Desembargador defende investigação das ações de Moro, MPF e PF na Lava Jato

O desembargador Alfredo Attié, do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), defende uma ampla investigação dos atos praticados pelo ex-juiz Sergio Moro na Operação Lava Jato, considerado suspeito pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Numa entrevista a uma rádio do Mato Grosso, Sergio Moro confessou que a Operação Lava Jato teve como um dos objetivos combater o Partido dos Trabalhadores (PT).

“Tem gente que combateu o PT na história de uma maneira muito mais efetiva, muito mais eficaz. A Lava Jato”, disse Moro.

Para o desembargador Alfredo Attié, a confissão de Moro em combater o PT e não a corrupção representa a corrupção dentro do Judiciário. Ele defende uma investigação das ações do Ministério Público Federal, da Polícia Federal e do próprio Poder Judiciário.

“É preciso que tudo isso que foi feito pelo Moro, pelo Ministério Público e Polícia Federal, nesta grande armação que foi o lavajatismo, mereça investigação por meio de processos administrativos e judiciais. A gente precisa de muito Direito agora, para evitar que tudo isso que aconteceu no Brasil, que gerou esse governo horroroso – que nós estamos sofrendo ainda – volte a acontecer”, defende o magistrado em entrevista ao Brasil 247.

Ainda, de acordo com o desembargador paulista, Moro não agiu como juiz, mas como parte. Ou seja, alguém que estava interessado no destino dos processos que encabeçava. 

“A vara que ele estava, foi julgada pelo STF como uma vara que não tinha competência, jurisdição para julgar aqueles casos. Uma jurisdição que é chamada tradicionalmente como uma jurisdição de exceção. Ou seja, alguém diz que vai julgar, mas não tem competência para isso”, esclarece o juiz, destacando ainda que a suspeição se perpetuou no interior do Judiciário, quando foram feitos elogios a Moro, inclusive, vindo de desembargador que à época era presidente do tribunal e que não participava do caso. 

“Isso significa a corrupção do sistema Judiciário. O termo corrupção se adapta exatamente a isso. Não é aquela coisa mesquinha de que todo mundo pensa ou fala sobre corrupção. A corrupção é o abuso do poder, e quando esse abuso se dá por um juiz, pelo Judiciário ou pelas pessoas que estão ligadas ao Judiciário, é o maior escândalo, pois o Judiciário é o lugar onde todo mundo tem que confiar quando sofre uma violência, lesão ou abuso”, conclui o desembargador.

Segundo levantamento do Departamento Intersindical de Estudos Estatísticos e Socioeconômicos (Dieese), por causa da Lava Jato, o Brasil perdeu 4,4 milhões de empregos e um desinvestimento de mais de R$ 170 bilhões. 





Por Redação
Foto: Reprodução TV Record

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