Belivaldo reproduz a política educacional de Bolsonaro criminalizando professores, diz Roberto Silva

O fim da autonomia das escolas e dos professores, a criminalização dos docentes e o desrespeito ao Plano Nacional e Estadual de Educação foram os principais motivos para o governador Belivaldo Chagas ser comparado ao presidente Jair Bolsonaro pelo professor Roberto Silva, vice-presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Educação Básica do Estado de Sergipe (Sintese).

Em entrevista ao Hora News, o sindicalista também condenou o governo Belivaldo por transferir, segundo ele, o controle pedagógico das escolas públicas para a iniciativa privada. O professor também acentua que a cassação do mandato de Belivaldo não altera em nada a educação sergipana, caso o possível novo governador também adote a mesma política de desprezo pelo magistério. Confira a entrevista.

Hora News – Os professores denunciaram esta semana que o governo Belivaldo enviou um projeto de lei à Assembleia Legislativa de Sergipe, que privatiza a educação pública. Qual o dano que este projeto pode provocar ao ensino público?

Roberto Silva – O projeto visa transferir o controle pedagógica da SEDUC e das escolas para a iniciativa privada através de pacotes instrucionais, bem como ranquear escolas com objetivo de criminalizar as unidades de ensino menos avaliada e seus professores. O governo foge completamente do que determina o Plano Nacional e Estadual de Educação que deixa claro o papel da avaliação para aprimoramento das políticas públicas e nunca para punição e criminalização. O Governo com isso retira a responsabilidade que cabe a SEDUC e a coloca nos professores e nas escolas de possíveis resultados não esperado.

HN – Com essa medida, Belivaldo segue o modelo privatista do governo Bolsonaro?

RS – A política é a mesma: acabar com autonomia das escolas e dos professores, criminalizar os docentes, retirar o papel do poder legislativo de legislar e do Conselho Estadual de Educação de normatizar o funcionamento do sistema estadual de avaliação, realizar intervenção pedagógica, tudo que Bolsonaro defende.

HN – Em matéria de desprezo aos servidores públicos e à educação, ele seria uma espécie de Bolsonaro sergipano?

RS – O governo Belivaldo caminha para isso, caso não mude de rumo. É um governo que faz aliança com governadores do Nordeste para enfrentar as políticas de Bolsonaro, mas na educação reproduz a política do governo federal.

HN – Diante deste comportamento que não atende aos interesses dos servidores, sem reajuste há anos, e aos trabalhadores em geral, a cassação do mandato dele pelo TRE veio em boa hora?

RS – Entendemos que a manutenção do mandato ou cassação do governador não muda em nada se quem assumir continuar com a mesma política. A questão central é a política (privatização da educação e criminalização das escolas e dos professores ou da gestão democrática para construção coletiva das políticas educacionais) e não quem governará.

HN – Setores da esquerda dizem que Belivaldo e Edvaldo são dois aliados de Bolsonaro travestidos de defensores dos trabalhadores. Você concorda? E por quê?

RS – Existe um alinhamento na implementação de políticas para os servidores. O discurso é o mesmo e a negação de direitos também.





Foto: André Moreira/Arquivo JC

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