Fábio rompe com Alessandro, expõe crise interna e antecipa embate eleitoral em Sergipe

A decisão do governador Fábio Mitidieri (PSD) de retirar o senador Alessandro Vieira (MDB) da chapa majoritária para as eleições de 2026 escancara uma crise política no núcleo duro do governo e redefine, de forma precoce, o tabuleiro eleitoral em Sergipe.

O rompimento, anunciado nesta segunda-feira (23), é resultado direto do acirramento das tensões internas, especialmente após declarações públicas de Alessandro que atingiram o aliado histórico do grupo governista, André Moura (União Brasil), pré-candidato ao Senado.

A declaração do senador, ao sugerir que André poderia “acordar a qualquer hora com a polícia batendo à sua porta”, repercutiu fortemente nos bastidores e foi vista como uma investida direta contra o ex-deputado e, por extensão, contra a estratégia política do Palácio dos Despachos.

O episódio acelerou o desgaste interno e levou Mitidieri a fazer uma escolha clara: manter André como aliado prioritário e abrir mão de Alessandro, mesmo ciente de que a decisão ampliaria as tensões e exporia as fragilidades da base governista.

Em pronunciamento, o governador justificou a decisão afirmando que a composição da chapa exige “harmonia e alinhamento”, algo que, segundo ele, deixou de existir.

“A condição básica para uma composição de chapa é harmonia e alinhamento entre seus membros. Está claro, pelos últimos acontecimentos, que não alcançamos essa sinergia”, declarou. Ainda segundo Mitidieri, após diálogo com Alessandro, ficou acertado que o senador seguirá de forma independente na disputa pela reeleição. “Continuamos amigos e no mesmo propósito de vermos Sergipe seguir avançando”, completou.

Apesar do tom conciliador, o gesto político é claro: Mitidieri escolheu um lado. Ao manter André Moura como peça central do seu projeto para 2026, o governador reforça sua aposta em um grupo que domina espaços estratégicos na política sergipana, mas, ao mesmo tempo, abre uma frente de desgaste com um senador bem posicionado eleitoralmente e com forte discurso anticorrupção.

A crise interna levanta uma pergunta inevitável: quem ganha com essa divisão?

No curto prazo, Alessandro Vieira parece fortalecido. Livre das amarras da base governista, ele passa a explorar o discurso de independência, se colocando como alternativa ao bloco tradicional de poder. O senador tende a capitalizar o embate, sobretudo junto ao eleitorado que rejeita alianças pragmáticas e vê com desconfiança figuras tradicionais da política.

Por outro lado, André Moura também sai momentaneamente fortalecido. Ao ser bancado pelo governador em meio à turbulência, consolida-se como o nome preferencial do Palácio dos Despachos para a disputa ao Senado, reunindo a máquina administrativa e o apoio formal do grupo governista. No entanto, carrega consigo o desgaste natural das controvérsias que cercam sua trajetória política.

Já Fábio Mitidieri assume o papel mais delicado desse xadrez. Ao optar por preservar André e romper com Alessandro, o governador terá de exercer intensa habilidade política para “arrumar a casa” até outubro de 2026. A missão será reconstruir pontes, conter danos e impedir que a crise interna se transforme em uma sangria eleitoral capaz de comprometer seu projeto de continuidade no poder.

A antecipação do conflito mostra que o processo sucessório já está em curso e que o grupo governista entra em 2026 dividido, pressionado e sob forte vigilância da opinião pública. Em um cenário de polarização interna, cada movimento passa a ter peso decisivo, e qualquer erro pode custar caro nas urnas.


Por Redação
Foto: Divulgação

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