A redução dos níveis dos reservatórios de Sergipe já acendeu um sinal de alerta no Governo do Estado. Diante dos efeitos associados ao fenômeno climático El Niño e da perspectiva de períodos prolongados de estiagem, o governador Fábio Mitidieri admitiu que poderá ser necessário adotar medidas mais rigorosas para garantir o abastecimento de água à população, entre elas a implantação de um sistema de rodízio.
A situação que mais preocupa o governo está concentrada na Grande Aracaju. De acordo com Mitidieri, a barragem do rio Poxim apresenta atualmente o menor nível entre os reservatórios acompanhados, aumentando a preocupação com a segurança hídrica da região metropolitana.
O governador afirmou que a população precisa estar informada sobre a dimensão do problema e não descartou medidas emergenciais caso os níveis das barragens continuem caindo.
“Os níveis das nossas barragens estão baixando muito. A gente pode, e provavelmente vai, chegar a ter que tomar medidas mais drásticas aqui, como rodízio ou coisa desse tipo, para evitar que tenhamos uma crise ainda maior”, declarou.
O governador também anunciou que pretende reunir a imprensa na próxima semana para apresentar as ações que estão sendo preparadas pelo governo para enfrentar os efeitos do fenômeno climático e reduzir os riscos de uma eventual crise no abastecimento.
A barragem do Poxim está no centro das atenções das autoridades estaduais por sua importância para o fornecimento de água à população da Grande Aracaju. O baixo volume registrado no reservatório exige atenção redobrada e planejamento antecipado para evitar dificuldades ainda maiores nos próximos meses.
Segundo o governador, o Estado trabalha na elaboração de um plano de contingenciamento que deverá detalhar as providências necessárias diante do avanço da estiagem.
El Niño e os riscos para Sergipe
O El Niño é um fenômeno climático natural caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Suas consequências podem alterar os padrões de chuva em diferentes regiões do planeta, provocando períodos de seca em determinadas áreas.
Em Sergipe, a preocupação vai além do abastecimento doméstico. A redução das chuvas e o prolongamento da estiagem podem comprometer a produção agrícola, prejudicar a criação de animais, reduzir a disponibilidade de água e provocar impactos na saúde da população.
O setor rural também está entre os mais vulneráveis, especialmente pela dependência das chuvas para manter plantações e garantir água e alimentação para os rebanhos.
Prevenção exige participação da população
Diante da possibilidade de agravamento da estiagem, a orientação é que a população adote medidas para evitar desperdícios e preservar os recursos hídricos.
Entre as recomendações estão o uso racional da água, a manutenção adequada de cisternas e reservatórios e o armazenamento de ração para os animais, especialmente nas propriedades rurais.
Produtores também são orientados a diversificar os cultivos, priorizando espécies mais resistentes à falta de chuva, além de utilizar técnicas de conservação do solo capazes de reduzir a perda de umidade.
Enquanto o governo prepara seu plano de contingência, a situação dos reservatórios coloca Sergipe diante de um desafio que exige planejamento, transparência e ações preventivas. A possibilidade de rodízio no abastecimento, especialmente na Grande Aracaju, demonstra a dimensão da preocupação e reforça a necessidade de medidas para evitar que a população seja ainda mais prejudicada.
Por Redação
Foto: Deso












