A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) afirmou que investigações em curso sobre o chamado “escândalo do roubo dos velhinhos do INSS” apontam para o possível envolvimento de igrejas e líderes religiosos no esquema que teria lesado milhares de aposentados e pensionistas em todo o país.
Segundo a senadora, há indícios de que estruturas religiosas teriam sido utilizadas para facilitar a prática de fraudes, principalmente por meio da aproximação com idosos em situação de vulnerabilidade.
“É muito grave o que está surgindo. Existem denúncias de igrejas e pastores envolvidos nesse esquema criminoso que roubou aposentados do INSS”, declarou a senadora em entrevista ao SBT News.
Damares destacou que os idosos eram, em muitos casos, convencidos a assinar documentos ou autorizar descontos indevidos sob a justificativa de contribuições, doações ou serviços que jamais foram prestados.
“Essas pessoas confiavam porque vinham de alguém que representava fé, acolhimento e orientação espiritual”, afirmou.
A senadora disse ainda que tem cobrado rigor das autoridades responsáveis pela investigação e punição dos envolvidos. Para ela, o uso da fé como instrumento para a prática de crimes torna o caso ainda mais sensível.
“Quando se usa o nome de Deus para roubar velhinhos, o crime ultrapassa o financeiro — ele é moral e espiritual”, completou.
Damares reforçou que suas declarações não generalizam instituições religiosas e líderes sérios.
“A imensa maioria das igrejas faz um trabalho honesto e social importante. Mas não podemos fechar os olhos para quem se aproveitou da fé para cometer crimes”, ressaltou.
As investigações seguem sob sigilo, e até o momento não houve divulgação oficial de nomes de igrejas ou pastores envolvidos. Procurados, representantes de entidades religiosas têm afirmado que repudiam qualquer prática ilegal e defendem a apuração rigorosa dos fatos.
Grandes igrejas
O pastor Silas Malafaia, líder da Igreja Assembleia de Deus Vitória em Cristo, criticou as declarações da senadora Damares Alves ao mencionar o envolvimento de “grandes igrejas” e “grandes pastores” em um suposto esquema de fraudes contra aposentados do INSS sem citar nomes específicos.
Em publicações nas redes sociais, Malafaia afirmou que a fala foi imprudente e cobrou que a senadora apresente provas concretas. Segundo ele, caso contrário, as declarações seriam irresponsáveis e prejudicariam a imagem de líderes religiosos que não têm qualquer relação com as denúncias. O pastor afirmou que Damares deveria revelar os nomes dos supostos envolvidos e a chamou de “linguaruda”.
CPMI do INSS
Diante da repercussão, o deputado federal Rogério Correia (MG) anunciou que pretende protocolar, após o fim do recesso legislativo, um requerimento à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS solicitando a convocação do pastor Silas Malafaia para prestar depoimento. O parlamentar também defende a realização de uma acareação entre Malafaia e a senadora Damares Alves (Republicanos-DF).
Na justificativa do requerimento, o deputado afirma que a CPMI já detectou a existência de um esquema criminoso de grande escala, responsável por descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas, realizados por meio de filiações fraudulentas a associações.
O documento ressalta que a Controladoria-Geral da União identificou o uso de igrejas por suspeitos de desviar recursos de aposentados e pensionistas, apontando essas instituições como um possível instrumento para a prática de lavagem de dinheiro.
Por Redação
Foto: Pedro França/Agência Senado






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