecer dúvidas e orientar a população, o Hora News conversou com o contabilista Josevaldo Mota de Souza, especialista em Gestão Fiscal e Planejamento Tributário, e presidente da Sociedade Brasileira de Contabilidade (SBC).
Segundo o tributarista, a principal recomendação é não deixar a preparação para a última hora.
“O ideal é que o contribuinte já comece a separar todos os comprovantes relacionados ao ano de 2025”, orienta.
Entre os documentos citados estão despesas médicas, odontológicas, laboratoriais, gastos com educação, previdência privada, pensão alimentícia e contribuições previdenciárias.
De acordo com o contador, esses registros são fundamentais para reduzir legalmente o valor do imposto devido ou aumentar o montante da restituição.
“Mesmo quem tem imposto a pagar pode se beneficiar, pois as deduções ajudam a diminuir o valor final de forma totalmente legal”, explica.
Desafios e transformações na contabilidade
Ao comentar sobre a realidade da profissão contábil, Josevaldo aponta como principal desafio a constante atualização diante das mudanças na legislação fiscal, tributária e contábil, além da complexidade trazida pela reforma tributária. Para ele, acompanhar essas transformações é indispensável para o exercício responsável da profissão.
A tecnologia, segundo o contador, também tem papel central na rotina dos profissionais da área. A automação e o uso de inteligência artificial aceleraram processos e tornaram o trabalho mais eficiente.

“Hoje, a contabilidade é totalmente integrada à tecnologia. Sistemas modernos são indispensáveis para atender às exigências atuais”, afirma.
Ele destaca ainda que o contador exerce uma função social que vai além do cumprimento de obrigações fiscais.
“A ética profissional é essencial. A contabilidade contribui diretamente para o crescimento das empresas, fortalecimento da economia, geração de empregos e equilíbrio financeiro da cadeia produtiva”, ressalta.
Adaptação às novas exigências
Questionado sobre a adaptação a ferramentas e obrigações recentes, como e-Social, SPED, EFD-Reinf e outras plataformas digitais, Josevaldo afirma que investir em bons sistemas de gestão e contabilidade foi fundamental.
“O uso de um ERP confiável traz segurança e precisão. Além disso, o acompanhamento constante das inovações tecnológicas é obrigatório, já que o não cumprimento das obrigações acessórias resulta em multas e penalidades”, explica Josevaldo Mota, que é mestrando em Contabilidade.
Erros comuns e planejamento empresarial
Entre os equívocos mais frequentes cometidos por pequenas e médias empresas, o bacharel em Ciências Contábeis cita a falta de controle financeiro, contábil e fiscal, além da ausência de planejamento estratégico. Para evitar esses problemas, ele defende a presença de uma contabilidade estruturada dentro do negócio e a atuação de um profissional qualificado.
Josevaldo também reforça que o profissional da Contabilidade pode atuar como parceiro estratégico das empresas, auxiliando na tomada de decisões por meio de análises financeiras, controles gerenciais e diagnósticos precisos.
“Não se trata apenas de calcular impostos, mas de contribuir para o crescimento sustentável do negócio”, pontua.
Declaração pré-preenchida e orientações finais
Sobre a declaração pré-preenchida, o contabilista explica que a ferramenta importa automaticamente informações que já constam na base de dados da Receita Federal, reduzindo o tempo de preenchimento. No entanto, ele alerta que todos os dados devem ser conferidos com os documentos do contribuinte, preferencialmente com o auxílio de um profissional de confiança.
Entre os dependentes que podem ser incluídos na declaração estão filhos, enteados, cônjuges e pais, desde que atendam aos critérios legais. Já as despesas dedutíveis abrangem gastos com saúde, educação, previdência privada do tipo PGBL e pensão alimentícia determinada judicialmente.
Por fim, Josevaldo deixa um conselho direto aos contribuintes: “Para evitar problemas com a Receita Federal, o mais seguro é realizar a declaração com o acompanhamento de um contador habilitado e registrado no Conselho Regional de Contabilidade”.
Por Redação
Foto: Divulgação






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