A Prefeitura de Aracaju promoveu, nesta segunda-feira (17), uma audiência pública que levou centenas de moradores da Zona de Expansão ao encontro destinado a esclarecer os avanços do Projeto de Lei Complementar nº 6/2024.
A proposta, que estabelece um modelo mais simples para o desmembramento de municípios, tem se consolidado como o principal caminho para resolver o antigo impasse territorial entre Aracaju e São Cristóvão.
A reunião foi conduzida pela prefeita Emília Corrêa e contou com a presença do deputado federal Thiago de Joaldo, relator da matéria na Câmara dos Deputados.
O PLP já percorreu um longo trajeto em Brasília: recebeu aval da CINDRE e da CDU, foi apensado ao PLP nº 197/2025, teve aprovação na CCJ e, recentemente, ganhou urgência para ser votado no plenário. A expectativa, agora, é que a proposta siga para análise do Senado após deliberação dos deputados.
Durante sua fala, a prefeita Emília Corrêa reafirmou a importância de manter a comunidade bem informada e engajada no processo. Ela destacou o sentimento de pertencimento dos moradores da Zona de Expansão e reforçou que o plebiscito é o meio mais justo e democrático para definir o futuro da região.
“Voltamos aqui porque temos compromisso com vocês. A Zona de Expansão é nossa, é de Aracaju, e vamos lutar por isso. Quem deve decidir o destino dessa área é o povo que vive aqui. Ainda que tardio, o plebiscito representa uma reparação histórica. Agora, com fé em Deus, esse ciclo será encerrado e essa comunidade finalmente poderá escolher seu próprio caminho”, declarou.
O vice-prefeito Ricardo Marques lembrou que esteve recentemente em Brasília para pedir agilidade na tramitação do PLP. Ele reforçou que nenhum encaminhamento faz sentido sem ouvir quem mora e construiu vida na região. A proposta, segundo ele, precisa continuar avançando até chegar à votação final no plenário da Câmara e, depois, no Senado.
Thiago de Joaldo, responsável pela relatoria, fez questão de destacar a relevância de um parlamentar sergipano acompanhar o tema.
“Esse não é um desafio exclusivo de Aracaju e São Cristóvão; há dezenas de municípios no Brasil vivendo situações semelhantes. Mas, por conhecer de perto essa realidade, lutamos para assumir a relatoria e dar a esse tema a prioridade que merece. Nosso compromisso é garantir que a palavra final seja da população diretamente afetada. E, pelo que percebemos em todas as conversas, o desejo majoritário é permanecer com Aracaju”, afirmou.
O deputado detalhou ainda o cronograma previsto: sua intenção é pautar o PLP no plenário ainda este mês. Caso aprovado sem emendas no Senado, a proposta será enviada à sanção presidencial. Em seguida, a Assembleia Legislativa de Sergipe conduzirá o processo local, incluindo a pergunta sobre os limites territoriais na eleição de 2026. O resultado será encaminhado ao TRE e, por fim, transformado em lei, pondo fim à indefinição.
“Quem sabe, em 2027, esse capítulo finalmente esteja encerrado, com a decisão soberana do povo”, completou.
Entre os moradores presentes, o sentimento era de ansiedade por uma resolução definitiva. Sandra Andrade da Luz, 55 anos, moradora do São José dos Náufragos, destacou a importância de garantir o direito de escolha.
“Crescemos aqui, criamos nossos filhos aqui. Tudo o que construímos está em Aracaju. Queremos que respeitem nossa vontade”, disse.
O aposentado Arnaldo dos Santos, 67, reforçou que o plebiscito representa uma oportunidade histórica.
“Sempre fomos de Aracaju. É aqui que o desenvolvimento acontece. O plebiscito é o caminho mais justo para resolver um problema que ficou engavetado por muitos anos”, salientou.
Do Mosqueiro, Edlena dos Santos, 51 anos, lembrou que toda a estrutura pública que atende a comunidade é oferecida pela capital.
“Temos escola, posto de saúde e agora uma grande obra de infraestrutura para melhorar a drenagem. Por que mudar agora? Queremos permanecer pertencendo a Aracaju”, ressaltou.
Lideranças políticas presentes também reforçaram a importância do debate. O deputado estadual Georgeo Passos afirmou que a comunidade tem buscado segurança jurídica, e que o PLP pode finalmente oferecer essa solução.
“É um tema que se arrasta há décadas. Agora, a Prefeitura de Aracaju cumpre seu papel ao defender a área e promover o diálogo”, avaliou.
O vereador Breno Garibalde comemorou o avanço da matéria na Câmara Federal.
“Passamos anos cobrando que essa discussão fosse iniciada. Não é bandeira partidária; é bandeira do povo. E no dia do plebiscito, votaremos pelo que a comunidade deseja”, afirmou.
Presenças
A audiência contou ainda com o vice-prefeito Ricardo Marques; os secretários municipais Itamar Bezerra (Segov), Elaine Oliveira (SerMulher), Thyago Silva (Seplog), Emília Golzio (Sema), Débora Leite (SMS) e Dilermando Júnior (Semde); além dos vereadores Sargento Byron Estrelas do Mar, Bigode do Santa Maria e Lúcio Flávio. Também participaram a presidente da Fundação Municipal de Formação para o Trabalho, Melissa Rollemberg; a coordenadora do Procon Aracaju, Roseneide Araújo; o procurador-geral do município, Hunaldo Mota; e o comandante da Guarda Municipal, Ricardo Silva.
Por Redação
Foto: Victor Samuel/PMA






Comente