Horas antes de ser encontrada morta em uma cela do Presídio Feminino de Nossa Senhora do Socorro, a médica Danielle Barreto, 46 anos, já havia deixado claro: não sobreviveria ao retorno ao cárcere. A denúncia é do advogado de defesa, Fábio Trindade, que afirma ter alertado repetidamente as autoridades sobre o risco de morte da cliente.
Acusada de planejar o assassinato do marido, o advogado criminalista José Lael Rodrigues, Danielle estava internada em uma clínica psiquiátrica até esta terça-feira (9), quando foi reconduzida ao presídio logo após audiência de custódia em Aracaju. Poucas horas depois, seria encontrada sem vida, com um lençol enrolado ao pescoço.
“Foi colocada para a morte”
Em entrevista à TV Atalaia, o advogado que defendia Daniele das acusações do Ministério Público se disse inconformado.
“Eu nunca imaginei que fossem cumprir um mandado de prisão em uma pessoa em tratamento. Tratamento esse por tempo indeterminado. Ela foi retirada do tratamento e colocada para a morte”, desabafou.
Segundo ele, Danielle apresentava sinais claros de sofrimento psicológico, como automutilação e pensamentos suicidas. Durante a audiência de custódia, teria implorado para não voltar ao presídio.
“A última palavra que Dani disse lá na audiência é que, se viesse pra cá, iria fazer isso. Disse pra mim, pro irmão, pra cunhada, a todos que estavam ali presentes. Eu alertei de todas as formas, documentei, disse que ela não podia vir”, reforçou Trindade.
Ainda segundo a defesa, Danielle chegou a questionar a magistrada sobre a possibilidade de seguir internada. A resposta foi de que, na prisão, receberia acompanhamento médico e atendimento psiquiátrico imediato.
“Ela respondeu: ‘A primeira coisa que vou fazer é tirar a minha vida’. E assim ela fez e cumpriu”, relatou o advogado.
Do habeas corpus ao desfecho trágico
Danielle chegou a ser beneficiada com habeas corpus em maio, passando à prisão domiciliar. A medida, no entanto, foi revogada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 29 de agosto. Desde então, a médica cumpria internação em clínica psiquiátrica até ser novamente conduzida ao presídio — onde sua história terminou de forma trágica e precoce.
Agora, o episódio reacende questionamentos sobre as condições do sistema prisional e até que ponto os alertas feitos por familiares e advogados foram, de fato, levados em consideração.
Por Redação
Foto: Rede Social






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