Katarina Feitosa e o rompimento de Belivaldo com o grupo governista

Há algumas semanas, o cenário político sergipano foi surpreendido com o anúncio feito pelo grupo de oposição, liderado pelo então pré-candidato ao Governo do Estado, Valmir de Francisquinho. O nome escolhido para compor a chapa majoritária como vice-governadora foi o de Priscila Felizola, filha do ex-deputado estadual e ex-governador Belivaldo Chagas. Embora existissem especulações nos bastidores, a confirmação da indicação causou forte repercussão no meio político sergipano.

O episódio trouxe à tona uma série de movimentações e relações construídas ao longo dos últimos anos. É de conhecimento público que importantes figuras do agrupamento governista mantinham uma relação próxima com Belivaldo Chagas. Um dos principais exemplos é a deputada federal Katarina Feitosa, cujo nome foi amplamente defendido pelo ex-governador durante o processo eleitoral de 2022. Naquele momento, lideranças influentes, entre elas o atual governador Fábio Mitidieri, também apostaram na força política da parlamentar para a disputa à Câmara Federal.

Com o novo alinhamento político de Belivaldo, muitos passaram a questionar: como fica Katarina nesse cenário? A resposta parece estar na própria trajetória construída pela deputada nos últimos anos. Após sua eleição, houve um distanciamento natural entre ela e o ex-governador — não necessariamente um rompimento político, mas um afastamento provocado pelas circunstâncias e pelos diferentes caminhos adotados por cada grupo.

Enquanto isso, Katarina ampliou sua atuação política, conquistou mais espaço dentro do PSD e fortaleceu sua presença na executiva nacional do partido. Esse crescimento ajuda a explicar sua permanência no grupo liderado por Fábio Mitidieri e o apoio à sua reeleição.

Katarina optou pela coerência política e pela continuidade de seu projeto. Hoje, consolida-se como uma parlamentar atuante, com respaldo de diversas lideranças no interior sergipano e uma trajetória construída para além de alianças momentâneas.

Produção Legislativa


A atuação legislativa da deputada federal Katarina Feitosa tem se destacado pela produtividade e pelo foco em pautas sociais. Ao longo do mandato, a parlamentar apresentou 21 projetos de lei, assumiu 60 relatorias e já participou da aprovação de sete propostas transformadas em lei. Entre os principais destaques está a relatoria do pacote Antifeminicídio, considerado um marco no endurecimento das medidas de combate à violência contra a mulher no Brasil.


Outro ponto relevante foi sua atuação na aprovação da Lei nº 15.280/2025, sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que amplia as penas para crimes sexuais contra pessoas vulneráveis. A proposta, de autoria da senadora Margareth Buzetti, teve Katarina como relatora na Câmara, onde conduziu o texto final e defendeu a aprovação em regime de urgência, reforçando sua atuação em defesa da proteção social e dos direitos das vítimas.


Aliança de pernas curtas


A aliança política que levou Fábio de Dona Rosa à Prefeitura de Malhada dos Bois, ao lado do vice-prefeito Alisson de Dona Nissinha, teve duração curta. Com apenas três meses de gestão, ainda em 2025, o grupo passou a enfrentar um rompimento político que já provoca repercussões no cenário local.


Nos bastidores, o distanciamento entre as duas lideranças tornou-se evidente após a aproximação do vice-prefeito com setores da oposição. Alisson passou a dialogar com lideranças antagônicas à atual administração, movimento que reforça a crise interna no grupo governista e abre espaço para uma nova configuração política no município.


Malhada dos Bois – cadê as emendas?


De acordo com uma das fontes ouvidas, um dos questionamentos levantados pelo vice-prefeito Alisson de Dona Nissinha diz respeito aos recursos oriundos de emendas parlamentares destinados ao município de Malhada dos Bois. Essas verbas seriam destinadas à aquisição de equipamentos, maquinários e investimentos em infraestrutura pública que não teriam apresentado resultados visíveis para a população. Diante disso, cresce a cobrança por transparência e pela devida prestação de contas sobre a aplicação desses recursos.


Outro ponto, envolve a relação da atual gestão com os servidores municipais. De acordo com falta diálogo, escuta e valorização do funcionalismo público. Os servidores lutam a anos pela implantação do Plano de Cargos, Carreiras e Vencimentos (PCCV). O debate, nesse contexto, vai além das divergências políticas e levanta uma reflexão importante: qual deve ser, de fato, o papel de um gestor público?


Malhada dos Bois e a democracia esquecida


Outra informação que chegou à nossa redação envolve denúncias de suposta perseguição política contra servidores públicos de Malhada dos Bois que não declararam apoio ao atual prefeito durante o último processo eleitoral. A situação, se confirmada, acende um alerta preocupante sobre o uso da máquina pública e o tratamento dado aos profissionais do serviço público municipal.


Um dos casos citados é o de uma servidora que enfrenta problemas de saúde e possui afastamento respaldado por laudo pericial, mas, ainda assim, teve o salário suspenso e relata dificuldades para garantir seus direitos funcionais. Coincidência ou não, trata-se de uma servidora que não esteve alinhada politicamente ao grupo vencedor nas eleições. O episódio levanta um questionamento necessário: até que ponto a política pode se sobrepor ao respeito, à dignidade humana e aos direitos do trabalhador?


Pesquisas e as divergências de números


A cada eleição, as pesquisas eleitorais assumem um papel ainda mais estratégico dentro do cenário político. Isso, porém, não significa ausência de credibilidade. Pelo contrário, os levantamentos de intenção de voto continuam sendo ferramentas importantes para medir tendências, avaliar o humor do eleitorado e compreender a dinâmica da disputa. O problema surge quando diferentes pesquisas apresentam cenários completamente opostos, gerando dúvidas e alimentando disputas narrativas entre grupos políticos.


Em Sergipe, o cenário de 2026 começa a repetir movimentos já vistos em eleições anteriores, como ocorreu em 2018, quando levantamentos divergiam significativamente e o resultado final surpreendeu muitos analistas. Somente nos últimos 30 dias, três pesquisas para o Governo do Estado apresentaram resultados distintos: em uma, o pré-candidato governista lidera; em outra, a dianteira aparece com a oposição. Isso levanta questionamentos inevitáveis sobre metodologia, recorte regional e perfil dos entrevistados. Afinal, será que os levantamentos foram realizados em localidades onde determinados grupos possuem maior influência política? E o mais curioso: a disputa sequer começou oficialmente. Se o cenário já provoca tanta divergência agora, imagine quando a campanha ganhar as ruas de fato.


Ataques de todos os lados


Em Sergipe, exercer o jornalismo tem se tornado uma missão cada vez mais desafiadora. Em um cenário político polarizado, criticar com base em fatos, questionar decisões públicas ou apresentar opiniões fundamentadas passou a ser motivo de ataques e tentativas de descredibilização. Quando o posicionamento envolve críticas ou elogios à oposição, surgem reações de um lado; quando o mesmo ocorre em relação ao grupo governista, os ataques vêm do outro. Em muitos casos, parte da sociedade parece querer um jornalismo de conveniência, e não um jornalismo comprometido com a verdade.

No domingo, 03 de maio, celebramos o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, um momento de reflexão que se torna ainda mais necessário. Defender a liberdade de imprensa não significa concordar com tudo o que é publicado, mas reconhecer a importância do trabalho dos profissionais que investigam, questionam e levam informação à população. Sem respeito ao exercício jornalístico, perde a democracia, perde o debate público e perde, principalmente, a sociedade, que depende de uma imprensa livre para ter acesso aos fatos com responsabilidade e transparência.

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