Especialista destaca o papel vital do dentista hospitalar na luta contra o câncer

Quando o assunto é o tratamento do câncer, a atenção geralmente se volta para médicos, enfermeiros e oncologistas. Mas há um profissional que, silenciosamente, tem transformado a jornada de quem enfrenta a doença: o cirurgião-dentista hospitalar.

Ainda pouco conhecido do grande público, esse especialista vem ganhando espaço essencial dentro dos hospitais e equipes multidisciplinares – e seu papel vai muito além do sorriso.

A odontóloga Gabriela Lomes Sena, referência em Odontologia Hospitalar, participou nesta quarta-feira (22) do Jornal da Manhã, da Jovem Pan, e trouxe à tona um tema de enorme relevância para a saúde pública: o impacto da atuação odontológica na recuperação e na qualidade de vida de pacientes oncológicos.

“Quando falamos em oncologia, pensamos logo em médicos e enfermeiros. Mas o dentista é parte vital dessa equipe. Nosso papel é prevenir e tratar complicações bucais que podem colocar em risco o tratamento e o bem-estar do paciente”, explicou Gabriela, com a convicção de quem vive o dia a dia dos hospitais.

A Odontologia Hospitalar é uma especialidade relativamente nova no Brasil, mas com resultados expressivos. O cirurgião-dentista hospitalar atua diretamente dentro de hospitais, acompanhando pacientes internados ou em tratamento de doenças graves, como o câncer, e garantindo que a saúde bucal não se torne um obstáculo à recuperação.

“Em pacientes oncológicos, as terapias como quimioterapia e radioterapia podem causar inflamações, feridas e infecções na boca. Nossa missão é atuar antes que esses problemas se agravem. Assim, o paciente consegue suportar melhor o tratamento e ter mais qualidade de vida”, pontuou Gabriela.

Entre as complicações mais comuns e dolorosas está a mucosite oral – uma inflamação severa da mucosa da boca, frequentemente causada pelos efeitos colaterais das terapias contra o câncer.

“A mucosite pode parecer algo simples, mas é devastadora. Ela causa dor, dificuldade para se alimentar, falar e até engolir. Em alguns casos, o paciente precisa suspender o tratamento, o que impacta diretamente o controle da doença”, explicou a especialista.

O acompanhamento odontológico precoce, segundo Gabriela, é essencial para prevenir e tratar a mucosite, permitindo que o paciente mantenha o tratamento oncológico sem interrupções e com menos sofrimento.

Outubro Rosa e Novembro Azul

Durante a entrevista, Gabriela também fez uma conexão direta entre a Odontologia Hospitalar e as campanhas Outubro Rosa e Novembro Azul, que reforçam a importância da prevenção e do diagnóstico precoce dos cânceres de mama e de próstata.

“Essas campanhas são lembretes poderosos sobre o autocuidado. Mas é fundamental lembrar que a saúde bucal também faz parte desse cuidado integral. Uma boca saudável ajuda o corpo a reagir melhor, fortalece o sistema imunológico e reflete diretamente na qualidade de vida”, afirmou.

Com sensibilidade, a odontóloga resumiu sua missão em uma frase que traduz o espírito da profissão:

“Cuidar da boca é cuidar da vida – e juntos, podemos transformar a prevenção em esperança”, salientou.

A entrevista de Gabriela Lomes Sena deixa um recado claro: a odontologia hospitalar não é um luxo, é uma necessidade. Em um cenário em que o câncer ainda é uma das principais causas de morte no Brasil, ampliar o conhecimento sobre a importância desse profissional é também ampliar as chances de vida.

“Nosso trabalho vai além do sorriso. Ele está ligado à dignidade, ao conforto e à esperança de cada paciente. Quando unimos ciência, empatia e prevenção, damos um passo importante para um futuro com mais vida e menos dor”, concluiu.

Mais do que um campo em expansão, a odontologia hospitalar se firma como uma aliança entre saúde e humanidade – uma força silenciosa que transforma dor em alívio, medo em confiança e tratamento em vida.


Por Redação
Foto: PS/JP

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